Florianópolis, 10.7.13 – A greve geral nacional deve ter reflexos também em Santa Catarina. Cinco grandes atos, um em cada região, estão sendo programados pelas centrais sindicais. Há o anúncio de escolas e postos de saúde fechados, além do bloqueio de rodovias.
Em Florianópolis, a concentração está prevista para as 13h na Praça Tancredo Neves, em frente à Assembleia Legislativa, seguida de caminhada até o Terminal de Integração do Centro (Ticen). No mesmo horário, em Chapecó, outro grupo planeja se encontrar em frente à antiga Sadia e sair em passeata até o Centro. Em Laguna, a intenção dos manifestantes é fechar a ponte de Cabeçudas, na BR-101, principal ligação rodoviária da região Sul do Estado. No Norte, há previsão de fechamento das BRs 101 e 470, entre Itajaí e Blumenau, a partir das 13h. Há intenção de fechar estradas também na Serra em dois momentos, um de manhã, no trevo entre as BRs 470 e 116, em São Cristóvão do Sul, e outro à tarde, na BR-116, em Correia Pinto.
– Todos os protestos em rodovias não devem durar mais do que 1h15min. Queremos chamar a atenção, mas não atrapalhar a rotina de outros trabalhadores – diz o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em SC, Neudi Giachini.
A CUT e outras cinco centrais sindicais tem oito grandes reivindicações nacionais – além de pedidos específicos, de cada categoria sindical. Entre elas, a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, a mais antiga, com 25 anos.
Centrais atrás do protagonismo
Sindicatos pretendem levar trabalhadores às ruas em todo o país amanhã. Depois de serem colocadas à margem nas manifestações que se alastraram pelo país na segunda quinzena de junho, as centrais sindicais tentam retomar o protagonismo. Marcada há 15 dias, durante o auge dos protestos populares, a paralisação nacional convocada para amanhã tenta organizar a variada pauta de reivindicações das ruas e aproveitar um momento em que o governo parece acuado e, por isso, mais disposto a ouvir e atender antigos pleitos.
Convocado por organizações tradicionais como Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, centrais menores e movimentos sociais, o chamado Dia Nacional de Lutas terá atos, greves e trabalhadores espalhados pelo país.
Embora a ideia da paralisação nacional tenha surgido em março, quando as centrais marcharam a Brasília com uma série de reivindicações para a presidente Dilma Rousseff (PT), o plano ganhou força no mês passado. Uma manifestação mais barulhenta e robusta é a forma vista pelas centrais de pressionar o governo federal para que atenda às reivindicações.
Para o sociólogo Adão Clóvis Martins dos Santos, professor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da PUCRS, a mobilização tem o caráter inédito de unir uma série de categorias, movimentos sociais e todas as centrais sindicais na tentativa de pressionar por uma pauta unificada.
Aparente união esconde divergências
Os atos de amanhã marcam a volta de mobilizações institucionalizadas, ao contrário da massa plural que saiu às ruas em junho sem mediação de partidos ou sindicatos. Antes hostilizados, os partidos também devem engrossar as mobilizações. Apesar da aparente união das centrais, há pontos de divergência. Mais alinhada ao governo federal, a CUT coloca o plebiscito para a reforma política como uma bandeira. A Força discorda do plebiscito.
Fonte: Caio Cigana/ Diário Catarinense