Representantes do setor produtivo querem revogação do Decreto 11.942 e debater uma proposta para carga e descarga de Florianópolis

Representantes do setor produtivo querem revogação do Decreto 11.942 e debater uma proposta para carga e descarga de Florianópolis

Florianópolis, 21.8.13 – A revogação do Decreto 11.942/13 de 5 de agosto, que restringe os horário e locais para os veículos de carga e descarga, e discutir uma proposta para o transporte de carga e descarga da Grande Florianópolis, constará em um documento que será encaminhado pelo Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina (Cofem) ao prefeito de Florianópolis, Cesar Souza Júnior.
Hoje pela manhã, convidados pelo presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes, representantes da Fecomércio, Facisc, FCDL, Fiesc, dos Sindicatos das Empresas de Transporte de Carga, do comércio de combustíveis, dos distribuidores e atacadistas, de mudanças e bebidas estiveram reunidos no auditório da Fetrancesc para analisar os impactos que a restrição de circulação de veículos para carga e descarga vai trazer ao setor e à população. Lopes disse que esses paliativos nada resolvem enquanto não se tratar da mobilidade da Grande Florianópolis. Para Lopes, é um assunto que deve ser debatido em todo o estado. Porque segundo uma análise preliminar, essa medida para a capital, aumentaria num custo de 35 a 40 %.
Todos foram unânimes em afirmar que o decreto para ser cumprido vai elevar os custos em duas vezes, pelo menos, se for substituir um caminhão por três veículos menores. E o mais grave, é provocar o desabastecimento, pois o limite de horários impediria o serviço ser realizado integralmente.
O presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes, lamentou que o prefeito Cesar Souza Júnior, não tenha discutido o assunto com o setor. “Esse decreto de carga e descarga em Florianópolis, não foi feito o estudo de quanto isso representa o aumento de custos para o segmento e para a economia. E pode haver risco de desabastecimento.” Para o presidente da Facisc, Alaor Tissot, é um descaso o fato do poder público não ouvir as partes envolvidas. “Quando ouvi as primeiras notícias achei que o setor já tinha sido ouvido. Sempre fomos ouvidos”, reclamou o empresário.
Para o diretor executivo da Fecomércio, Marcos Arzua, a prefeitura queimou uma etapa importante desse processo, de debater e avaliar a questão com o setor produtivo. Para ele, já que a administração municipal não fez um estudo de impacto, cada setor deve apresentar o seu sobre quanto custa para se enquadrar no Decreto e se é possível fazer o abastecimento dentro dessas regras. Para ele também é necessário solicitar ao poder público o estudo de impacto social e econômico dessa medida.
O presidente do Sindopolis, Valmir Espíndola, avisou que a lei da prefeitura vai contra as normas impostas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) para o transporte de combustíveis, que exigem veículos especiais e para a carga e descarga que só podem ser feitas durante o dia, antes das 20 horas.
Por isso, o decreto poderia ser até inconstitucional. Ele afirmou que o setor de combustível é responsável por 25% da arrecadação do município. Para ele, todas as decisões tomadas pela prefeitura sempre dão errado, citou o fechamento da Paulo Fontes, porque a administração municipal não faz investimentos para a mobilidade.
A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) já havia recebido pedido de empresas para encontrar uma solução para o impasse, segundo a assessora jurídica, Jomara Bessa. Segundo ela, a entidade já estava com uma correspondência para ser enviada ao prefeito. Porém com a reunião de hoje, o debate passa a ser conjunto.
Para quem entrega mercadorias no comércio, restaurantes, hospitais e farmácias é inviável trocar um veículo grande por dois ou três pequenos. O presidente da Associação de Distribuidores e Atacadistas Catarinenses (Adac), Telmo Sandro Poli, disse que isso representa mais custos, porque precisa de mais motoristas, mais ajudantes e mais gastos para adequar o veículo.
O representante de uma empresa distribuidora de Joinville, José Osnir Machado, disse que os motoristas são obrigados a entrar em Florianópolis antes das 6 horas para começar a entrega as 7h30min e por isso já pagam hora-extra. Se tiverem que diminuir os veículo e ter mais motoristas vai tornar inviável a atividade. “Vai triplicar o custo e já temos adicional por ter que entrar antes das seis horas para entregar a partir das 7h30min”, afirmou. Outro representante de distribuidora de Jaraguá do Sul, Daniel Brand, perguntou quem vai fazer a segurança para a carga e descarga à noite como quer a prefeitura de Florianópolis? Ele disse que sua empresa adotou as cobranças por boleto para evitar assalto aos motoristas. Mesmo assim, durante o dia é comum o arrombamento dos veículos para roubar mercadorias.
Poli reclamou que hoje é obrigado a parar em um determinado ponto da cidade e fazer de 20 a 30 viagens com carrinhos para a entrega ao estabelecimento comprador. “A capital não tem estrutura para carga e descarga”, criticou ele. Atacadistas e distribuidoras fazem 52% das entrega dos lares brasileiros.
O empresário Oscar Giaretta, que tem empresa de mudanças, fez críticas ao decreto, porque segundo ele não se pode fazer mudanças com caminhão pequeno e além disso, a prefeitura não levou em conta que os condomínios tem horários para fazer as mudanças. “Querem premiar quem não trabalha”, enfatizou Giaretta.
O diretor executivo do Sindicargas, Oscar Lobo, disse que uma comissão de dentro do Sindicato já vinha trabalhando junto à prefeitura para a adequação da legislação.
Giaretta disse que basta olhar os longos engarrafamentos em São Paulo para saber que só proibir caminhões de carga e de descarga não ajuda na mobilidade.
Fonte: JP/ Imprensa Fetrancesc
Fotos: Imprensa Fetrancesc

Compartilhe este post