O problema também resgatou antigas reclamações de políticos e empresários do Sul do Estado sobre o futuro nada animador da rodovia na região. Foram mais de cinco horas de interdição até que o buraco formado pelo vazamento fosse tapado e outras cinco de trânsito complicado para a solução total do problema e recuperação da camada asfáltico.
Durante esse período, empresários do município lembraram que as duas novas pontes do contorno por onde passará a BR-101 duplicada sequer foram iniciadas.
– O projeto das estruturas está pronto há mais de dois meses, mas quando as pontes ficarão prontas? Esse episódio serve, apenas, para mostrar, mais uma vez, o descaso que o governo federal tem para com o Sul do Estado e suas obras pendentes. Ainda temos a pavimentação da BR-285 em Timbé do Sul que está esquecida – lamenta o presidente da Associação Comercial e Industrial de Araranguá, Cláudio Alberto Dame.
A clássica expressão “se o Lote 29 já estivesse concluído nada disso teria acontecido” voltou com força, pois a duplicação prevê que a rodovia saia do traçado atual para o contorno que está em obras entre os quilômetros 409 e 415.
Esse trecho de seis quilômetros será municipalizado e utilizado como via de acesso a Araranguá, mas como a ponte construída há mais de 40 anos não foi beneficiada com reformas ou melhorias por conta do projeto de duplicação, a prefeitura corre o risco de receber da União uma herança pouco agradável.
– Todas as outras pontes que já existiam antes da duplicação serão alargadas e receberão reforço, menos essa ponte sobre o Rio Araranguá, que não faz parte da duplicação – alerta o engenheiro civil Ricardo Saporiti, do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura em Santa Catarina(Crea/SC), responsável pela pesquisa da BR-101 feita pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc).
Dnit não tem previsão para obras em outras pontes
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou que realiza manutenção preventiva periódica na ponte e rodovia e que esse trecho será entregue ao município com totais condições de trafegabilidade quando da conclusão do Lote 29.
Sobre as novas pontes ainda não há uma previsão de início das obras.
Incidende não causou danos à travessia
Pouco depois de técnicos do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) providenciar o reparo completo na tubulação rompida, o Dnit promoveu uma vistoria na cabeceira danificada pelo vazamento. Segundo os engenheiros a estrutura da ponte não sofreu avarias e o fechamento do buraco e reconstituição da pavimentação asfáltica feita durante a tarde ofereciam segurança ao tráfego de veículos.
Segundo o engenheiro responsável pelo Samae de Araranguá, Mário César Copetto, o rompimento na tubulação de PVC de 60mm que fica cerca de três metros abaixo do asfalto pode ter sido ocasionado pelo peso de caminhões de carga.
– Uma pessoa relatou ter visto quando um caminhão passou e o buraco se formou em seguida – disse.
Ainda durante a noite de domingo o abastecimento dágua para a região do Bairro Barranca precisou ser interrompido para que os reparos pudessem ser feitos, o que deixou cerca de 300 residência sem água.
Durante a manhã, uma nova tubulação com cerca de dois metros de comprimento foi colocada e o abastecimento acabou normalizado algumas horas depois.
Como os tubos ficam bem próximo da pista do sentido norte-sul a Polícia Rodoviária Federal (PRF) precisou controlar o trânsito na cabaceira da ponte e houve formação de filas de mais de dois quilômetros nos dois sentidos da rodovia.
Fonte: Marcelo Becker/ Diário Catarinense