Florianópolis, 25.9.13 – Hoje o Trânsito 24horas abre espaço para a geógrafa Lilian Diesel, mestre e doutora em Engenharia Civil pela UFSC, com enfoque em gestão de risco de acidentes de trânsito e desastres em rodovias. Ela levanta importante discussão: muitos jovens do futuro poderão apresentar algum tipo de sequela – mental ou física –decorrente de acidentes de trânsito.
Quando se fala em impactos dos acidentes de trânsito, a primeira coisa que pensamos é na morte e nos danos materiais. Mas um dos assuntos de grande importância nos dias atuais, e muito pouco lembrado em discussões, são os impactos dos acidentes de trânsito gerados pelos traumas. A abordagem dessa problemática deve-se aos elevados números de traumatizados pelos acidentes. Esses traumas podem ser classificados em permanentes, temporários e invisíveis (depressão, pânico, agorafobia, entre outros), e produzem gastos de atendimentos médico-hospitalares e reabilitação bastante vultosos.
As vítimas de traumas por acidentes de trânsito têm o direito ao recebimento do auxílio-alimentação, auxílio-doença e aposentadoria por invalidez, no caso esse último para trauma permanente. Outro destaque é que comprometem uma família inteira, porque certamente algum membro familiar deixará de cumprir suas obrigações profissionais para dar maior suporte à vítima traumatizada. O que chama a atenção em relação aos traumas refere-se ao elevado número de jovens em idade produtiva e que já se encontram comprometidos para o exercício de sua função profissional, ou seja, muitos deles tornaram-se inaptos ao trabalho.
Portanto é preciso pensar que, em um futuro não muito distante, tenhamos uma sociedade com mais integrantes da terceira idade do que em idade produtiva. E ainda os jovens que farão parte dessa sociedade em sua maioria poderão apresentar algum tipo de sequela oriunda de um acidente de trânsito. Urgentemente precisamos pensar de forma mais objetiva sobre os impactos gerados pelo acidente de trânsito e o porquê deles ainda continuarem a ocorrer de forma tão cruel. Existem algumas perguntas que merecem respostas como: Por que os acidentes ainda continuam a ocorrer? Por que não se respeitam as leis de trânsito? Por que não há punição mais severa para os inconsequentes (pedestres e motoristas) no trânsito? Qual é o verdadeiro custo de um acidente de trânsito? Até quando vamos continuar pagando pelos inconsequentes?
Essas perguntas precisam não somente de respostas, mas de ações eficazes. Estamos vivendo a década pela redução dos acidentes de trânsito e o que está sendo feito? É preciso educar e reeducar motoristas e pedestres e também punir severamente os inconsequentes no trânsito.
Fonte: Mariana Paniz/ Trânsito 24h/ DC
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