Transportadores das Américas ganham representatividade junto à ONU

Transportadores das Américas ganham representatividade junto à ONU

Brasília, 16.7.12 – Em maio de 2002, por iniciativa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), a Câmara Interamericana de Transportes (CIT) foi criada. O objetivo, desde então, é unir os países do continente americano em busca de melhorias para o transporte, de cargas e de pessoas.
No dia 5 de julho, poucas semanas após completar uma década de existência, a entidade conquistou reconhecimento internacional – e de peso – ao receber o título de organização observadora junto à Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento. Com isso, entre outras responsabilidades, a CIT poderá ser consultada em decisões da ONU sobre o transporte.
Atualmente, 18 países compõem a Câmara: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana Uruguai e Venezuela. Estados Unidos e Canadá devem entrar em breve. Mais de 120 entidades desses países são associadas.
Em entrevista à Agência CNT de Notícias, o secretário-geral da organização, Paulo Vicente Caleffi, que acaba de ser reeleito para seu sexto mandato à frente da CIT, fala sobre as dificuldades e conquistas nesses dez anos. Confira.

Por que só agora a CIT foi reconhecida pela ONU? O que isso representa para entidade?
Desde que o presidente da CNT, senador Clésio Andrade, pensou na criação de um organismo internacional como braço do transporte brasileiro, fizemos um plano de participação como interlocutores junto ao governo. Esse plano, traçado há dez anos, tinha uma escalada de acordo com os regramentos dos organismos internacionais.

Fizemos vários acordos, o primeiro foi com a Associação Latino Americana de Integração (Aladi), em 2003. O acordo visava cooperação recíproca de ações para que tivéssemos estudos, pesquisas, conferências e seminários. Daí o plano começou a avançar. Entramos na Área de Livre Comércio das Américas (Alca), também em 2003, e passamos a fazer parte da Comunidade Andina de Nações e do Mercosul. O grande passo foi dado com a nossa entrada na Organização dos Estados Americanos (OEA), em 2009.

A ONU, por sua vez, exigia dez anos de existência para podermos ser reconhecidos, então, a primeira medida após completar dez anos foi dar entrada nesse processo, em que fomos aceitos no início de julho. Isso representa para nós uma forma de sermos interlocutores entre os governos e entre os transportadores de todos os modais.

Temos insistido para que alguns países que ainda não contam com representantes, como temos o Ministério dos Transportes aqui Brasil, criem um organismo para sabermos com quem conversar.

Agora tanto a ONU como a OEA sabem que, quando o assunto são os transportes, devem conversar com a CIT. Ganhamos voz para representar nossas proposituras e reivindicações aos governos tanto da América como do mundo.

Como funciona a divisão de tarefas para os representantes dos países na CIT?
Fazemos duas assembleias anuais. Nelas, nós formamos grupos de trabalho que cuidam de temas discutidos nesses encontros. Os grupos atuam de acordo com os interesses dos países e as propostas são analisadas, aprovadas e, em seguida, enviadas ao governo, e temos tido muitos casos de sucesso. O principal ponto é que sejamos um canal de interlocução na ONU e OEA. Em cada país, a CIT tem procurado juntar agremiações fortes como a CNT, aqui no Brasil.

A entidade possui grande atuação na área de qualificação profissional. É um projeto que tem dado certo?
Acreditamos que todos devem se igualar pelo nível máximo, e a educação é fundamental. Por isso é preciso investir na profissionalização. Recomendamos a todos os países que cuidem da qualificação de seus profissionais para alcançar níveis máximos de qualidade de gestão do transporte.

Cabe a nós, transportadores, conscientizar os trabalhadores do setor sobre diversos assuntos como responsabilidade ambiental – tema abordado pelo Despoluir – o Programa Ambiental de Transporte da CNT. Também batalhamos pela adoção de uma carteira de habilitação uniforme em todos os países e também para que todos adotem procedimentos iguais com a ideia de que tendo transporte, é possível aproximar ainda mais as nações.

Qual a maior conquista da entidade, em sua opinião?
A grande conquista foi a união das agremiações de transporte dentro dos países. Ter esse interlocutor é muito importante, pois às vezes o governo não sabe com quem falar. O primeiro passo foi unir esses representantes. O segundo passo foi fazer com que haja confiança. Por 400 anos demos as costas aos nossos vizinhos, e estamos tentando mudar isso. Para se ter uma ideia, a bitola de um trem em um país é diferente da de outro, ou seja, o trem de um não passa no outro, e queremos a integração.

Hoje, países que tinham sérias divergências, já fazem acordos multilaterais extremamente benéficos para ambos os lados, e tudo isso graças a soluções diplomáticas com ações da CIT. Para o futuro, projetamos uma integração ainda maior e é para isso que temos trabalhado.

Fonte: Aerton Guimarães/Agência CNT de Notícias

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