Brasília, 17.8.11 – O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, atribuiu ontem o aumento de preços das obras de rodovias executadas pelo Departamento Nacional de Obra de Infraestrutura de Transporte (Dnit) às mudanças nas dimensões dos projetos.
Passos reconheceu que o ministério “não está às mil maravilhas”, mas que está trabalhando para mudar a situação, inclusive com a ajuda dos novos contratados do Dnit.
– Quem está lhe falando aqui é um homem correto, é um homem honesto, de vida e passado limpo, com 38 anos na esfera federal, servindo da melhor forma – afirmou, em resposta ao líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR), sobre as inúmeras irregularidades identificadas em obras comandadas pela pasta.
Dias lembrou o “excesso de aditivos” nas obras, citando o contorno de uma rodovia com extensão de 17 quilômetros em Maringá (PR), que estaria em R$ 300 milhões. Também questionou o que considera ser “a farsa” protagonizada pela operação para tapar buracos desenvolvida no governo do ex-presidente Lula.
Passos defendeu a operação, dizendo que ela permitiu ao governo federal melhorar algumas rodovias. Sobre a mudança no orçamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) desenvolvido pelos Transportes, na campanha eleitoral que elegeu a presidente Dilma Rousseff, e que segundo o ex-ministro Alfredo Nascimento passou de R$ 58 bilhões para R$ 72 bilhões, Paulo Passos disse que não se tratava do orçamento, mas sim de “estimativas de desembolso global do programa”.
Passos rechaçou que tenha liberado recursos para três obras em rodovias com irregularidades graves, desconsiderando relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU).
O ministro limitou-se na sua exposição inicial a falar sobre as três obras em trechos das BRs 265, 101 e 317.
– Não havia nenhum impedimento para suplementação de recursos nessas obras quando foram feitos. O Ministério dos Transportes não fez absolutamente nada de ilegal. Não se pode confundir uma indicação do TCU de paralisação por irregularidade grave com decisão, porque a decisão cabe ao Congresso – afirmou.
Passos assumiu o ministério no mês passado em meio a denúncias de corrupção que derrubaram 28 pessoas na pasta e em órgãos vinculados. Ele era secretário executivo do ex-ministro e senador Alfredo Nascimento (PR-AM), que perdeu o cargo no escândalo. O PR ficou descontente com as demissões no ministério e Dnit e anunciou, ontem, que deixou a base do governo.
Fonte: Diário Catarinense
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