Virou deboche!*

Virou deboche!*

Palhoça, 18.10.12 – Parlamentares federais já denunciaram o verdadeiro conluio existente entre a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a Auto Pista Litoral Sul em relação ao contorno da BR-101 em Florianópolis. A agência deveria exigir da concessionária o cumprimento do contrato para exploração da rodovia federal, que lhe rende milhões de reais por mês, com a cobrança de pedágio. A tarifa, aliás, foi instituída exatamente para viabilizar a melhoria da estrada e a construção do contorno de Florianópolis, vital para o Estado.
Pois uma alça rodoviária, que é imprescindível para desafogar o trânsito na Ilha e nos municípios vizinhos, permanece submetida a enrolações federais, burocracias e notória má vontade ou má-fé dos envolvidos. Pelo contrato, o contorno já devia ter sido entregue.
Este pacto indecente entre o órgão fiscalizador e a concessionária ficou mais uma vez evidente nas audiências públicas realizadas em Biguaçu e em Palhoça. Convocadas pelo Ibama, essas audiências têm por objetivo debater o projeto para a concessão das licenças ambientais.
Pasmem!  Ao invés de tratar do traçado original, conforme unânime decisão em incontáveis reuniões do Fórum Parlamentar, do governador Raimundo Colombo (PSD) com diretores da ANTT e das lideranças empresariais com a ministra Ideli Salvatti (PT) e altas autoridades da República, o projeto em discussão trata do trecho menor, com redução de 21 quilômetros, já rejeitado por todas as forças de Santa Catarina.
Quer dizer: completarão as audiências hoje em São José. Depois, a Auto Pista Litoral Sul contrata outro projeto ambiental. Levará anos. Na frente, o Ibama, enrolado na burocracia, engabela os catarinenses com novas audiências. Enquanto isso, a concessionária fatura horrores no pedágio. E não cumpre o contrato que motivou as tarifas que cobra pelo uso da rodovia.
Era desrespeito. Virou deboche!
Fonte: Moacir Pereira/DC

Entidades têm dúvidas sobre a liberação da licença ambiental para o trecho mais curto do contorno viário

O clima na segunda audiência sobre o contorno viário da Grande Florianópolisnesta quarta-feira foi bem mais tranquilo do que se viu na primeira reunião em Biguaçu. Cerca de 200 pessoas ouviram as apresentações sem interrupções e foram apresentadas as alterações no projeto. Mas ainda há dúvidas sobre a conclusão da obra.
De acordo com o superintendente da Autopista Litoral Sul, Paulo Mendes Castro, a obra deve seguir o traçado mais longo do km 175 até depois do Rio Cubatão, em Palhoça, em quilômetro a ser definido — evitando também a passagem por um conjunto habitacional do Minha Casa Minha Vida, pedido feito pela prefeitura.
Mesmo assim, a concessionária quer que a licença ambiental do trecho mais curto entre o km 195,6 ao km 218 seja liberada. Isso porque a parte que interliga a SC-408 à SC-407 também faz parte do projeto mais longo. Para ele, se o traçado mais curto for eliminado, a obra demoraria mais porque seria necessária uma nova licença para todo o trajeto. É aí que começam as dúvidas.
Segundo o superintendente, na terça-feira, foi impossível explicar aos moradores e entidades esta mudança. O público presente naquele dia não aceita a hipótese de a obra começar pelo km 195,6, que fica no Centro de Biguaçu. Nesta quarta-feira, a opção por começar as apresentações já pela alteração permitiu que o protocolo fosse até o final.
— A garantia de que a licença ambiental vai ser pedida para os trechos restantes são as audiências. A palavra da Autopista, ANTT e dos políticos que estão participando desse processo — afirma Castro.

Entidades afirmam que vão acompanhar obra até que saia do papel

A presidente do Conselho Metropolitano de Desenvolvimento da Grande Florianópolis (Comdes), Zena Becker, afima que o discurso nesta quarta-feira foi bem diferente do ouvido em Biguaçu. Para ela, a grande dúvida é se as outras duas partes do trecho mais longo serão efetivamente concluídos. O Comdes vai pedir que a Auto Pista Litoral Sul assuma o compromisso por escrito de que sejam feitos os estudos dos dois outros trechos _antes e depois do compreendido entre a SC-408 e SC-407.
Para o presidente da Associação Empresarial da Região Metropolitana de Florianópolis (AEMFLO), Tito Alfredo Schmitt, a união da sociedade civil fez a diferença. Schmitt acredita que a união das entidades é essencial para que o projeto que promete aliviar o fluxo na Via Expressa seja saia do papel.

Entidades se reuniram para lutar pela obra

Cansadas de esperar pela construção do Contorno de Florianópolis, 17 entidades sociais e de classe se organizaram para lutar pela obra. Uma manifestação, com panfletagem, será realizada em 19 de outubro, um dia após as audiências, na rodovia. O movimento é liderado pelo Conselho Metropolitano de Desenvolvimento (Comdes).
A Autopista aponta que os usuários potenciais do anel viário representam 16 mil veículos por dia, ou seja, menos de 11% dos 150 mil carros que passam diariamente na BR-101 entre Biguaçu e Palhoça. Mas, as organizações, como a Associação Empresarial e Cultural de Biguaçu, discordam e afirmam que 20% a 50% é de fluxo pesado e viajantes.

Próxima audiência

> São José
Data: 18 de outubro
Horário: 18h
Onde: Golden Hotel, Rua Benedito, n° 50, Bairro Serraria
Fonte: Diário Catarinense

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