Florianópolis, 11.11.13 – Em construção no Canal das Laranjeiras, a nova ponte com nome de guerreira farrapa também vai entrar para a história do país. Depois de pronta, será a segunda maior ponte estaiada em funcionamento no Brasil, atrás apenas da que passa sobre o Rio Negro, no Amazonas, inaugurada há dois anos.
Até lá, porém, o trabalho será intenso e quase ininterrupto. Pelo meio da lagoa, os pilares de apoio crescem a olhos vistos e a montagem dos vãos, que irão formar a pista da rodovia, já devem avançar para o trecho em água a partir do mês que vem. Mas a mais esperada das estruturas também promete se mostrar em breve: os dois mastros de 61 metros de altura, que compõem o estaiado da ponte, já poderão ser vislumbrados no auge do verão, a emoldurar o novo visual da lagoa.
Para colocá-la de pé, os operários trabalham dia e noite, divididos em dois grandes grupos: os que encaram as águas para ajudar na escavação e na concretagem dos pilares e os que em terra operam a montagem de cabos e equipamentos que serão usados mais tarde. O canteiro de obras onde o serviço é feito divide espaço com os dormitórios dos trabalhadores. As casas azuis com quartos de dois beliches oferecem capacidade para mais de 600 operários, todos de fora de Santa Catarina. Também há refeitório e sala de jogos espalhadas pelo terreno que corresponde a 14 campos de futebol.
– Daqui para a frente, a obra vai andar cada vez mais rápido – adianta o supervisor do DNIT em Tubarão, Avani Aguiar de Sá.
Ainda há 18 meses pela frente. Ou 13, pela vontade do DNIT.
Verão com menos um gargalo
A menos de uma semana para o feriado de 15 de novembro, a paciência dos motoristas estará em teste mais uma vez. A previsão é de um novo e longo congestionamento no trecho sul da BR-101, em direção ao Norte do Estado, na próxima sexta-feira. Será o último, no entanto, com tantos gargalos pelo caminho. Para o Natal e o Ano-Novo, o DNIT promete novidades.
Após um ano de atraso, os quase 30 quilômetros do trecho duplicado entre Sombrio e Maracajá estarão liberados depois de 15 de dezembro. São dois viadutos e uma ponte do novo contorno rodoviário de Araranguá, que provocaram o adiamento do prazo de entrega devido à demora no início das obras e à desistência das empresas vencedoras da licitação. Com a liberação do trecho – o chamado lote 29 –, um total de 95% da duplicação da BR-101 estarão concluídos em Santa Catarina.
Depois da liberação do trecho, os maiores gargalos da rodovia, no entanto, ainda devem demorar para chegar ao fim (veja quadro). Restam ainda outros três: a Ponte Anita Garibaldi e os acessos a ela, em Laguna, o túnel do Morro do Formigão, em Tubarão, e o Morro dos Cavalos, em Palhoça, único que ainda não saiu do papel – em setembro, o Ibama liberou a licença ambiental, último entrave que faltava para colocar a obra de pé.
A maior das obras em andamento depois da ponte, o túnel de duas pistas com acostamentos e passarelas em Tubarão também está com os trabalhos acelerados. Sob os olhos vigilantes de Santa Bárbara, uma equipe de 220 homens trabalha dia e noite na tentativa de antecipar a obra para o fim de 2014, a pedido do DNIT. Enquanto escavam, a santa padroeira dos tuneleiros – carinhosamente disposta em um dos acessos – protege os trabalhadores dos maiores riscos que a atividade provoca: desmoronamentos e choques elétricos.
Ela não só vem dando sorte aos trabalhadores em relação a acidentes como também na aceleração da obra. Nove meses após a assinatura da ordem de serviço, os trabalhos para conter as rochas dos morros que contornam a obra estão concluídas e a escavação dos dois lados do túnel também começaram – de um lado, 40 metros foram escavados e de outro 10.
Três pontos com mais ACIDENTES
Conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF), esses três pontos da rodovia estão no topo da lista dos maiores causadores de congestionamentos no Estado, enquanto o trecho entre Sombrio e Maracajá, também complicado, vem apenas em quarto lugar. Mesmo assim, a liberação o tráfego no local já é considerado um ganho.
Para o agente Luiz Graziano, chefe de comunicação da PRF em Santa Catarina, a entrega do trecho vai reduzir em quatro vezes o tamanho das filas que costumam acumular no local. O cálculo é fácil: uma faixa duplicada, na média, comporta uma vazão quatro vezes maior de veículos do que uma simples.
– Vai nos favorecer muito, principalmente porque são nesses trechos onde ocorrem os maiores acidentes. As transições de pista, uma hora simples, outra hora duplicada, costumam gerar muitos problemas. O motorista que viaja do Sul para o Norte já entra no Estado passando por transtornos. Quando chega em Laguna, então, já não aguenta mais.
Fonte: Diário Catarinense (edição de ontem 10/11)