Curitiba, 5.3.13 – Os labirintos que se transformaram a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) e os órgãos do governo federal são os entraves para análise e aprovação dos projetos das obras rodoviárias garantem os representantes das concessionárias, Autopista Régis Bittencourt, da BR-116, entre São Paulo e Curitiba, da Planalto Sul da BR-116 entre Curitiba e a divisa entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul e a Litoral Sul, das BR-376 e BR-101 entre Curitiba e Palhoça. Eles deram essa justificativa para o atraso nos projetos de duplicação e obras nas estradas ao falar para autoridades, empresários do transporte e líderes do setor, no encontro promovido pelas Federações Empresariais do Transporte do Paraná, (Fetranspar), de Santa Catarina (Fetrancesc) e do Rio Grande do Sul (Fetransul), na segunda-feira, na sede do Setcepar, em Curitiba. Eles foram convidados a apresentar um relatório sobre o andamento das obras e as dificuldades encontradas para iniciar as duplicações e as obras previstas em contrato.
De acordo com o diretor superintende da Régis Bittencourt, Êneo Palazzi, o atraso no início das obras é provocado pela demora dos órgãos do governo em analisar e aprovar os projetos. No caso da duplicação da Serra do Cafezal, em Miracatu (SP) são dois anos de espera em que a concessionária nada pode fazer e que ficou sem reajuste da tarifa de pedágio por isso. “São dois anos entre a ANTT, Ministério dos Transportes e Casa Civil. E a culpa (por não iniciar a obra) é da concessionária”, lamentou ele.
Federações podem acompanhar o trâmite
O presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes, sugeriu que as federações de transporte do Sul formem um grupo para acompanhar esses processos principalmente na ANTT para que a agência monitore a análise dos projetos e a emissão das licenças ambientais. E ela própria seja mais ágil.
Segundo ele, “muitas das obras projetadas e que não se realizam, nos trazem prejuízos incalculáveis e nos obrigam a encontrar outras soluções para aquilo que é de responsabilidade do governo. Esse é um instante para se conhecer aquilo que está previsto pelas concessionárias que envolvem não só o transporte, mas toda a cadeia de produção e no transporte de pessoas do Sul do país e na direção do Mercosul. Estamos aqui na busca de uma solução, que nós desejamos ao longo do tempo”.
Esse é o primeiro encontro conjunto para buscar soluções de melhoria da infraestrutura de transporte, afirmou o presidente da Fetranspar, coronel Sérgio Malucelli. Para ele, outras reuniões acontecerão para que as autoridades possam entender a importância de se ter condições de fazer um transporte de qualidade e com segurança. “Há necessidade de que todas as federações estejam empenhadas junto à ANTT para que ela comece a se movimentar. E o que as concessionárias precisam para que a obra possa andar.”
Com atraso, duplicação da BR-116, na Serra do Cafezal, deve começar em 90 dias
O encontro teve a finalidade de conhecer o andamento do processo para o início das obras de duplicação da BR-116, no trecho da Serra do Cafezal, que por se tratar de uma área geográfica complexa houve atrasos para a liberação da Licença de Instalação, que só foi emitida pelo Instituo de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) no dia 7 de janeiro passado. Segundo Palazzi, é um trecho de 19 quilômetros entre os KMs 344 e o 363, em Miracatu (SP), uma parte dessa extensão já está duplicada . A previsão é iniciar os trabalhos em 90 dias.
Mas antes disso a concessionária que cumprir condicionantes que são, por exemplo, coleta da amostra da água, coleta de sementes de espécies em extinção, identificação da fauna e a demarcação das áreas de intervenção para a execução das obras, além as desapropriações e detalhamento do projeto executivo e aprovação junto à ANTT.
Malucelli afirmou que parece estar perto de uma solução para esse local que há 17 anos espera por uma duplicação, um dos trechos prioritários no Brasil, pois além de ser ainda pista simples e com muitos riscos de acidentes, é um dos trechos ondem ocorrem mais assalto aos motoristas de carga. “Esse trecho da BR-116, a famosa Serra do Cafezal, tem um gargalo que tem uma consequência muito danosa que é o alto índice de assaltos, porque se concentram filas e os caminhões são assaltados”. Pedro Lopes disse que oferecer segurança e tranquilidade aos motoristas é fundamental com essa obra. O profissional não pode correr riscos por falta de infraestrutura da rodovia. E além disso, setor tem tido prejuízos elevados com os roubos de carga dessa região, sem levar.
Segundo a concessionária é a obra mais importante do contrato firmado com a ANTT. A rodovia terá três pistas no sentido São Paulo e duas para Curitiba. E será feita a estrutura necessária para construção de uma pista em cada sentido, no futuro.Por estar em uma área de relevo acidentado e minimizar o impacto ambiental serão construídas, 35 pontes e viadutos no total de sete quilômetros e quatro túneis com 1,8 quilômetros. As obras de duplicação dos 19 quilômetros devem estar concluídas em quatro anos.
Obras da 101 em SC, sem novidade
Uma informação repassada pelo engenheiro da Autopista Planalto Sul, Marcos Dutra é que a a duplicação no trecho Curitiba – Fazenda Rio Grande, KMs 117,3 a 124,2 deve ser entregue aos usuários em abril. Mas começaram em outubro de 2011. Dutra também enumerou os serviços que já foram executados e o que ainda falta fazer. Já o engenheiro da Autopista Litoral Sul, Fernando Araujo, fez um relato sobre o que foi feito até agora como a contenção das encostas na BR-376, que obrigou à interrupção do trafego, por causa do risco de deslizamentos. Também citou a importância da área de escape para veículos de carga que ficam sem freio, feito a partir da experiência com diversos veículos e velocidades. Segundo Araújo, desde que foi inaugurada no ano passado, 45 motoristas já foram parar pista feita de argila para parada do veículo. Mas ele não falou nada sobre o Contorno de Florianópolis e nem se há estudos de novas pistas.
De Santa Catarina, participaram do encontro, o vice-presidente da Fetrancesc, Valmor Zanella, o presidente do Setracajo, Ari Rabaiolli, o presidente do Sitran, Deneraci Perin, o empresário do transporte, Ivanor Araldi, o assessor jurídico da Fetrancesc, Luiz Ernesto Raymundi e o secretário executivo, Leonardo Carvalho. Também participou o presidente da Fepasc, Marcos Gulin.
Fonte: JP/ Imprensa Fetrancesc
Fotos: Juraci Perboni