Florianópolis, 3.1.13 – Santa Catarina foi o segundo estado com mais motoristas presos por dirigir alcoolizados em rodovias federais desde 21 de dezembro, quando entrou em vigor a nova Lei Seca, que prevê penas mais duras. Foram 64 flagrantes, número inferior somente ao Paraná, onde houve o registro de 122 casos.
O superintendente da Polícia Rodoviária Federal (PRF), inspetor Silvinei Vasques, promete continuar com o cerco à combinação álcool e direção nas estradas de SC.
Mas nas cidades e estradas estaduais a situação é diferente. O comandante da Polícia Militar (PM), coronel Nazareno Marcineiro, admite que o combate aos motoristas alcoolizados é inadequado. Marcineiro diz que, se fosse possível, faria mais operações, mas afirma não ter condições de fiscalizar porque o efetivo existente é todo empregado no combate à criminalidade.
O comandante justifica não poder alterar as diretrizes de uma política de segurança pública em função de um assunto “estar na vitrine”. Mesmo assim, garante que batalhões de todas as grandes cidades catarinenses dispõem de bafômetros.
Sobre as rodovias estaduais, declara que é adotada a mesma linha de trabalho da PRF. Mas o baixo número de detenções ocorre porque muitas estradas estão no perímetro urbano e podem ser contornadas para fugir da fiscalização.
Nomeado ontem comandante da Guarda Municipal de Florianópolis, Jean Carlos Cardoso admite que não há blitze na cidade, mas promete que o combate a este tipo de conduta está nos planos da nova administração. Cardoso reconhece que a estrutura não permite estar em todos os pontos da Capital, mas promete buscar o aumento de efetivo.
“Vamos manter a rigidez”
ENTREVISTA: Silvinei Vasques, Superintendente da PRF
O Superintendente da Polícia Rodoviária Federal , inspetor Silvinei Vasques, explica por que ocorreram tantas prisões de motoristas embriagados em Santa Catarina.
Diário Catarinense – O que explica tantos casos de embriaguez ao volante no Estado?
Superintendente da PRF, Silvinei Vasques – O Estado concentra uma grande quantidade de festas em pontos como Balneário Camboriú, Florianópolis, Itajaí e Garopaba. Junta-se a isto, a falta de consciência por parte dos motoristas.
DC – Qual a punição para quem é preso nestas condições?
Vasques – Além de multa, é fixada fiança de acordo com a condição socioeconômica da pessoa. Se não for paga, o motorista permanece detido.
DC – Quantos bafômetros estão em operação em SC e onde eles estão concentrados?
Vasques – Trabalhamos com 127 bafômetros e existem equipamentos em todos os postos da Polícia Rodoviária Federal em Santa Catarina. O litoral reúne a maioria deles, devido ao movimento maior.
DC – O cerco continua depois das festas de final de ano?
Vasques – Vamos manter a rigidez porque dirigir alcoolizado não pode ser tolerado.
Fonte: Diário Catarinense