Colombo desabafa*

Colombo desabafa*

Florianópolis, 25.11.11 – A fala do governador Raimundo Colombo na sede da Fiesc, durante o lançamento do Programa de Modernização da Gestão Pública do governo de Santa Catarina, foi interpretada como um desabafo político. Deu apoio à proposta do Movimento Brasil Competitivo, a partir de exposição feita pelo empresário Jorge Gerdau, e relatou os problemas que vem enfrentando no governo.
Lamentou, em primeiro lugar, que prevaleça o antigo conceito de democracia apenas como “direito de votar” e “liberdade e ir e vir”, dizendo que é preciso que as instituições funcionem de forma permanente.
A reforma tributária, “que não anda”, foi alvo de suas críticas. A reforma política, “que desmoraliza o Congresso”, também foi alvejada.
Declarou-se contrariado com a “pauta falsa”, citando avaliação do governo que o coloca com 60% de aprovação no Oeste e apenas 32% na Capital, disparando pesado contra “a perda de tempo, a máquina lenta, as intervenções do Tribunal de Contas, que não permite o início das obras”. Tudo isto definido como “um inferno burocrático”.
Encontrou 30 mil cirurgias represadas, culpa da “sociedade adormecida”. Lançou o Mutirão das Cirurgias, que já realizou 5 mil operações. Quer avançar, mas não encontra apoio de médicos e hospitais em várias cidades.
O projeto de municipalização do ensino fundamental vai continuar. Este ano serão 25 mil alunos. Em 2012, muito mais. Na segurança pública, citou que há 10 anos Santa Catarina tinha 6 mil presidiários e hoje tem 16 mil, a maioria jovens e quase sempre envolvidos com drogas.

Gestão

O governador reiterou seu compromisso com a melhoria da gestão pública e mais eficiência da máquina. Citou a SC-401 como exemplo de que é possível economizar e atuar com agilidade e competência. A obra foi contratada para terminar em maio de 2012 e vai ser inaugurada em 15 de dezembro. Falou também da SC-405 e da SC-407, que tiveram idêntica prioridade.
No setor rodoviário, anunciou como meta atacar a malha estadual, que tem identificados 125 pontos de estrangulamento e causadores de graves acidentes. Tem 50 milhões para as correções, mas quer sistematizar o processo para reduzir custos operacionais.
Raimundo Colombo foi crítico sobre a posição dos partidos e seus representantes no Congresso Nacional, dizendo que hoje está tudo nivelado.
– Os que implantaram a DRU, hoje votam contra, e os que votaram contra ontem, hoje estão defendendo a Desvinculação das Receitas da União. E nós aqui, como idiotas. Isto tudo mostra que o ciclo está terminado.
A polêmica política salarial também foi objeto de análise. O governador disse que tem 32 demandas diferentes do funcionalismo por melhoria nos salários. Decidiu unificar a política. Tem sido cobrado. Mas também questiona os servidores. Perguntou a um grupo que protestava durante visita a Rio do Sul se conhecia a realidade salarial dos empregados do hotel em frente e do posto de gasolina ao lado. E comparou:
– Vocês têm triênio… e eles não têm. Vocês têm gratificações… e eles não tem. Vocês têm vantagens que eles não têm. Não podemos criar duas categorias distintas de trabalhadores.
O programa de modernização tem como meta reduzir as despesas púbicas em R$ 320 milhões e elevar as receitas em R$ 680 milhões. Para isso, serão necessários R$ 14 milhões, dinheiro que deverá ser arrecadado entre as empresas e o governo para a contratação do Instituto Vicente Falconi.
*Fonte: Coluna Moacir Pereira/ Diário Catarinense

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