Sondagem Econômica: transportadores estão menos otimistas. Empresários do transporte acreditam em elevação no custo dos insumos

Sondagem Econômica: transportadores estão menos otimistas. Empresários do transporte acreditam em elevação no custo dos insumos

Brasília, 24.3.14 –  Os transportadores brasileiros – nos modais rodoviário, aquaviário e ferroviário – estão menos otimistas com os rumos da economia neste ano, segundo anuncia o presidente da CNT, senador Clésio Andrade. “A expectativa de baixo crescimento e a alta da inflação impactam os planos de investimentos.”
Um levantamento realizado pela CNT (Confederação Nacional do Transporte), a Sondagem Expectativas Econômicas do Transportador 2014 – Fase 1, mostra as perspectivas do setor. Ao conhecer as necessidades apontadas para este ano, a CNT conseguirá desenvolver um trabalho mais direcionado, com o objetivo de promover ações que fortaleçam o setor transportador. Mais de 500 empresários da área de cargas e de passageiros foram ouvidos. 
Do total de entrevistados, 70,9% não acreditam em um aumento do dinamismo da economia brasileira. Eles acham que não haverá elevação da taxa de crescimento do PIB em 2014. Somente 29,1% estão otimistas. No mesmo período de 2013, 42,9% dos entrevistados acreditavam no aumento do crescimento econômico. Já no segundo semestre do ano passado, a proporção era de 30,3%.
Na avaliação do senador Clésio Andrade, “esse resultado pode estar relacionado também, entre outros fatores, à elevação da taxa de juros, à expectativa de elevação do preço dos insumos e à dificuldade do governo federal em realizar os investimentos necessários.” 
O público-alvo dessa avaliação, que chega à quinta edição, são empresas de transporte rodoviário de cargas e de passageiros, empresas de navegação marítima e interior e concessionárias de transporte ferroviário de carga. É a primeira vez que os ferroviários participam do levantamento, que está bem mais abrangente. Foram entrevistados 516 transportadores, entre 11 de janeiro e 24 de fevereiro.
Os participantes também relataram suas expectativas em relação às obras de infraestrutura. De forma geral, cresce a desconfiança na gestão econômica do governo federal. A Sondagem revela que 52,3% dos transportadores disseram ter baixo grau de confiança. Para a maior parte deles, o menor desempenho da economia é consequência da política econômica adotada no país (78,9%), contra apenas 20,1% que acreditam haver reflexos de crises econômicas internacionais. 
A falta de planejamento é apontada como o principal motivo para que o governo não realize os investimentos autorizados. Quase a metade dos entrevistados (49,7%) acredita na manutenção das atuais condições de infraestrutura de transportes e 27,6% consideram que vai melhorar.
O estudo também traz a opinião dos empresários sobre quais medidas prioritárias precisam ser implementadas pelo governo federal para solucionar os atuais entraves e desenvolver o setor de transporte no país. “O investimento em infraestrutura, a desoneração do diesel, redução da carga tributária e a desburocratização são questões apontadas como urgentes para serem solucionadas”, diz o senador Clésio Andrade.  Os empresários também relataram a dificuldade de contratação de mão de obra qualificada. 
Os ferroviários deixam clara sua posição sobre a necessidade de que os recursos pagos pelo arrendamento sejam revertidos para a malha ferroviária nacional. A maioria das concessionáras de ferrovias (80%) acredita que o novo modelo de concessões ferroviárias será menos eficiente. 
Os empresários se mostraram cautelosos em relação ao desempenho na atividade. Do total de entrevistados, 43,2% esperam ter aumento na receita bruta e 33,3% disseram que haverá aumento nas contratações formais. 
Para 63,2% dos transportadores, haverá aumento da inflação.  E 49,8% consideram que a inflação tem elevado impacto em sua atividade, podendo representar pressão sobre os custos e comprometer o desempenho do setor no ano.

Empresários do transporte acreditam em elevação no custo dos insumos

Oito em cada dez transportadores entrevistados pela Sondagem Econômica, divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) nesta segunda-feira, 24 de março,  acreditam que os combustíveis, lubrificantes e pneus apresentarão inflação em 2014. Para 85,1% deles, o diesel, principal insumo do setor, deve ter um aumento. “Deve-se considerar que a elevação do preço de combustível tem um impacto elevado no custo operacional do transporte”, destaca o documento.
A CNT reforça que em 2013, a inflação de custos no setor de transportes foi superior à observada nos demais setores da economia. Para se ter uma ideia, enquanto o diesel teve uma elevação de 15,62%, o Índice de Preços Amplos ao Consumidor (IPCA), que representa a inflação oficial do país, fechou o ano em 5,9%, de acordo com o IBGE.
Ainda segundo a Sondagem, 84,8% dos entrevistados preveem que óleos lubrificantes também ficarão mais caros. E para 86,4% dos transportadores rodoviários de cargas e passageiros, os pneus apresentarão elevação no preço.
A pesquisa destaca, também, a preocupação do setor aquaviário. Para 45,3% dos empresários, haverá elevação de taxas portuárias. O restante acredita que os valores serão mantidos nos mesmos patamares. Segundo 47,2% deles, a Nova Lei dos Portos ainda não gerou aumento na oferta de serviços, o que impacta diretamente no custo do serviço de praticagem. Por isso, 46,7% dos empresários avaliam que haverá alta nesses valores. Outros 33,9% acreditam em manutenção dos custos.

Expectativa de aumento de impostos pode gerar alta nos preços

Para mais da metade dos empresários entrevistados, haverá aumento de tributos. São 52,1% que apostam que haverá elevação. Para a CNT, “isso se torna um fator de risco para a gestão das empresas, uma vez que, para 74,6% delas, a carga tributária tem um impacto elevado em sua atividade e pode, se comprovada a expectativa, gerar aumento no preço da prestação do serviço”.

Empresários acreditam que juros continuarão subindo
Para sete em cada dez empresários do transporte, a taxa básica de juros, que está em 10,75% a.a., chegará ao final de 2014 em níveis mais elevados. A expectativa do mercado é que a Selic ficará em 11%. A possibilidade de alta preocupa em especial o setor ferroviário: para 60% dos concessionários, juros altos têm elevado impacto sobre a atividade.

Além disso, 72,7% dos empresários disseram que alteraram as projeções de investimentos para 2014 depois da alta na taxa de juros do Programa de Sustentação de Investimento (PSI), que financia aquisição de veículos, equipamentos e insumos para o setor. Neste ano, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aumentou a taxa de 4% a.a. para 6% a.a.
A Sondagem Econômica ouviu mais de 500 empresários do transporte de cargas e de passageiros em todo o país.

Fonte: Natália Pianegonda/Agência CNT de Notícias

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