Brasília, 1º.8.12 – Após dias conturbados com manifestações e bloqueios em diversas rodovias do país, as estradas brasileiras amanheceram sem registros de ocorrências nesta quarta-feira. A calmaria é resultado de um acordo entre caminhoneiros em greve e governo federal. O ministro dos Transportes, Paulo Passos, concordou em abrir diálogo com a categoria na noite de ontem desde que fossem cessados os bloqueios.
O acordo
Após quase cinco horas de reunião no Ministério dos Transportes, em Brasília, o Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC) comprometeu-se em encerrar por completo e de imediato a paralisação nacional iniciada há sete dias. O acordo foi feito após o ministro dos Transportes, Paulo Passos, abrir negociação para rever os pontos reivindicados pelos caminhoneiros.
O governo federal pediu prazo até 8 de agosto para instalar a mesa de negociação e mais 30 dias para concluir os trabalhos de revisão. O movimento pede, entre outros pontos, maior prazo para a implementação da Lei n° 12.619, que determina que haja descanso diário ininterrupto de 11 horas e parada de 30 minutos a cada quatro horas no volante.
Os caminhoneiros argumentam que as rodovias brasileiras não têm infraestrutura adequada para que os caminhoneiros cumpram a norma. Na ocasião da aprovação da lei, a presidenta Dilma Rousseff vetou o artigo que previa a construção de postos de descanso.
Além de maior prazo para cumprir a lei, os caminhoneiros querem a revisão de resoluções da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) que, segundo eles, prejudicam a categoria.
Fonte: Zero Hora
Agroindústrias param unidades
A paralisação dos caminhoneiros afetou a produção dos frigoríficos e laticínios do Oeste. A Aurora Alimentos paralisou, ontem, a produção total nas unidades de São Miguel do Oeste e Abelardo Luz e parcialmente uma das unidades de Chapecó. O Laticínio Terra Viva, de São Miguel do Oeste, estava funcionando parcialmente.
De acordo com o presidente da Aurora, Mário Lanznaster, só ontem, deixaram de ser abatidos 1,9 mil suínos na unidade de São Miguel do Oeste e 140 mil aves em Abelardo Luz. Em Chapecó, duas linhas de produção de salsicha e mortadela deixaram de produzir 160 toneladas, segundo o gerente da unidade, Caciano Capello. Tudo por falta de matéria-prima.
Também ontem, só a Aurora dispensou 2.340 funcionários. O motivo é que não havia mais espaço para estocagem. De acordo com o gerente de logística da empresa, Celso Cappelaro, somente em São Miguel do Oeste e Abelardo Luz, são mil toneladas de produtos que estão parados. A Aurora produz diariamente 2,5 mil toneladas de produtos. São 120 a 130 carretas que saem por dia do frigorífico.
Além da carne não escoar, já começava a faltar ração para os animais.
Fonte: Diário Catarinense