Florianópolis, 29.2.12 – A Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc) deve apresentar na próxima terça-feira, na Assembléia Legislativa, uma proposta de trechos de rodovias estaduais que devem ser liberados para o tráfego de bitrens. Esse foi o pedido feito pelo presidente do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra), Paulo Meller ao presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes, na audiência pública realizada hoje, pela manhã, pela Comissão de Transportes e Desenvolvimento Urbano da Assembleia Legislativa de Santa Catarina para tratar do problema enfrentado pelos transportadores que estão impedidos de rodar pelas autoridades de trânsito do estado. Alguns desses equipamentos estão sendo multados.
Para formular a melhor proposta a ser levada aos deputados e aos representantes da infraestrutura do estado, que possa atender às necessidades de todos os operadores do transporte, Pedro Lopes convocou os presidentes dos Sindicatos Associados de todas as regiões catarinenses para uma reunião na segunda-feira, dia 5 de março, às 16h30min, na sede da Fetrancesc. O encontro fará o planejamento da liberação de bitrens nas rodovias estaduais em trechos da de cada base de atuação.
O encontro de hoje no Legislativo catarinense era uma continuação ao que havia sido tratado na Câmara de Vereadores de Orleans, no dia 12 de fevereiro, quando Meller havia liberado dois trechos, mas desagradou a empresários do transporte, especialmente da região de Lauro Muller, trecho não autorizado para a circulação de bitrens e que está impedindo o segmento atuar. Meller prometeu que iria estudar o assunto. Na reunião de hoje, apresentou novamente o estudo sobre bitrens. Segundo ele, as rodovias estaduais não têm as dimensões necessárias para absorver esses equipamentos. E que não liberam determinados trechos, porque podem ser questionados pelo Ministério Público e justiça.
Meller ressaltou que não é problema de peso e nem de ponte, pois 90% delas, após um estudo do Deinfra, estão em condições seguras para a passagem de bitrens. “Não queremos prejudicar a economia catarinense, mas nós não podemos liberar todas as rodovias. Estamos analisando caso a caso”, afirmou o presidente do Deinfra.
O presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes, que protestou por não ter sido avisado de que se tratava de audiência pública, seria apenas uma reunião, que deveria contar com a presença de transportadores, voltou a afirmar que os problemas não são os bitrens e sim as rodovias. O presidente da Comissão, deputado Valmir Comin, explicou que a denominação de audiência pública era apenas por exigências internas da Alesc para contar com o pessoal de apoio e a transmissão pela TVAL. E prometeu fazer os encontros necessários para achar uma saída.
Depois, Lopes lembrou que são recolhidos os impostos da venda desses veículos, pagam IPVA, são licenciados e o governo do estado impede a sua circulação. Ressaltou aos deputados que o transporte de carga consome anualmente 2,2 bilhões de litros de diesel com um volume significativo de recolhimento de impostos. Mas o Estado não faz a sua contrapartida, que é oferecer infraestrutura condizente com essa carga para o setor produtivo catarinense. “Os problemas não são nossos, os problemas são as estradas, que estão a mesma coisa há tempo e que não houve atualização”, argumentou Lopes.
Lopes também defendeu que se encontre uma solução, que se faça um planejamento de ampliação dessas rodovias. O que sempre se apresenta é a negativa da liberação dos trechos e nenhuma proposta para adequar as estradas. “Qual é o prazo que teremos para chegar a um entendimento? Ou teremos que chegar à autoridade máxima que é o governador, Raimundo Colombo,” questionou Lopes.
Alguns deputados reforçaram o protesto do presidente da Fetrancesc de que o Estado precisa planejar o desenvolvimento de sua economia com urgência e isso inclui a modernização e ampliação da sua infraestrutura, porque dentro de cinco anos com as atuais estradas, Santa Catarina não terá condições de escoar sua produção.
O presidente da Frente Parlamentar do Transporte, deputado Darci de Matos, afirmou que o discurso de Lopes faz os deputados terem de trabalhar e propor investimentos em infraestrutura. Disse que se deve evitar a judicialização do assunto, pois isso só traria desgaste à Santa Catarina. Isso ele falou após Lopes dizer que as multas aplicadas aos bitrens não tem embasamento jurídico.
Para o deputado Dirceu Dresch o governo precisa de um plano de investimentos para daqui a 30 ou 40 anos. O deputado Nilson Gonçalves destacou a importância do bitrem para reduzir custos, um veículo mais recente no Brasil, mas há muitos anos, utilizados na Europa, estados Unidos e Argentina.
O prefeito em exercício de Orleans, Luiz Carlos Librelatto, também empresário de equipamentos rodoviários, reclamou dessa imposição do Deinfra. Segundo ele, com o impedimento de circular, algumas transportadoras cancelaram os pedidos de novos veículos.
Ao final do encontro, o secretário adjunto de Infraestrutura do Estado, Paulo França, que acompanhou a reunião, propôs a criação de uma comissão para estudar as saídas para o impasse. Porém, pela necessidade de medidas mais urgentes, Meller sugeriu que a Fetrancesc apresentasse uma proposta. O que será feito na próxima terça-feira. Fonte: Imprensa Fetrancesc
Fotos: Katherine Dalçoquio da Silva
*Correção: A data da reunião é 5 de março.








