BR-101, a estrada do calote

BR-101, a estrada do calote

Florianópolis, 3.12.12 – O quinto relatório de inspeção das obras da BR-101 Sul constata que este ano houve avanços na execução. Mas, em relação aos prazos, o embuste continua. Na penúltima análise, o estudo do engenheiro Ricardo Saporiti indicava que a conclusão poderia acontecer em 2016. Agora, ficou para o primeiro semestre de 2017. E olhe lá! Fica tudo dependendo de novas licitações e contratações, especialmente, da transposição do Morro dos Cavalos, que compreende túneis e viadutos.
Quer dizer: um trecho mínimo, que poderia ser alargado, sem prejudicar um único índio e sem maiores danos ambientais, acaba retardando e congestionando a principal via de escoamento da produção e de transporte de passageiros no Sul do Brasil.
Muito mais grave: a transposição do Morro dos Cavalos não sairá por menos de R$ 500 milhões. Por baixo, daria para construir uns 10 hospitais de boa qualidade para atender milhares de pessoas. O alargamento do estudo original não se executou por veto do Ministério Público Federal, sob alegação de proteger uma comunidade indígena nas proximidades. A quarta pista que o Dnit vai construir custará cerca de R$ 10 milhões. País rico…
Cinco anos, é a previsão do relatório, se não surgirem recursos judiciais, se não faltarem verbas e se as licenças ambientais forem liberadas. Atraso? O projeto da transposição foi contratado em 2008.
A campanha presidencial de 2002 teve uma tônica: a promessa do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que inauguraria a duplicação da BR-101 Sul no final de seu mandato. A disputa de 2006 teve a mesma marca: Lula garantiu que entregaria a obra até 2010. Nada.
Dilma Rousseff repetiu a promessa. Não vai cumpri-la! E salve a representação política de Santa Catarina.
Fonte: Moacir Pereira/ Diário Catarinense (edição de sábado 1º/12)

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