Trânsito selvagem

Trânsito selvagem

Florianópolis, 11.9.12 – Foi um massacre. Durante o feriado prolongado da Semana da Pátria, segundo os registros policiais, 26 pessoas morreram em acidentes de trânsito nas estradas e vias urbanas de Santa Catarina. A maioria das vítimas tinha menos de 30 anos. Vidas ceifadas muito cedo pelo trânsito insano e violento. O Estado confirmou, mais uma vez, seu vergonhoso título de vice-campeão nacional de mortes no trânsito em relação à sua frota circulante. A cada feriadão, aumenta o saldo de mortos e mutilados pela máquina mortífera. O anterior, o de Corpus Christi, em junho, somou 18 vítimas fatais.
Quais os fatores que motivam essa macabra performance? O maior de todos é o comportamento de risco dos motoristas. A maior e mais grave causa desse morticínio é o homem que comanda a máquina. Estima-se que 94% dos acidentes são causados pela irresponsabilidade e imprudência dos condutores de veículos, ao mesmo tempo algozes e vítimas desta chacina de ação continuada.
Excesso de velocidade e ultrapassagens proibidas, eis as transgressões mais comuns. Contribui para tanto a fiscalização insuficiente. Falta um maior efetivo de policiais rodoviários para patrulhar a malha viária, tanto a federal quanto aquela sob jurisdição estadual. A impunidade estimula o transgressor. Repita-se sempre: a legislação e os regulamentos de trânsito têm que ser aplicados em toda a sua extensão e rigor. Em outro plano, estradas mal planejadas, carentes de sinalização eficiente e sem manutenção também contribuem com a ciranda da morte no asfalto.
O Ministério da Saúde calcula em 35 mil (os dados referem-se a 2010) o número de mortes por ano nas estradas e nas cidades brasileiras, sem contar os feridos e mutilados. O trânsito no país mata 2,5 vezes mais do que nos Estados Unidos e quase quatro vezes mais do que na Europa. Dimensão epidêmica.
De acordo com estudos da Organização das Nações Unidas (ONU), os acidentes envolvendo veículos automotores tiram a vida de 1,3 milhão de pessoas por ano, e são hoje a principal causa de mortes no mundo.
Cobrar soluções e lutar pela paz no trânsito é obrigação impositiva, pois se trata de uma luta pela vida, a nossa e a de todos. A selvageria do trânsito catarinense, que no feriadão sacrificou 26 pessoas, não pode continuar. Atrás de cada uma dessas mortes, escondem-se pungentes dramas individuais e familiares. A educação no trânsito e para o trânsito é também uma questão de civilização.
Os números da matança contrastam com todos os indicadores que apontam Santa Catarina como um Estado de qualidade. E nos remetem à barbárie. Diante deles, a ninguém é lícito ficar calado e inerte, limitando-se a lamentar e prantear as vítimas da selvageria e da insensatez.
Fonte: Opinião da RBS

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