Florianópolis, 24.7.12 – A pesquisa mensal realizada pelo Ministério do Trabalho mostra que o saldo de contratações no primeiro semestre manteve a média do ano passado em SC. Foram 57,5 mil empregos no período, contra 57,8 mil em 2011 – queda de 0,7%. O resultado é muito melhor do que o brasileiro, onde a quantidade de vagas abertas caiu 25,9% na mesma comparação.
No Estado, a indústria liderou a geração de empregos, assumindo o lugar que em 2011 era do comércio. Neste primeiro semestre, o setor industrial criou 22,3% mais postos de trabalho, enquanto o comércio encolheu 81,3%, na comparação com o mesmo período de 2011.
De acordo com a Federação das Indústrias de SC (Fiesc), 48% das contratações realizadas no Estado foram feitas pelo setor, o segundo resultado mais positivo, atrás apenas de SP. O diretor de Relações Institucionais da Fiesc, Henry Quaresma, considera que a manutenção do nível de emprego é resultado dos incentivos do governo federal. O principal é a redução do IPI, benefício que se estende à linha branca, setor que mais abriu vagas em SC.
Em seguida, aparecem têxteis e vestuário e a construção civil. Quaresma afirma que, nas condições atuais, não se pode esperar mais do que um crescimento mínimo na geração de postos de trabalho. Os motivos são a expectativa de pequeno crescimento do PIB e a crise mundial.
Sobre o desempenho do comércio, o economista da Fecomércio, Maurício Mulinari, relaciona a quase estagnação das vagas ao fato de, desde o último trimestre de 2011, a economia do país não repetir os bons indicadores dos últimos anos. Acrescenta que abrir empregos fica mais complicado porque a produtividade do trabalhador está estável, mas os salários têm apresentado ganho real.
O analista técnico do Sistema Nacional de Emprego (Sine) de SC, Leandro Santos, avalia que o endividamento das famílias precisa ser considerado. Com contas a pagar, mais o cenário incerto da economia, fica difícil pensar em ir às compras. Lembra ainda que, com parte do orçamento está comprometido, as instituições não liberam empréstimos.
A combinação deste fatores prejudica o comércio, que contrata menos. Santos espera uma melhora no cenário para o restante do ano e que a criação vagas ocorra, mas em menor quantidade do que em 2011.
Fonte: Felipe Pereira/Diário Catarinense