Entrevista Pedro Lopes: Empresas devem melhorar a logística para sobreviver

Entrevista Pedro Lopes: Empresas devem melhorar a logística para sobreviver

Chapecó, 7.3.12 – Com o rápido desenvolvimento industrial surgiu a necessidade de mudanças, especialmente no processo de movimentação e armazenagem de produtos. Mas para isso, era preciso planejamento e especialização. A logística surgiu como uma das soluções e tornou-se uma ferramenta fundamental para eficiência e a lucratividade.
Para apresentar soluções à vasta cadeia que integra todos os modais que a indústria precisa para se desenvolver, foi criada a Logistique – Feira Internacional de Logística, Transporte e Comércio Exterior (Logistique) que está em sua 3a edição programada para o período de 23 a 26 de outubro deste ano em Chapecó. Participarão 180 expositores, as expectativas de visitantes apontam para 15 mil compradores e a previsão de negócios está estimada em 120 milhões de reais.
A Logistique é promovida pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas da Região de Chapecó (SITRAN) e realizada pela Zoom Feiras & Eventos. É apoiada pelas principais instituições do setor: ABTI, ACIC, ANFIR, ASLOG, CNT, Federação dos Transportadores de Carga no Estado de SC (Fetrancesc), Prefeitura de Chapecó, Sebrae/SC, Sest/Senat, Sicom, Sindipostos e Convention & Visitors Bureau.
Nesta entrevista, um dos principais parceiros da feira, presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes, fala sobre a parceria e faz um panorama sobre o setor de logística e transportes.

Fale sobre a parceria entre Fetrancesc e Logistique:

Pedro Lopes O apoio da Federação é institucional e participativo. A nossa Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Empresários de Transportes do Estado de Santa Catarina (Transpocred) também participará da feira com recurso especial destinado para realizar negócios. Haverá uma equipe auxiliando e financiando os negócios que por ventura os transportadores e empresários venham desenvolver durante a realização da Logistique.

O setor de logística avançou muito nos últimos anos. Qual é o atual panorama em Santa Catarina?

Lopes- A preocupação de alguns anos atrás antecipou algumas tendências. As empresas passaram a organizar a logística de tal forma que as Federações e a Confederação tiveram a preocupação de ajustar junto da marca também a palavra logística. Isso porque ela avançou muito rapidamente e modernizou o sistema. A logísticatornou-se, aos poucos, um grande negócio.

Isso significa que a logística é uma alternativa fundamental para valorização dos negócios?

Lopes- Ela agrega valor aos negócios num ano que teremos mudanças. Por exemplo, nós teremos a implantação do cartão frete. Já viemos trabalhando nisso há algum tempo e temos que ter o conhecimento eletrônico de frete. A atual discussão com relação aos bitrens nas rodovias estaduais é outra questão que vai impactar diretamente na logística e distribuição de carga próximo às grandes cidades. Nós entendemos que é inviável movimentarmos uma carreta dentro da cidade em determinados horários.

A implantação de ferrovias resolveria esse problema?

LopesSou otimista…Acho que em 20 anos teremos o começo da ferrovia. Quando afirmo isso, dizem que estou com espírito pessimista de confronto com a ferrovia. Não! Pois essa é a nossa realidade. Observamos o trecho sul da BR – 101 levar sete ou oito anos para ser concluído em função de túneis e pontes, quando deveríamos estar fazendo a 3a pista na parte norte que está operando desde 2007. Não espero do governo nenhuma providência da construção de uma ferrovia como a construção dessa planejada de Chapecó ao litoral. Há recursos, mas o governo tem outros compromissos e vai deixando. É recurso que vai para o Haiti, Bolívia, Argentina, Paraguai, Peru… Com esses recursos que poderíamos ter no planejamento de nosso governo, teríamos resolvido os problemas das rodovias e também da ferrovia.

Como foi o desenvolvimento dos diferentes modais de transportes a partir da década de 60?

Lopes Em 1967, o transporte rodoviário de carga era de 36,37%, a cabotagem 34% e a ferrovia 29%. Hoje o setor rodoviário de carga transporta 70 ou 75%, a cabotagem desapareceu e a ferrovia passou para 25% . Contrabalançando, tudo isso teria que ser readequado. Acho que em 20 anos podemos ter uma visão mais concreta disso. Mas se continuar nesse ritmo, como serão as nossas estradas se não tivermos um planejamento de recuperação mais confiável? Eu defendo uma integração dos modais que tem maior referência com relação a carga. Hoje o preferencial é o transporte rodoviário de carga pelas circunstâncias em que se encontram os outros modais.

Por que chegamos a esse nível de desestruturação dos modais de transportes?

Lopes – O aéreo se desenvolveu nos últimos anos e a ferrovia ficou muito para trás. Teremos que reconstruir a ferrovia no Brasil porque ela foi esquecida. Nós temos ainda um outro problema forte que se relaciona com a cabotagem. A cabotagem seria importante para um Estado como o nosso. Temos 500 km de costa. O Brasil tem 8.500 km de costa marítima, mais 1.500 de água doce e em 10 mil km de costa, não temos nenhum planejamento de cabotagem porque não existe planejamento da relação portuária com a cabotagem. Só teríamos se tivesse um ponto específico para isso. O transporte aéreo acabou ocupando esse espaço que deveria ser da ferrovia. A ferrovia estacionou nos 25%, o aéreo saiu de três ou 4 % há cinco anos e está em 9,5%.

O que motivou o crescimento do transporte aéreo?

Lopes Costumo dizer que o transporte aéreo cresceu porque a estrada é melhor. A carga é carregada em Chapecó, por exemplo, e em 36 horas está nos EUA. O planejamento da Infraero e a privatização melhorou também a infraestrutura para receber carga rodoviária em alguns aeroportos. Vejo Chapecó como a cidade mais importante do oeste. Mas acho que estamos atrasados com aeroportos ideais para carga aérea. Se houver investimentos, a ferrovia fica em segundo plano.
Fonte: MB Comunicação
Foto: divulgação

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