Florianópolis, 27.6.11 – Senhor Presidente, Prezados senhoras e senhores Senhores presidentes de sindicatos de empresas de transportes, empresários, autônomas, representantes das cooperativas de transportes, da associação de transportes, de associação dos representantes comerciais, de passageiros, de organizações sociais pela melhoria da infraestrutura, cooperativa de transporte nos portos, do Sest Senat, companheiros da diretoria da Fetrancesc, amigos que aqui vieram para prestigiar este evento.
Faço referência a esta casa e a todos os seus 40 deputados que a integram, na pessoa do excelentíssimo deputado Darci de Matos, pela iniciativa de atender ao nosso desejo, ao criar frente parlamentar do transporte, que se fortalecerá a partir do momento em que promover o debate para estabelecer o processo de modernização de nossa infraestrutura. Assim estará atendendo a necessidade de melhor qualidade de vida para o povo catarinense.
A Fetrancesc, que aqui se encontra, tornou-se nestes seus 24 anos parte integrante dos debates na busca de melhorias para o transporte rodoviário de cargas do Brasil e países do Mercosul.Sua infraestrutura está alicerçada nos 13 sindicatos que abrangem todo o território catarinense. E representam dezoito mil empresas, que incluindo os associados das cooperativas e os autônomos, empregam mais de 400 mil pessoas.
Seu presidente também preside o conselho regional do Serviço Social do Transporte (Sest) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) mantidos pela contribuição das empresas.
As unidades do Sest Senat em Santa Catarina fecharam 2010 com aproximadamente 850 mil atendimentos entre odontológicos, médicos, psicológico, de fisioterapia, treinamentos de motoristas de caminhão, ônibus, condutores de transporte escolar, além de outros profissionais do segmento.
E agora também serão treinados os motociclistas.São serviços gratuitos para os trabalhadores vinculados ao transporte. Todos os serviços são oferecidos também às comunidades próximas aos 13 centros regionais do Sest Senat.
Com as obras de construção já em andamento das unidades Sest Senat de Blumenau, Joinville, Lages e Concórdia, orçadas em 60 milhões, aumentarão em 30 mil os atendimentos mensais alcançados no final de 2012, 1 milhão e 200 mil atendimentos anuais.
Atendemos ao cumprimento das leis ambientais através do Despoluir, Programa Ambiental do Transporte que faz a análise e o controle da fumaça dos veículos conforme os padrões ambientais brasileiros.
Temos tido resultados muito satisfatórios nesse combate à
emissão de poluentes. E que tem levado o engajamento do setor empresarial para o desenvolvimento sustentável.
Criamos a Transpocred, nossa cooperativa de crédito, com 23 associados e hoje após 4 anos e meio chega a mais de 2 mil e duzentos associados com ativos que devem chegar a 36 milhões de reais no final desteexercício.
A Transpocred chegará no segundosemestre deste ano a nove postos de atendimento ao cooperado, o que significa pela linguagem bancária, há agências instaladas em todas as regiões do estado. Nosso modelo de cooperativa de crédito, o primeiro do país, chegou ao Paraná, São Paulo e agora vai para o Rio Grande do Sul.
A Fetrancesc passa a integrar a CIT (Câmara Interamericana de Transporte) que reúne representantes de países dos continentes das Américas, do Sul, Central, do Norte, Caribe e da Europa.
Somos parte integrante da CNT (Confederação Nacional do Transporte) com vice-presidência da seção de cargas e integramos o conselho de representantes. Também ocupamos a vice-presidência institucional da ABTC (Associação Brasileira de Transportadores de Cargas), a vice-presidência regional da Associação Nacional dos Transportadores de Carga e Logística (NTC&Logística) e no Comtrin, câmara composta pelo G5 – Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai.
Estamos finalizando a redação dos substitutivos dos projetos de Lei 319 e o 271 que tramitam na câmara federal e no senado, sobre a regulamentação da jornada de trabalho do motorista, alterando dispositivos da CLT e do Código de Trânsito Brasileiro.
