Florianópolis, 22.8.11 – Pela primeira este ano, a Polícia Rodoviária Federal de Santa Catarina (PRF) contou quatro dias sem mortes nas estradas federais que cortam o Estado, de 15 a 18 de agosto. Em 2010, a marca foi alcançada em apenas três oportunidades. Parece pouco, mas chama a atenção, já que a média é de quase 1,5 morte por dia.
Não há muito o que comemorar ainda porque o balanço de acidentes no primeiro semestre do ano mostrou o número de mortes em aceleração em comparação com o período anterior. Foram 479 casos em 2011 contra 386 em 2010, contando só as estradas federais e estaduais.
Os dados sobre o período de dias sem morte nas estradas federais começaram a ser levantados em 2010. Naquele ano, entre 19 e 22 de janeiro, a marca de quatro dias foi alcançada. A segunda e a terceira vez aconteceria apenas em agosto.
Neste ano, as estradas federais de Santa Catarina quase alcançaram o recorde em oito oportunidades. Mas os quatro dias sem mortes foram registrados entre segunda e quinta-feira. Se nenhuma morte acontecer até a meia-noite de sexta-feira (antes do fechamento desta edição), o recorde dos dois anos será batido.
– Não dá para comemorar, mas o aspecto simbólico é muito importante. Mesmo porque, na média, passa de uma morte por dia nas estradas federais. Digamos que é um alento esta marca com tanta violência no trânsito – avaliou o chefe de comunicação social da PRF em Santa Catarina, Leandro Andrade do Nascimento.
Comportamento dos motoristas é fundamental na prevenção
Doutor em Engenharia do Tráfego e presidente do Instituto de Trânsito e Transportes de Santa Catarina (Icetran), José Lélis de Souza também não vê motivos para comemorar.
– Não podemos pensar que houve uma conscientização coletiva da noite para o dia. Temos que lembrar que não teve feriado e nem foi nos fins de semana. Talvez houve uma fiscalização mais intensa da PRF – opina.
Então, qual o motivo do recorde?
– Assim como acontece muitas mortes um único dia, uma combinação de fatores positivos leva a ter esse recorde. Um deles é o comportamento do motorista. Isso mostra que a postura do condutor é fundamental para evitar tragédias – destacou o chefe de comunicação da PRF.
“Fiscalizaremos mais”
Silvinei Vasques – Superintendende da PRF/SC
Silvinei Vasques, 36 anos, assumiu na quinta-feira a Superintendência da Polícia Rodoviária Federal em SC. Ele promete mais fiscalização, inclusive em relação à Lei Seca. Confira os trechos da entrevista:
Diário Catarinense – Quais são os desafios à frente da PRF?
Silvinei Vasques – Imprimi um ritmo próprio, com duas operações, uma em Joinville e outra em Água Doce, para combater o crime organizado. Hoje (ontem), por exemplo, ajudamos a prender cinco criminosos.
DC – E a longo prazo?
Silvinei – Trabalharemos para a redução de acidentes de trânsito, intensificando a fiscalização e a conscientização. Vamos usar todos os meios, radares, bafômetros. Faremos operações Lei Seca em todas rodovias federais do Estado. Teremos também um trabalho efetivo no combate ao tráfico de drogas, tráfico de armas e exploração infantil.
DC – O número de policiais hoje em dia é suficiente?
Silvinei – Existe uma demanda reprimida. Já solicitamos concurso. Em breve, faremos a chamada para um concurso de formação. Até o fim do ano, a gente já deve ter pessoal sendo preparado. A gente vai ter operações a nível federal, que abrange a região de fronteira. Vamos receber reforços. Também vamos deflagrar operações específicas na área de trânsito, com policias que ocupam a área administrativa.
DC – Qual o número de policiais e qual seria o ideal?
Silvinei – Hoje há 479 na ativa. O ideal seria 40% a mais. Devemos chegar a isso nos próximos três anos.
DC – Como tirar Santa Catarina da lista dos estados mais violentos no trânsito do país?
Silvinei – A polícia tem que cumprir com sua missão: fiscalizar, conscientizar, reprimir e, se for o caso, punir. Temos que tentar evitar que infratores de trânsito se tornem criminosos de trânsito. É fundamental que a sociedade esteja junto nesta luta, com a conscientização dos motoristas. Os dados são alarmantes. Vamos trabalhar para que diminua.
DC – Dá para comemorar estes quatro dias sem morte?
Silvinei – A gente está comemorando e acompanhando hora a hora. Para a gente tem sido um sucesso. Vamos ver se este dado persiste. Mas o pessoal está na estrada. Vocês vão notar, daqui a uns dias, mais gente nas estradas, trabalhos no turno da noite e a operação Lei Seca em atividade.
Fonte: Maurício Friguetto/ Diário Catarinense
Edição: 20.8.11
Diário Catarinense – Quais são os desafios à frente da PRF?
Silvinei Vasques – Imprimi um ritmo próprio, com duas operações, uma em Joinville e outra em Água Doce, para combater o crime organizado. Hoje (ontem), por exemplo, ajudamos a prender cinco criminosos.
DC – E a longo prazo?
Silvinei – Trabalharemos para a redução de acidentes de trânsito, intensificando a fiscalização e a conscientização. Vamos usar todos os meios, radares, bafômetros. Faremos operações Lei Seca em todas rodovias federais do Estado. Teremos também um trabalho efetivo no combate ao tráfico de drogas, tráfico de armas e exploração infantil.
DC – O número de policiais hoje em dia é suficiente?
Silvinei – Existe uma demanda reprimida. Já solicitamos concurso. Em breve, faremos a chamada para um concurso de formação. Até o fim do ano, a gente já deve ter pessoal sendo preparado. A gente vai ter operações a nível federal, que abrange a região de fronteira. Vamos receber reforços. Também vamos deflagrar operações específicas na área de trânsito, com policias que ocupam a área administrativa.
DC – Qual o número de policiais e qual seria o ideal?
Silvinei – Hoje há 479 na ativa. O ideal seria 40% a mais. Devemos chegar a isso nos próximos três anos.
DC – Como tirar Santa Catarina da lista dos estados mais violentos no trânsito do país?
Silvinei – A polícia tem que cumprir com sua missão: fiscalizar, conscientizar, reprimir e, se for o caso, punir. Temos que tentar evitar que infratores de trânsito se tornem criminosos de trânsito. É fundamental que a sociedade esteja junto nesta luta, com a conscientização dos motoristas. Os dados são alarmantes. Vamos trabalhar para que diminua.
DC – Dá para comemorar estes quatro dias sem morte?
Silvinei – A gente está comemorando e acompanhando hora a hora. Para a gente tem sido um sucesso. Vamos ver se este dado persiste. Mas o pessoal está na estrada. Vocês vão notar, daqui a uns dias, mais gente nas estradas, trabalhos no turno da noite e a operação Lei Seca em atividade.
Edição: 20.8.11