Em dez anos, estado mais do que dobra a frota

Em dez anos, estado mais do que dobra a frota

Florianópolis, 30.1.12 – A frota de veículos na última década mais do que dobrou em Santa Catarina. Dados do final de 2011, divulgados pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SC), reforçam o que quem trafega pelas ruas das maiores cidades catarinenses sabe muito bem.
No fim do ano passado, aproximadamente 3,7 milhões de carros, caminhões, motocicletas e meios de transporte em geral estavam rodando no Estado, enquanto, em 2001, eram 1,6 milhão. Só de novembro para dezembro de 2011, foram 26 mil veículos a mais, em um aumento que superou as estimativas do Detran-SC.
Para especialistas como o engenheiro mecânico e diretor do campus da Universidade Federal de Joinville, Acires Dias, a ampliação da quantidade de carros também não é surpresa.
– O carro se modernizou e o ônibus não acompanha esse conforto. Andar de ônibus também custa quase a mesma coisa ou é até mais caro do que de carro. Não é uma competição de igual para igual – ressalta o diretor do campus que tem o Centro de Engenharia da Mobilidade.
O ex-diretor do Denatran e presidente do Instituto Chamberlain, que realiza estudos na área, José Roberto Dias, completa que os números revelam a “ineficiência dos governos em investir no transporte público de qualidade”.
De acordo com os especialistas, são muitas as facilidades econômicas para se adquirir carro, como os créditos a perder de vista, a juros baixos, e o controle dos preços do combustível. A frota também revela aspectos positivos da economia, já que a fatia da população com maior poder aquisitivo cresceu. Mas, para José Roberto, o investimento em transportes como ônibus, monotrilhos, metrôs, impulsionariam igualmente a economia, gerando empregos. Ele estima que os governos vêm ignorando as consequências do crescimento contínuo do fluxo de veículos individuais.
– Há prejuízos ambientais e uma piora na qualidade de vida, pelos engarrafamentos – opina.
O engenheiro mecânico Acires afirma que, com o aumento da quantidade de veículos, há uma “superutilização” das estradas catarinenses.
– As estradas não foram projetadas para essa quantidade. O resultado mais imediato são as estradas deterioradas mais rapidamente – expõe.
Para daqui a um ou dois anos, ele acredita que todo mundo vá ter carro. Nesse caso, a frota deixaria de crescer e passaria a se modernizar. Chegando a esses números limites, os governos passariam, então, a investir no transporte público.
O presidente do Movimento Nacional de Educação no Trânsito, Roberto Bentes de Sá, concorda:
– Estamos chegando no limite. Uma hora, entraremos em colapso e terá que ser feito alguma coisa.
Com a frota maior, o crescimento no número de mortes no trânsito também aumentou: 24% de 2002 para 2010, de acordo com o Ministério da Saúde.

Dados mais detalhados somente a partir de 2003

O Detran-SC só passou a ter dados mais detalhados da frota de veículos a partir de 2003. Neste período, os índices das motos foram os que mais estiveram no acelerador. Houve um crescimento de 118% e de 76,7% de carros. O de transporte coletivo foi bem menor, com uma alta de 34,8%, em relação a 2003.

Crescimento que supera o de São Paulo

Com 3,7 milhões de motos, caminhões, carros e outros transportes, em dezembro de 2011, Santa Catarina ainda está longe dos 21,9 milhões de São Paulo. Mas, com 131,6% a mais de veículos nos últimos 10 anos, o crescimento de SC superou, inclusive, o crescimento de cerca de 93,6% de SP, estado com a maior frota do Brasil.
O número de SC também aumentou em relação aos outros estados do Sul. O Rio Grande do Sul teve cerca de 90,3% de aumento, e o Paraná registrou 117,3%, considerando-se os números do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).
Para o ex-diretor do Denatran José Roberto Dias, o crescimento da quantidade de veículos em SC também está relacionado aos investimentos no transporte público. Ele ressalta que, enquanto em São Paulo, há opções de ônibus e metrô, em cidades catarinenses, não há alternativas de transporte coletivo. Para ele, Florianópolis está em pior situação no Estado.
– A Capital tem um dos piores transportes públicos do Estado. Os governos deveriam ter vergonha desse transporte público daqui – opina Dias.
Roberto Bentes de Sá, do Monatran, acredita que a Capital catarinense está em situação desfavorável até pelos limites geográficos, por estar em uma Ilha.
De acordo com os dois especialistas, para frear o crescimento da frota e até reduzir esses números, os estados deveria pressionar para a implantação de metrôs, ônibus e no transporte marítimo.
Eles acreditam que cidades como São Paulo e Porto Alegre já embarcaram nesse caminho, apostando na integração de diferentes formas de transporte.
Fonte: Fonte: Gabrielle Bittelbrun/ Diário Catarinense

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