Brasília, 29.8.13 – O diretor geral da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) , Jorge Bastos, negou ontem alteração do traçado do contorno viário de Florianópolis, disse o presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes. Lopes esteve na reunião com Bastos agendada pelo prefeito de Palhoça, Camilo Martins, que queria uma mudança do trajeto nos bairros de Alto Aririú, Aririú, Guarda do Cubatão e São Sebastião , porque irá passar sobre várias residências, o que obrigará a saída dos moradores.
Em audiência pública realizada há duas semanas, na Câmara de Vereadores de Palhoça, representantes de cerca de 100 famílias avisaram que vão lutar para impedir a obra, pois não querem deixar suas residências.
Lopes afirmou que Bastos garantiu ao grupo de Santa Catarina, além do prefeito e de Lopes, estavam o engenheiro da Autopista Litoral Sul, o deputado Renato Hinning, o presidente da Câmara, Nirdo da Luz, três vereadores que representaram os moradores, que vai ser feito um trabalho de esclarecimento com os moradores, principalmente avaliar bem o impacto em cada terreno com a obra e como deverá ser o processo de indenização. A preocupação de Lopes é que mais uma vez o início da construção poderá atrasar caso tenha novos impedimentos como por exemplo, conflitos com essas comunidades ou questionamentos na justiça das desapropriações.
Segundo o presidente da Fetrancesc, que tratou junto com o prefeito Camilo Martins, fazer a mudança pontual do traçado para atender os moradores e poder a tempo fazer o licenciamento ambiental, haverá nova reunião da ANTT com os prefeitos da região para esclarecer todas as dúvidas.
A ANTT se baseia no fato de os prefeitos dos quatro municípios terem assinado a anuência e com isso concordado com o traçado novo em março passado. Bastos se comprometeu em iniciar a obra, que pelo contrato de concessão já deveria estar pronta no ano passado, em janeiro de 2014. Por isso, mais alterações significaria mais atraso.
E o risco será ANTT tirar o contorno viário de Florianópolis do contrato de concessão e reduzir a tarifa até que tudo se resolva, caso haja mais impasse com essas comunidades da Palhoça. Somado a isso, tem outro problema em Governador Celso Ramos. O prefeito Juliano Campos disse na imprensa que não pretende assinar a anuência para que a obra passe em um terreno do município e sem isso não é possível fazer o pedido de licença ambiental.
Erros dos prefeitos podem inviabilizar a construção do contorno
O traçado que quase nada vai ajudar na mobilidade da Grande Florianópolis para quem usa a BR-101 entre Palhoça e Biguaçu virou essa confusão desde que os prefeitos de Palhoça e de Biguaçu decidiram que queriam o traçado maior, segundo eles, o original e não o que estava no contrato de concessão.
Conseguiram o apoio de alguns líderes empresariais e comunitários, políticos e de jornalistas para exigir a mudança, desnecessária segundo especialistas já que a extensão maior em nada iria interferir no objetivo da alça de desviar o trânsito dos veículos que vem do sul para o norte do estado sem necessidade de passar pelo atual leito da BR-101 entre Palhoça e Biguaçu.
Depois veio a informação que a prefeitura de Palhoça, de forma irresponsável, havia autorizado a construção de um residencial sobre o traçado do contorno e criou o maior problema. Exigiu um novo trajeto que exigirá seis túneis e com isso mais que dobrar o valor da obra. E outra consequência é que a construção atingirá os moradores das comunidades Alto Aririú, Aririú, Guarda do Cubatão e São Sebastião, justamente os que agora querem lutar para não sair de suas casas e impedir a obra.
O contorno viário de Florianópolis deve desviar 11% do atual volume de tráfego da BR-101 entre Palhoça e Biguaçu. São cerca de 18 mil veículos dos mais de 160 mil diários, que seguem do norte para o sul e vice-versa sem entrar nesse trecho da Grande Florianópolis. Mas isso pouco vai mudar o trânsito no atual trecho da 101, a filas vão continuar e a demora de descolamento também, pois o contorno não é garantia de desvio do trafego pesado.
A concessionária chegou a apresentar um projeto alternativo ao traçado, que seria no atual leito da 101 com 11 pistas sendo as quatro centrais para a passagem direta de veículos em direção ao sul e norte do estado e as demais para absorver o trânsito local sem interferência nas entradas e saídas das cidades. Mas teria a exigência de aumento no pedágio e ninguém se interessou nem em discutir o projeto.