Florianópolis, 1º.7.13 – Há um consenso de que a conquista do mercado japonês para a carne suína do Estado será um divisor de águas positivo para o agronegócio catarinense. Após a abertura oficial do mercado dia 30 de maio e os eventos da comitiva catarinense ao Japão, quinta e sexta da semana passada, os novos desafios do setor são iniciar os embarques de contêineres, ampliar as vendas e também dividir os ganhos com toda a cadeia produtiva, com atenção ao parceiro do campo. Isto porque se a receita maior do preço japonês ficar concentrada nas agroindústrias, nos próximos anos elas não conseguirão produtores integrados para criar os animais.
Para o diretor de Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura do Estado, Roni Barbosa, o setor vai focar, agora, na ampliação das exportações porque desde 2006, quando o Paraná foi atingido por aftosa, os produtores vem deixando de vender cerca de 100 mil toneladas por ano. Com o Japão e a volta da Ucrânia será possível ampliar as vendas.
O presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio de Lorenzi, alerta que os produtores estão endividados e que atualmente o preço pago pela indústria, de R$ 2,30 por quilo, não paga o custo que está em R$ 2,85, segundo a Embrapa. Ele alerta que, sem retorno financeiro, o filho do agricultor deixa o campo. Por isso a idade média dos produtores rurais de SC está em 47 anos.
Infraestrutura e organização
Tóquio, a capital do Japão, impressiona pela infraestrutura, organização e limpeza. As ruas bem sinalizadas não têm sujeira e raras lixeiras. A infraestrutura é de alto padrão e segue recebendo investimentos. O maior é a transferência do metrô da superfície para debaixo da terra. No caso das construções, os guindastes são colocados em cima da obra, que não têm entulhos nem sujeira por perto.
Rastreamento
O governo japonês aceitou como alternativa de rastreamento de suínos a GTA, Guia de Transporte de Animais, usada no Estado, porque ela tem todos os dados do suíno e da propriedade. Conforme Roni Barbosa, outra alternativa avaliada foi o brinco. E a BRF, dona da Sadia e Perdigão, está sugerindo controle via DNA, com um exame de sangue. Fonte: Estela Benetti/Diário Catarinense