Brasília, 23.8.13 – Manter o corpo na mesma posição horas a fio pode representar riscos para o organismo. E a situação se agrava para quem tem propensão a alguns distúrbios de coagulação ou para aqueles casos em que faz parte da rotina ficar muito tempo numa mesma condição, como ocorre com motoristas de transporte de passageiros ou de carga.
A Lei 12.629/2012, que regulamentou a profissão, prevê um intervalo mínimo de 30 minutos de descanso para cada quatro horas ininterruptas na direção. Conforme a fisioterapeuta do Sest Senat em Brasília, Ana Paula Alves dos Santos, a pausa deve ser aproveitada para algumas atividades que ajudam a evitar dores decorrentes da atividade. “Quando o motorista sai do veículo é importante alongar braços, pernas e costas”, explica ela. Mas Ana Paula alerta que, dentro do veículo também há algumas medidas importantes para garantir o conforto no sistema ósseo e muscular. “É fundamental sentar na postura correta: manter a coluna toda apoiada no encosto e o braço semiflexionado. Também é importante encontrar a altura e a distância adequada do banco, de modo que a pessoa não faça muito esforço para usar os pedais”, diz a fisioterapeuta.
Segundo o coordenador de campanhas do Comitê de Coluna da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), Alexandre Podgaeti, se o condutor puder fazer pausas mais frequentes, melhor. “O ideal é que a cada três horas pare o veículo em local seguro para que os passageiros e o motorista possam dar uma caminhada”, diz o médico. Nesse momento também é bom dobrar e esticar os joelhos algumas vezes. O médico afirma que dores eventuais não devem causar preocupação. Mas quando se tornam localizadas e freqüentes, exigindo, por vezes, medicação para amenizar o desconforto, é hora de procurar um especialista. Nas unidades do Sest Senat, as principais queixas de profissionais são de dores na coluna, joelhos e ombros. O tratamento é feito com fisioterapia, reeducação postural global (RPG) e, em algumas ocasiões, com pilates.
Se o percurso da viagem for aéreo, o problema mais freqüente, conforme o ortopedista, são dores na coluna cervical. A recomendação, principalmente para quem costuma dormir no vôo, é usar um apoio para pescoço.
Movimentar o corpo também é importante para evitar problemas ainda mais graves como distúrbios da coagulação do sangue. “Quando ficamos muito tempo imóveis, existem mecanismos que podem facilitar a trombose nos membros inferiores. O coágulo formado pode se desprender provocar uma embolia pulmonar ou cerebral – quando obstrui a passagem do sangue num desses órgãos”, esclarece o diretor do Comitê de Emergências Cardiovasculares da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sérgio Timerman. De acordo com o especialista, há fatores que agravam o risco: obesidade, pressão alta, diabetes, problemas no coração, uso de cigarro e de pílula contraceptiva. E, na maior parte dos casos, não há sintomas que levem, de imediato, ao diagnóstico do problema.
Conforme o médico, isso pode acontecer em viagens por terra, mas em vôos a probabilidade é maior pelo efeito da pressurização. Por isso, algumas medidas são essenciais: manter-se hidratado com água (evitar refrigerante e bebida alcoólica); dar uma caminhada pela aeronave, pelo menos, a cada três horas; mesmo sentado, flexionar e estender os pés, movimentando-os para cima e para baixo; massagear os membros inferiores com as mãos. Para vôos acima de três horas, também é recomendado uso de meia elástica.
Quem tem fatores de risco também pode conversar com um médico, porque existem prevenções medicamentosas.
Principais recomendações em viagens rodoviárias:
– Sente na postura correta no banco do veículo. Na direção, mantenha os braços semiflexionados.
– Pare em local seguro a cada três ou quatro horas. Dê uma caminhada e alongue membros superiores e inferiores.
– Passageiros também podem movimentar mãos, braços, pés e pernas para evitar o desconforto em longos percursos.
– Preste atenção no seu corpo. Se sentir dores freqüentes e localizadas, busque ajuda profissional.
Principais recomendações para viagens aéreas:
– Em vôos longos, dê uma caminhada pelo avião.
– Se possível, estique braços e pernas.
– Mesmo sentado, movimente os pés.
– Massageie os membros inferiores.
– Beba água com frequência para se manter hidratado.
– Evite refrigerantes e bebida alcoólica.
– Se você costuma dormir, use um apoio para o pescoço.
Fonte: Natália Pianegonda/ Agência CNT de Notícias
