Florianópolis, 21.12.11 – Pisar um pouco além da conta no acelerador é tão corriqueiro entre os motoristas catarinenses que um terço das infrações registradas no Departamento de Trânsito (Detran), de janeiro a novembro, foram de velocidade superior à máxima em até 20%. O índice seguiu a tendência dos dois anos anteriores. Andar 20% acima do limite pode não parecer muita coisa, mas se o condutor se envolver em um acidente com vítimas, a lei o considera um criminoso.
Até novembro deste ano, foram cerca de 594,9 mil flagras de motoristas dirigindo com velocidade até 20% acima da máxima. A infração ficou no topo do ranking das mais registradas.
Enquanto conduzir um pouco mais rápido chegou a 33% das cerca de 1,18 milhões de infrações cometidas até novembro; a segunda colocada, dirigir de 20% a 50% acima do permitido alcançou apenas 7,78%.
Para o consultor do Programa Volvo de Segurança no Trânsito, J. Pedro Corrêa, o fato de tanta gente ser flagrada um pouco acima da velocidade máxima mostra uma questão enraizada na cultura brasileira.
Conforme Corrêa, as pessoas não são educadas para agir com segurança nas estradas e, boa parte, acredita, inclusive, que se prevalece quando consegue trafegar mais rápido sem ser autuada.
– Isso é sinônimo da falta de educação, baseada na premissa de que o guarda não vai ver ou o radar não vai pegar. Quem dirige de acordo com a velocidade permitida chega a se sentir mal porque passa por babaca. Em muitos lugares é assim. Essa realidade só vai mudar quando o governo passar a investir permanentemente em educação no trânsito, desde as escolas até as empresas e associações de classe – analisa J. Pedro.
Para a coordenadora de educação para o trânsito do Detran, Rosângela Bittencourt, essa tendência de boa parte dos motoristas forçarem o pé no acelerador é resultado do atual estilo de vida. As pessoas estão com mais pressa, ao passo que o número de carros aumenta e as filas também.
– Hoje, temos o fator congestionamento e os motoristas não se acostumaram a incluir isso no seu planejamento diário. Eles acordam no mesmo horário, pegam fila e, quando saem do congestionamento, querem compensar correndo mais no trecho que está livre – analisa.
Rosângela alerta que os motoristas não estão se dando conta de que trafegar mesmo um pouco acima da velocidade é perigoso. Segundo ela, o limite de cada rodovia ou trecho é determinado por testes que apontam a velocidade para guiar com segurança.
– A gente acha que não faz tanta diferença, mas faz na distância de frenagem. Em termos de direção defensiva, é mais tempo para parar. Tudo isso é calculado. A sinalização não é para enfeitar – explica Rosângela.
Fonte: Roberta Kremer/ Diário Catarinense