Obra leva mais de um mês

Obra leva mais de um mês

Anita Garibaldi, 5.9.11 – Engenheiros do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) estiveram em Anita Garibaldi, na tarde de ontem, para sobrevoar a SC-456, no trecho atingido pelo deslizamento de terra que provocou a morte do veterinário Diego Martins Hernandez, 29 anos, na terça-feira. O automóvel que ele dirigia foi arremessado em um precipício de aproximadamente 300 metros. O veículo parou a menos de cinco metros do Rio Pelotas, em uma área pertencente à Usina Hidrelétrica Barra Grande (Baesa). O corpo foi resgatado na tarde de quarta-feira.
O objetivo do voo foi ter uma noção mais clara do tamanho do estrago. Devido à proporção do deslizamento, considerado grave pelos engenheiros, o trabalho deverá ser bastante cauteloso, para que não provoque novos problemas no local. O presidente do Deinfra, Paulo Meller, disse que a retirada da terra, que continua interditando 175 metros da pista, deve começar na segunda-feira.
– Dividiremos o trabalho em duas equipes. A Baesa disponibilizará a equipe que trabalhará no espaço que pertence a Pinhal da Serra (RS), e o Deinfra ficará responsável pela parte de Anita Garibaldi (SC) – disse.
Segundo o presidente, o trabalho deverá ser feito por empresas terceirizadas e pode levar mais de 30 dias. A rodovia só será liberada quando não oferecer mais nenhum risco.
– Ainda temos várias fissuras na parte que deslizou. Essas fissuras vão deslizar quando começarmos a retirar a terra e, por isso, o trabalho deverá ser demorado – afirmou Meller.
Conforme os engenheiros, o deslizamento tem 15 mil metros cúbicos de terra. Para remover todo o material, serão necessários 1,5 mil caminhões. Meller disse que apenas quatro caminhões poderão trabalhar por vez e cada um fará sete viagens por dia, por isso, a demora na liberação.
O superintendente regional do Deinfra, Narciso Leal, afirma que o trabalho terá várias fases: limpeza da pista, análise dos lados (RS e SC) e possível construção de novos muros de contenção. Para finalizar, devem ser feitas novas vistorias.
– O monitoramento da situação do local será constante. Precisamos observar o comportamento do deslizamento e das áreas de risco para estudar os próximos passos que daremos – finalizou o presidente.

 

 

SC tem seis pontos críticos

 

A morte do veterinário Diego Martins Hernandez na SC-456 não foi a primeira do tipo em SC. Em novembro de 2008, durante as cheias, o caminhoneiro Ricardo Dias de Oliveira, 34 anos, morreu após ser soterrado na SC-401, em Florianópolis. A

pesar da morte, a rodovia da Capital não é considerada ponto crítico. Conforme o Deinfra e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), algumas rodovias do Estado são mais propícias a sofrer deslizamento de encosta.

A SC-301, na Serra de Dona Francisca, no Norte; a SC-416, entre Pomerode e Joinville; a SC-413 entre Blumenau e Guaramirim; e as rodovias no entorno do Morro do Baú, no Vale do Itajaí, são mais propícias ao deslizamento, segundo o Deinfra.

Entre as BRs, a PRF considera a 101 no Morro dos Cavalos, em Palhoça, e a 282 entre Águas Mornas e Alfredo Wagner como de maior perigo. Em janeiro, as duas foram interditadas após quedas de barreiras.

O Deinfra explicou que toda rodovia passa por um processo de estabilização. Por características geológicas, as áreas de encosta são locais de risco, mas não é regra que onde já ocorreu deslizamento haverá novamente. 

Transtorno de 30 toneladas
 

Não foi só na Serra Catarinense que a chuva causou estragos e transtornos no trânsito. A queda de uma barreira e uma pedra de 30 toneladas que ameaçava deslizar causaram ontem a interrupção de duas das três pistas do sentido Norte-Sul da BR-101 no Morro do Boi, em Balneário Camboriú. A Autopista Litoral Sul, concessionária que administra a rodovia, informou que precisou remover a pedra. O corte mecânico foi feito no mesmo dia, para retirar a pedra aos pedaços do local. O congestionamento chegou a quatro quilômetros. A terceira pista só será liberada hoje ao meio-dia.

Fonte: Diário Catarinense/ Vani Boza (sábado – 3.9.11)

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