Novo risco de atraso nas obras da 101 Sul

Novo risco de atraso nas obras da 101 Sul

Laguna, 2.6.11 – O prazo de conclusão da duplicação da BR-101 Sul em Santa Catarina corre o risco de se estender mais uma vez. Para a obra ficar pronta na metade de 2014 – como o prometido em abril –, a construção da ponte sobre o Canal de Laranjeiras, em Laguna, precisaria começar até 1º de julho.
Mas o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) ainda não conseguiu a licença ambiental. Por isso, a contratação da empresa vencedora da licitação deve atrasar um mês, segundo a assessoria de imprensa do órgão. A construção só poderá começar depois de ser liberada a licença de instalação, concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Apesar da nova data prevista pelo Dnit, não há previsão de quando esta autorização será dada, o que aumenta o risco de atrasos maiores. Segundo a assessoria de imprensa do Ibama, o Dnit solicitou a autorização há 60 dias, apresentando o Plano Básico Ambiental. Mas ainda não entregou o projeto executivo de engenharia para que as análises sejam concluídas. O consórcio Camargo Corrêa/M.Martins/Construbase espera há três meses para começar a obra.
A possibilidade de novos atrasos provoca indignação nos que se mobilizam pela conclusão da duplicação. Até mesmo porque o último prazo foi apresentado pelo próprio diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, em Brasília, há apenas um mês e meio. Estava presente uma comitiva, composta por entidades, políticos, parlamentares e o governador do Estado, Raimundo Colombo.

Os moradores da região estão descrentes do trabalho do Dnit.

– Na audiência pública em Brasília, Pagot foi evasivo em suas respostas, mostrando que aquele cronograma não passava de mais uma promessa como as anteriores. O que leva à falta de confiança na palavra dos diretores do Dnit – dispara Raphael Bianchini, presidente da Vias do Sul, entidade criada por moradores para cobrar a conclusão da duplicação.
Para o presidente da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa, Valmir Comin, a morosidade é um problema de gestão da Superintendência do Dnit em SC. O deputado estadual faz uma comparação com a duplicação no RS, finalizada em dezembro do ano passado.
– Por que no estado vizinho foi concluído bem mais rápido e aqui tem esse monte de empecilhos? É problema de gestão, pois uma hora não conseguem licença do Ibama, outra têm dificuldades com o Ministério Público. Enquanto isso, vidas são ceifadas e a economia deixa de se desenvolver – lamenta Comin.
Durante dois dias, o DC tentou entrar em contato com o diretor-geral do Dnit em Brasília, Luiz Antônio Pagot, e o superintendente da entidade em Santa Catarina, João José dos Santos, mas nenhum deles concedeu entrevistas. A alegação é que estavam em reuniões.

Relatório das obras sairá em 20 dias

Entre 15 e 20 de junho, o diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, prometeu comparecer na Assembleia Legislativa para apresentar o segundo relatório de duplicação. Uma das cobranças deve ser sobre a demora em começar as obras de arte (dois túneis e uma ponte), o que fez a Federação das Industrias de SC (Fiesc) questionar o prazo de meados de 2014 e prever a conclusão somente para 2016.
A expectativa dos deputados estaduais e federais é que Pagot não faça como o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que deixou de comparecer a uma reunião marcada com a comitiva catarinense, em abril.
Mas a primeira demonstração de que o Estado poderá ficar só na expectativa é a posição do Dnit sobre um encontro agendado com o presidente do Fórum Parlamentar Catarinense, Edinho Bez (PMDB) para hoje. Enquanto o deputado garante ter marcado uma reunião com a direção da entidade, o Dnit não confirma.
Apesar dos desencontros, a bancada catarinense e entidades civis e organizadas mantêm a pressão sobre o Dnit. Os relatórios mensais enviados pelo órgão federal estão sendo conferidos por uma equipe de técnicos contratados pela Fiesc.
A descrição mensal sobre o andamento dos trabalhos foi solicitada por lideranças do Estado e passou a ser encaminhada aos deputados federais e estaduais desde maio.
– Não tenho dúvida de que a obra agora vai andar – diz o presidente do Fórum Parlamentar Catarinense.
Fonte: Roberta Krammer/Diário Catarinense

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