Líderes empresariais do transporte escolar debatem a organização do setor para o seu fortalecimento

Líderes empresariais do transporte escolar debatem a organização do setor para o seu fortalecimento

Florianópolis, 5.8.13 – O transporte escolar de Santa Catarina começa a trabalhar na organização do setor empresarial com a finalidade de tratar de criar uma entidade representativa para defender as propostas do segmento junto aos governos, ao legislativo e ao judiciário nas instâncias municipais, estaduais e federal.No último sábado, representantes de associações e de cooperativas do segmento estiveram reunidos no auditório da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc). que contou com a participação do presidente da Federação, Pedro Lopes, do deputado estadual, Darci de Matos e do secretário executivo da Fetrancesc, Leonardo Carvalho. Ao encerrar o encontro foi formada uma comissão com o presidente da Cooperativa de Transporte Escolar de Florianópolis, Umberto Ouriques Neto, que organizou a reunião; o presidente da Associação dos Condutores e Transportadores de Joinville, Gilberto Lima e de Itajaí, Bento Garcia.
Esse grupo vai elaborar uma minuta de objetivos comuns para as empresas, mas também poderá receber sugestões dos representantes de todas as entidades que congregam as empresas do segmento.Definida a base da proposta, que deve passar por questões de gestão como qualidade dos serviços, responsabilidades com o público, qualificação profissional, possibilidades de negociações coletivas tanto em compras de veículos como nas questões de pessoal.
Além disso, deverá pontuar os entraves na legislação para o setor e ter a participação na definição das leis e mudanças jurídicas, além de abrir canais de diálogo com os mais diversos órgãos públicos. Outro ponto são os programas de renovação de frota e cobrança de tributos, afirmou Umberto Ouriques Neto.


Escolar terá sala na Fetrancesc

Outra novidade é que o transporte passará a usar um espaço no prédio da Fetrancesc. O presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes, falou um pouco da importância da união do segmento, a exemplo do que faz o transporte rodoviário de carga. Segundo ele, estar presente nas decisões governamentais, do legislativo e do judiciário, poder levar as reivindicações do setor.
Lopes também lembrou da responsabilidade do segmento em ter bons veículos, pessoal motorista e monitor treinados, porque transportam crianças e adolescentes. Enfatizou a presença do secretário Adriano Mafra para o diálogo, porque quando houver alguma mudança na cidade ou na legislação que afetam o setor “se as empresas não forem chamadas vão agir para serem ouvidas”.

Transpocred contribui para o desenvolvimento do setor

O presidente falou ainda da Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Empresários do Transporte de Santa Catarina (Transpocred) que foi criada para apoiar o segmento de transporte e hoje é patrimônio agregado ao setor. E do Sest Senat e sua estrutura montada no Estado para atender o transporte com treinamento dos motoristas e demais trabalhadores e atendimento à saúde. O presidente da Transpocred, Oscar Giaretta, disse que a finalidade principal era atender o pequeno e médio transportador, pois encontravam dificuldades para financiamentos e operações financeiras diversas, devido ao elevado custo. Os associados conseguem ter uma boa economia, e agora, a Cooperativa, na medida em que cresce mais consegue reduzir os juros. Segundo ele, além desse custo menor com essas operações, o cooperado é dono do negócio e no final do exercício ainda participa da divisão das sobras. Citou que até agora o valor já está em torno de R$ 700 mil. Giaretta explicou sobre quem pode se associar, todos os empresários do transporte, todos os de setores afins e pessoas vinculadas a esses que atuam em outra área. Disse que a Transpocred faz empréstimos, financiamentos, desconto de títulos, aplicações diversas e atendimento nas agências quase sem nenhum custo com taxas.
O deputado Darci de Matos destacou a sua atuação em favor do segmento. Disse que está tratando da criação de uma linha de financiamento junto ao BRDE para o transporte escolar. Será necessário um relatório sobre o setor. Para ele, esse é o momento, pois o Brasil mudou com as manifestações nas ruas em junho.”Porque se fazia as leis, se tomava as decisões sem ouvir o ator principal, que era a população. E o recado é façam a coisa certa (políticos) porque nós (população) pagamos muitos impostos e não temos retorno. As manifestações propuseram uma nova ética no Brasil. Todos nós temos que mudar, E tudo começou com os problemas no transporte e com o passe livre. Com o passe livre, se conseguirmos o benefício ao transporte escolar vamos conseguir um transporte mais acessível”. Matos argumentou que só a organização fará o andamento do setor, para a renovação.

Empresários precisam se convencer da importância da união do segmento

Depois, os representantes do transporte escolar, acompanharam a palestra do presidente da Associação das Empresas de Transporte Turístico de Santa Catarina (Aettusc), Nilton Silva Pacheco, sobre como ele e empresários organizaram o segmento e força que isso significa nas questões empresariais. Antes de falar desse trabalho, ele disse que o transporte tanto de turismo, fretamento como o escolar são a forma mais barata para resolver o problema da mobilidade. Quantos veículos poderiam ser tirados da frente das escolas se os pais usassem o transporte escolar? Quantos carros sairiam das ruas se tivessem empresas adotado o fretamento?Mas lamenta que tantos governos como os segmentos de turismo e até de educação nunca se lembram de chamar o transporte para o debate sobre legislação, mudanças, mobilidade, eficiência. Mas ele argumenta que o grupo organizado com os mesmos objetivos podem mudar esse panorama.
Pacheco disse que a sua entidade começou a surgir quando o segmento teria que parar 24 horas antes de viajar novamente por determinação da ANTT. Reunidos conseguiram mudar essa norma e assim começaram a tratar da entidade. Segundo ele, havia pouco conhecimento sobre as exigências ao setor, nem mesmo as regras de fiscalização ou obrigações com o motorista conheciam. Muitas vezes eram multados porque o motorista não sabia quais documentos apresentar, disse ele. Então, a organização também passou por esse treinamento dos empresários, a adoção de regras em conformidade com a legislação, o treinamento dos funcionários, o trabalho conjunto. “Pela primeira vez conseguimos fechar este ano um acordo coletivo de trabalho”.
Ele adiantou que muitos cuidavam de sua empresa, seus custos e nem sempre viam o outro com parceiro e sim como concorrente. “Só que não pode ser assim, porque a organização dá suporte para reivindicar. Não sou eu sozinho que chego lá para reivindicar um benefício dado a outros setores. É um grupo que emprega e que tem função importante na economia. Mas isso tem um custo. É necessário investir e dedicar um tempo para a associação”, finalizou Pacheco. Fonte: JP Imprensa Fetrancesc
Fotos: divulgação

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