SC-438 é a rodovia mais perigosa

SC-438 é a rodovia mais perigosa

Tubarão, 8.3.13 – O trajeto de curvas e morros da SC-438, entre Lages e Tubarão, é o que apresenta mais riscos aos motoristas que trafegam pelas rodovias catarinenses.
Relatório da Polícia Rodoviária Militar coloca a ligação entre a Serra Catarinense e o Sul do Estado no topo dos trajetos mais perigosos. Curvas acentuadas, subidas e descidas e imprudência de motoristas são as principais causas de acidentes.
A conclusão é do relatório da Polícia Militar Rodoviária (PMRv) apresentado ontem e baseado em dados de 2012. A SC-401, em Florianópolis, que ocupava o topo da listam, agora aparece como a sétima.
O relatório usa um cálculo que leva em conta os tipos de acidentes, com ou sem mortes, feridos e danos materiais, e dá origem à Unidade de Padrão de Severidade (UPS). Foi a SC-438 que apresentou a UPS mais alta – 504 –, com 31 mortos e 72 acidentes em 2012.
O aparecimento da rodovia no topo do ranking não surpreendeu o major da PMRv Fábio Martins – ela ocupava a segunda posição e há oito anos figura entre as 10 mais perigosas.
O relevo acidentado e as curvas ajudam a explicar os perigos da 438, mas não são os únicos motivos. Movimento intenso de veículos pesados entre a Serra e o Litoral Sul, imprudência de motoristas e urbanização contribuem para essa realidade.
O relatório serve de guia para a polícia e governo tomarem medidas repressivas e preventivas. Como o levantamento mostra os trechos mais perigosos, é possível saber onde as autoridades devem agir, intensificando a fiscalização com radares e bafômetros. Ou, ainda, onde o Estado deve investir em obras, melhorar a sinalização, reforçar uma faixa ou colocar um redutor de velocidade.

Falta educação, sobra imprudência

O aumento na fiscalização não é suficiente para diminuir significativamente o número de acidentes. Martins observa que quando a velocidade está sendo monitorada em um trecho, o condutor acelera em outro.
O relatório ainda mostrou um comparativo da quantidade de acidentes entre 2011 e 2012. Enquanto o número de feridos diminuiu de 6.397 para 6.143, o número de mortos aumentou. Foram 357 em 2011 e 414 no ano passado, quando passaram a ser contadas as mortes que acontecem em hospitais até 72 horas após o acidente. Nessas circunstâncias, foram registrados 59 mortes no ano passado.

Melhorias na SC-401 foram decisivas

A SC-401, em Florianópolis, ficou por sete anos no topo das rodovias estaduais que mais oferecem riscos. Em 2012, passou para a sétima posição. Em um ano, o número de acidentes reduziu em 73% – foram 132 em 2011 e 35 no ano passado. As mortes também tiveram queda, de 23 para 15.
Para o major Fábio Martins, da PMRv, a diminuição de risco na 401 é resultado da combinação de fiscalização e infraestrutura.
Além de ter tido sete quilômetros duplicados, a rodovia passou por um processo de policiamento, principalmente no km 18,9, mais conhecido como curva da morte.
Uma sinalização chamativa para os motoristas que saem do Norte da Ilha rumo ao Centro, e com uma contagem regressiva, indicando que ali vem uma curva perigosa fizeram muitos condutores pisarem no freio. Mas não foi só isso. Ainda que ignorassem as placas verde-limão, um policial logo depois da curva estava a postos com um radar para flagrar aqueles que passassem a mais de 60 km/h.

“As multas são muito brandas”

Severino Silva, especialista em trânsito

O engenheiro civil acredita que faltam fiscalização e multas mais rigorosas.

Diário Catarinense – O que falta para a educação no trânsito fazer parte da cultura dos motoristas?

Severino Silva – Os exames de motoristas deveriam ser mais rigorosos, a fiscalização e a autuação deveriam ser mais rigorosas e permanentes e acabar com a sensação de impunidade. As multas de trânsito são muito brandas.

DC – Por que no Brasil não se resolve o problema do trânsito?

Silva – Japão, França, EUA e Canadá tratam os acidentes como economia de guerra. Não adianta trabalhar só o motorista se a engenharia tem problemas e o policiamento também. Quando se atua de forma sistêmica, a educação, o policiamento e a engenharia o problema se resolve. No Brasil não se trabalha esses três pontos. O Detran gasta fortunas em campanhas publicitárias e não tem efeito nenhum. Discordo dessas campanhas desintegradas.

DC – Temos algum exemplo positivo no Brasil?

Silva – Um exemplo é a curva da morte (na SC-401). Ali tem uma ação forte de engenharia simples, que foi a sinalização muito ostensiva, seguido de policiamento. A polícia também está ali com frequência com o radarzinho. Mas ainda tem que ser feita a correção da curva. Há ainda a cidade de São Paulo, que agiu de forma exemplar. Na década de 70 e 80, ela tinha um índice de fatalidade enorme. Eram 16 para cada 10 mil veículos, sendo que em países desenvolvidos fica em 5. Foi criada a Companhia de Engenharia de Tráfego), com gente treinada, e o índice caiu 3 e logo vai chegar a 2.
Fonte: Julia Antunes/ Diário Catarinense

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