Novo propósito é trabalhar com a Frente Parlamentar desta casa pela criação da agência estadual de segurança viária para acabar com o triste ranking de Santa Catarina ocupar o primeiro lugar, de vítimas fatais por quilômetros. É uma morte a cada 6 quilômetros, enquanto Paraná a cada 8,5e Minas Gerais a cada 14 km. O Brasil perdeu nos últimos cinco anos 56 mil brasileiros nas estradas.
Precisamos voltar o olhar para as nossas fronteiras. O porto de Dionísio Cerqueira é um caos. Por lá passam diariamente 200 caminhões. Sem infraestrutura adequada, que nós reivindicamos melhorias, com reformas, há mais de dois anos, é triste no verão e horrível no inverno para os nossos motoristas.E essa situação precária também traz reflexo ao nosso turismo, especialmente para o turista que vêm dos países vizinhos.
Os nossos portos estão saturados e as nossas cooperativas de transporte que atuam nesses terminais são exploradas, completamente desativadas, veículos sucateados e motoristas vivendo em condições insalubres. São obrigados a resistir, pois esta é a maneira de manterem suas famílias.
E o que dizer das nossas rodovias, das ferrovias, da acessibilidade, da mobilidade urbana, dos aeroportos, do transporte coletivo urbano intermunicipal, interestadual e internacional.
Como combater o roubo de veículos e de cargas cujo aumento de ocorrências cresceu 52% de janeiro até o dia 9 de junho deste ano, comparando com o mesmo período do ano passado.
O transporte rodoviário de cargas e de passageiros deixou de ser um negócio para, comprovadamente, se constituir numa atividade essencial.
As cidades crescem. O número de veículos, cada vez mais rápidos e modernos, aumenta vertiginosamente. Mas as ruas e o sistema de transporte continuam os mesmos. As estradas, planejadas com pouca visão de futuro, quando concluídas já não atendem à demanda e os prejuízos são iminentes.
A malha rodoviária do Brasil é de 76.500 quilômetros, dos quais 13.500 quilômetros ainda não estão pavimentados.
E o nosso estado como se comporta na ampliação da infraestrutura, quando chegamos ao sexto porto em funcionamento? As estradas continuam praticamente as mesmas, quando duplicadas seguem o mesmo traçado da década de 70, isto é, com as mesmas curvas e as mesmas pontes.
Aqui pretendemos debater propostas de parcerias público-privadas (PPPS), numa maneira de avançarmos em obras, nas quais deverá ter a participação da sociedade quanto a sua viabilidade, projeto e construção, sem depender da vontade e do interesse político.
Vamos desenvolver um debate maduro e harmonioso sobre a implantação de ferrovias, que avançou a 40 mil quilômetros no passado e encolheu a 29 mil quilômetros, parte deles sem condições de uso.
No transporte marítimo, vamos debater cabotagem e a construção de novos portos com agilidade e modernidade para evitar mais tempo de espera.
Mais de 80 milhões de brasileiros dependem de transporte urbano, sendo que 35 milhões não podem pagar a passagem.
E o que fazemos se não, aumentar a frota de transporte urbano como se isto fosse a solução?
Onde está o planejamento para a implantação dos VLTS (Veículos Leves Sobre Trilhos), uma forma sustentável e barata, capaz de aliviar o trânsito pesado nas cidades.
O que fazer da lei seca para que os bêbados não continuem matando nossas famílias?
Aqui nesta casa democrática, com alto espírito público que norteia o princípio político de vossas excelências, queremos encontrar eco, de forma harmoniosa, para que a sociedade, que produz e recolhe impostos e o parlamento que representa o povo, de todas as religiões, raça, cor e credo, juntos possamos construir projetos que levem aos governos municipais, estadual e federal soluções urgentes para que o nosso estado cresça como merece.
Muito obrigado.
Discurso do presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes, proferido no plenário da Assembléia Legislativa, durante sessão do dia 21 de junho, logo após foi instalada a Frente Parlamentar do Transporte da Alesc por solicitação da Fetrancesc
