Quatro dias com 23 mortes nas estradas catarinenses

Quatro dias com 23 mortes nas estradas catarinenses

Florianópolis, 10.9.12 – Das 23 pessoas mortas em acidentes de trânsito no feriadão de 7 de setembro, 11 delas tinham no máximo 30 anos. Eram jovens, cheias de vida pela frente, mas tiveram o destino selado em mais um massacre nas rodovias e perímetros urbanos em Santa Catarina.
Marcelo Anderson Heinrich, 30 anos, de Joinville, e Tiago Pereira Filipe Giraldi, 19, que morava em Blumenau, foram duas vítimas de acidentes que ilustram o trágico perfil das mortes. Em depoimentos deixados por amigos na internet, ambos são lembrados como rapazes alegres, prestativos e inteligentes.
Nesse feriadão, a tristeza pela perda enlutou os parentes e amigos de Marcelo Heinrich, em Marechal Cândido Rondon, Paraná, de onde era natural. Também em Joinville, onde o violinista morava. Talentoso e apaixonado pela música, costumava se apresentar em cidades do Norte do Estado. Na madrugada do feriado, pilotava uma moto quando se envolveu em um acidente na SC-413, em Massaranduba, e morreu no local.
Tiago Giraldi era universitário em Blumenau, torcedor do Corinthians e gostava de viajar. Ele e a mãe, Zenir Pereira, 53 anos, morreram na BR-470, em Trombudo Central, na noite da véspera do feriado. Os dois viajavam de Blumenau para Concórdia, onde a família tem casa e morava. Estavam num Uno dirigido por Tiago, que se envolveu em um acidente com um caminhão e outro automóvel. Ontem, um pai e dois filhos morreram na BR-153, em Concórdia. Os filhos tinham nove e sete anos e também não resistiram a uma colisão do carro em que viajavam contra um caminhão.
O saldo de mortes foi maior que o registrado no último feriadão, de Corpus-Christi, em junho, quando 18 pessoas morreram no trânsito catarinense. Apenas nas rodovias catarinenses foram 15 vidas perdidas desde quinta-feira, quando começou a operação da PRF.
– Infelizmente, a quantidade pode ser ainda maior, pois contabilizamos apenas as mortes no local do acidente, sem contar os feridos que perdem a vida depois – lembrou o inspetor Luiz Graziano, chefe de comunicação da PRF em SC.
As colisões frontais e os atropelamentos chamaram a atenção do inspetor nesse feriadão. Na sua avaliação, o índice expressivo de vítimas fatais revela uma combinação:
– Há muitos veículos rodando e muita imprudência.

Casal atropelado no Vale

As caminhadas pelo Bairro Vila Nova aos fins de semana servem para Ângela Valentini, 33 anos, repor os dias que ela deixa de ir à academia durante a semana. Sábado, ao chegar em casa após o trabalho, ela saiu do apartamento onde mora, na Rua Nilo Peçanha, acompanhada do marido, Cleber Palma, 36, para se exercitar. Mas em vez de voltar para casa ao final da caminhada, o casal foi parar no Hospital Santa Isabel, em estado grave.
Quando passavam pela Rua Theodoro Holtrup, por volta das 18h40min, eles foram surpreendidos por uma Parati vermelha. O carro invadiu a calçada, atropelando-os. Com o impacto, o casal foi arremessado para dentro do Restaurante Saint Peter.
O motorista Ivanilson Zunino, 43 anos, fez o teste do bafômetro, que acusou, 15,2 decigramas de álcool por litro de sangue, conforme a Guarda de Trânsito. O limite tolerável é de 6 decigramas de álcool por litro de sangue. Ele foi preso e levado à Central de Polícia, onde pagou fiança e foi liberado.
Ângela, com hemorragia interna e um corte na cabeça, e Cleber, com lesões no pulmão e nas pernas, passaram por cirurgias. Até ontem à noite, ela continuava internada na UTI, respirando com a ajuda de aparelhos. Cleber, que é médico otorrinolaringologista, foi transferido para o Hospital Santa Catarina, e encaminhado à UTI.
– A gente espera e vamos buscar de todos os jeitos que a lei seja cumprida. Quero que ele responda pelo erro que cometeu – afirmou o pai de Ângela, Alírio Valentini.
Os proprietários do restaurante, que foi invadido pelo carro que atingiu o casal, foram chamados às pressas na noite de sábado. Uma das sócias, Anita Batista da Silva estava em Treze Tílias e voltou a Blumenau. Para a empresária, a Rua Theodoro Holtrup, onde fica o estabelecimento, precisa de uma lombada. Ela conta que os clientes que ficam na fila quase já foram surpreendidas por outros acidentes no local.

Foi preciso ter paciência

Na BR-101 Sul, foram 25 quilômetros de congestionamento na região de Laguna até as 20h deste domingo. As 21h, a fila diminuiu para 16 quilômetros. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal de Tubarão, o trecho de lentidão se concentrava entre os quillômetros 293 e 318 da rodovia.
Nas rodovias estaduais da Ilha de Santa Catarina, que levam às praias, o trânsito foi intenso mas não foi registrado congestionamento.

Volta mais cedo para casa

No sentido Norte da BR-101, o trânsito era intenso, mas sem congestionamentos, na noite de domingo. À tarde, no trecho de Balneário Camboriú (foto) o fluxo estava mais intenso com a volta mais cedo para casa. Quem viajou para a Serra Catarinense não enfrentou tanto congestionamento. Apesar do fluxo intenso de automóveis em ambos os sentidos, o trânsito fluiu normalmente durante todo o dia, segundo a PRF.
Fonte: Diogo Vargas/ Diário Catarinense

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