Punta Cana, (RD), 29.4.13 – Não existe política nos países americanos para o transporte tanto para pessoas como para cargas e isso traz custo, hoje impossíveis de serem absorvidos pelas exigências de competitividade no mundo globalizado. Essa é uma das conclusões, disse o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc), Pedro Lopes, da 19ª Assembleia da Câmara Interamericana do Transporte (CIT) que encerrou o fim de semana, em Punta Cana, República Dominicana.
E houve, a partir desses debates, desdobramentos e novas ações que ganham espaço em organismos internacionais para que o segmento mereça os avanços necessários em programas governamentais e uso de tecnologias. Também estiveram no encontro em Punta Cana, o vice-presidente da Fetrancesc, Valmor Zanella, o diretor da Fetrancesc e presidente do Setcesc, Osmar Ricardo Labes, o presidente do Sitran, Deberaci Perin e o assessor jurídico da Federação, Luiz Ernesto Raymundi.
Lopes, que coordenou o capítulo Brasil no evento – por delegação do presidente da CNT, Clésio Andrade, participou da assinatura do termo de cooperação entre CIT, representada pelo secretário geral, presidente da Fetransul, Paulo Vicente Caleffi e os representantes da International Road Transport Union (IRU), organismo europeu que faz desde 1975 o controle e a movimentação e carga entre os países da Europa, com passagem livre pelas aduanas.
Pedro Lopes disse que agora vai ser tratado com o governo brasileiro para que estabeleça em lei essa mudança e coloque em prática o sistema, importante para reduzir o tempo de parada dos caminhões nas alfândegas. O presidente da Fetrancesc adiantou que haverá ainda no primeiro semestre uma reunião dos países do Mercosul, em Montevideo, no Uruguai, com o Brasil, Chile, Venezuela e Argentina para tratar da implantação da passagem livre nas fronteiras, usando o sistema da IRU. E outros temas da integração de modais de transporte como os corredores e as ferrovias e a simples passagens pelos países para a entrega em cargas em outros.
Existe uma preocupação do Brasil com passar pela Argentina para chegar ao Chile. O país vizinho coloca alguns empecilhos. Esse mesmo assunto será assunto em abril de 2015, em Genebra, na Suíça, na Organização das Nações Unidas (ONU), para tratar do uso dos serviços da IRU entre todos os países.
Em setembro deste ano, 10 e 11, já está marcada a 20ª Assembléia da CIT, desta vez ganha o palco principal da ONU, em Nova Iorque e assim o transporte estará no foco do mundo e merecerá a atenção das autoridades e dos especialistas.
Outro tema que dominou o debate em Punta Cana é o transporte de passageiros e suas deficiências, como imobilidade, custos com transporte gratuito e seu financiamento. Houve um alerta geral sobre as poucas ações públicas para esse déficit. Esses são temas que entrarão nos próximos debates transnacionais. Os países também estão bastante atrasados na questão de leis claras que tratam de transporte de pessoas, captação de operadores, formação de mão de obra dos motoristas, renovação de frota, prevenção de acidentes e principalmente um programa de educação de trânsito para a população.
O presidente da Fetrancesc afirmou ainda que o Brasil é o mais avançado quanto ao uso do Euro 5 Conama 7 que entrou em vigor em 2011 e que é um sistema que reduz a emissão de poluentes e necessita usar diesel com menor teor de enxofre. Além disso, o biocombustível misturado ao diesel contribui para o menor impacto ambiental. Segundo ele, apenas a Colômbia começou o processo no transporte de pessoas.
O Brasil apresentou o seu projeto de ferrovias para 2013 na Assembleia. Para Lopes, o Brasil deve ter projetos muito bem planejados, levando em conta questões técnicas, de viabilidade de engenharia, econômica e financeira e integração de modais, para que não ocorra o risco de lançar projetos sem condições de serem implementados.
“Não somos contra ferrovias, mas não podemosaceitar projetos que demoram tempo para serem efetivados e como ficam as estradas enquanto isso, que são hoje, o meio de escoar a produção”, enfatiza Pedro Lopes. Ele alerta para esse momento, véspera de período eleitoral em que os governos querendo mostrar serviço e querendo lançar qualquer projeto. Vão acabar ficando no caminho, sem a seriedade devida.
Fonte: JP/ Imprensa Fetrancesc
Foto: Divulgação
Legenda: Participantes da 19ª Assembleia CIT, em Punta Cana
