Sete soluções para a mobilidade urbana

Sete soluções para a mobilidade urbana

Florianópolis, 8.10.13 – Para transformar as cidades será preciso uma mudança de paradigmas. O futuro, segundo o ex-prefeito de Bogotá Enrique Peñalosa – um dos papas da mobilidade no mundo – inclui restringir o uso dos carros, aumentar o preço dos combustíveis, implantar pedágios urbanos e acabar com os estacionamentos. Além disso, será preciso humanizar as cidades com o fim das rodovias e inclusão de avenidas e mudar o conceito do que é uma rua: mais espaços para ônibus, ciclovias e calçadas.
Longas pausas separam os pensamentos do estudioso sobre mobilidade urbana que palestrou na noite de ontem no Fronteiras do Pensamento. No trajeto entre a avenida Mauro Ramos e a SC-401, Peñalosa falou sobre as experiências positivas em mobilidade acumuladas de 1998 a 2001, quando administrou Bogotá.
Mas é natural vê-lo virar a cabeça para os lados e interromper o discurso para observar atentamente os erros e acertos na vida de Florianópolis – e comum a muitas cidades catarinenses. Nos primeiros metros ele logo aproveita as situações para dar exemplos de mudanças inevitáveis.
Graduado em Economia e História e pós-graduado em Administração Pública, Peñalosa fez em quatro anos em Bogotá o que a população de Florianópolis espera ansiosa: remodelou calçadas, implantou 350 quilômetros de ciclovias protegidas e revolucionou o modelo de transporte público buscando referência em Curitiba. Mesmo assim, faz questão de dizer que Bogotá não é nenhum exemplo. Para ele, sua administração conseguiu fazer algumas coisas que funcionaram bem e que, com o tempo, mudaram a vida da população.
Mas não foi fácil. Peñalosa diz que quase teve o mandato cassado por proibir o estacionamento de carros em cima das calçadas. Justamente o que ele faz questão de apontar na avenida Mauro Ramos, área central de Florianópolis.
Para o colombiano, mais importante do que qualquer outro assunto, talvez até mais do que a questão das ciclovias, são as calçadas. Ele faz questão de lembrar que calçadas com qualidade são sinônimos de cidades desenvolvidas e se assustou ao ter contato com a realidade local de infraestrutura do pedestre.
Ao percorrer a SC-401, uma das rodovias com maior fluxo de veículos de Santa Catarina por ser a ligação entre o Centro de Florianópolis e os badalados balneários no Norte da Ilha, para o carro, desce e tira uma foto de uma bicicleta fantasma que marca a morte de um ciclista. Comenta sobre a rodovia:
– Isso é um desrespeito à dignidade humana.
Para Peñalosa, estradas como a SC-401 deveriam ser transformadas em avenidas, com comércio e casas ao redor, humanizando o espaço. Mesmo assim, ele coloca o capacete, sobe na bicicleta e pedala alguns metros. Diz que o trecho completo, até Canasvieiras, é para “aventureiros loucos” e faz uma breve citação sobre dois curtos trechos de ciclofaixas que encontrou entre o Terminal de Integração de Canasvieiras (Tican) e o trevo de acesso ao bairro.
– É melhor que nada – finaliza.
Fonte: Emanuelle Gomes/ Diário Catarinense

Compartilhe este post