Reforma do ICMS atropela o Estado

Reforma do ICMS atropela o Estado

Florianópolis, 24.10.13 – Chega a ser irônico. Santa Catarina sempre foi prejudicada pela exigência de unanimidade no Conselho Nacional de Política Fazendária na hora de validar seus benefícios fiscais. Agora que conseguiu, junto com Goiás e Ceará, travar a proposta de reforma do ICMS no Confaz, deve ser atropelada por decisão do Senado. “O Confaz só funciona com unanimidade, mas o Senado, não. Aqui, é ruim se tiver 14 estados contra 13. Mas 24 a três é ótimo. Dá para aprovar”, disse o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, Lindbergh Farias (PT-RJ), ao Valor Econômico. A votação na CAE é terça que vem e até novembro o Palácio do Planalto pretende liquidar o assunto no Congresso. O governo federal acha que, com isso, acaba com a guerra fiscal entre os estados, melhora a competitividade e afasta o risco do STF baixar uma súmula vinculante tornando ilegais todos os incentivos já concedidos. O que criaria, de fato, o maior passivo fiscal que se pudesse imaginar para as empresas inseridas nos regimes especiais.

Fundos de compensação 

O relator Armando Monteiro (PTB-PE), com Lindbergh Farias ao fundo, tratou o projeto de lei complementar do senador tucano Paulo Bauer como a peça que faltava para pacificar a discussão em torno das mudanças no ICMS. No substitutivo de Monteiro, são criados dois fundos _ um para compensação de receitas, outro para desenvolvimento regional _ pelos quais, em 20 anos, o Tesouro repassaria R$ 296 bilhões aos estados mais prejudicados e de menor PIB per capita. Em 2014, seriam aplicados R$ 3 bilhões no FCR e R$ 1 bilhão no FDR.

“Apenas três estados têm divergências, mas são questões pontuais nas quais podemos avançar. Com o fim dessa guerra fiscal teremos mais contribuintes. Quando se paga menos imposto, mais gente paga porque considera que o imposto é justo e não abusivo. Como consequência, teremos uma maior arrecadação” _ senador Paulo Bauer

“Não podemos colocar em risco um meio de vida do qual dependem quase 1 milhão de catarinenses”  – Antonio Gavazzoni, secretário da Fazenda, avisando que por enquanto SC mantém a posição contrária à proposta do Confaz (mesma que está em votação no Senado). Acima das compensações de receita, ele se refere aos prejuízos para o setor agropecuário. Hoje o Estado compra insumos com alíquota de ICMS de 12% e vende sua produção com os mesmos 12%. Pela nova proposta, passaria a comprar com 7% e vender somente com 4%. Acumulando menos créditos tributários, o risco é que grandes agroindústrias deixem o Estado e se instalem no Centro-Oeste.
Fonte: Adriana Baldissarelli/ Notícias do Dia (edição de ontem 23/10)

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