Acesso asfaltado é só uma promessa

Acesso asfaltado é só uma promessa

Paial, 18.4.11 – Uma das principais metas da antiga gestão do governo do Estado, prometida por Luiz Henrique da Silveira, era pavimentar pelo menos um acesso de cada um dos 55 municípios que ainda contavam com estradas de chão. O mandato encerrou e ficaram sete obras inacabadas por problemas de licitação, atrasos de pagamentos e dificuldades em conseguir licenças ambientais. A nova gestão ficou com a tarefa de tornar Santa Catarina o primeiro Estado do Brasil a ter as ligações de todas as cidades asfaltadas, e garante terminar seis delas este ano, e a de Paial, no Oeste catarinense, até o final de 2012.
Os sete municípios sem acesso asfaltado têm até 3,5 mil habitantes, e com economia baseada na agricultura e pecuária. Nesses locais, a pavimentação é uma forma de melhorar o escoamento da produção, atrair indústrias e frear o êxodo rural.
O secretário de Infraestrutura, Valdir Cobalchini, diz que somente o trecho entre Paial e Chapecó ficará para o ano que vem por passar entre uma reserva indígena e precisar de negociações com a Fundação Nacional do Índio (Funai). No caso de Macieira, a pressão sobre o secretário é maior, já que o município pertence à Secretaria de Desenvolvimento Regional de Caçador, a qual ele comandava na gestão passada e não conseguiu cumprir a promessa de terminar a pavimentação até 2008.

Entraves de todos os tipos

Segundo o deputado federal Mauro Mariani (PMDB), último secretário de Infraestrutura do governo Luiz Henrique da Silveira, esses sete acessos não foram concluídos devido ao grande volume de chuva de 2008 para cá, alterações de projeto e necessidade de relicitar obras.
– Em Chapadão do Lageado, a prefeitura demorou para entregar o projeto da ponte (sobre o Rio Itajaí Sul); em Paial, houve muita discussão sobre o traçado da estrada; em Macieira, a empreiteira queria um aditivo alegando que teve mais custos do que o projeto elencava – cita Mariani.
Estão reservados R$ 50 milhões da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), que é cobrada pelo governo federal sobre toda transação de importação e comercialização de petróleo e seus derivados, gás e álcool etílico.

Paial

Dos sete acessos, a pavimentação menos avançada é a da SC-484, entre Paial e Chapecó. Dos 23 quilômetros de extensão, apenas 1,5 foi asfaltado. A obra começou só em 2008, com a construção da ponte sobre o Rio Irani, e só deve ser finalizada em 2012. Depois da ponte, a primeira fase de pavimentação começou em janeiro de 2009, com 15,6 quilômetros, e o restante foi licitado no começo de 2010. Em ambas as concorrências, a Planaterra venceu.
A obra está na fase de terraplenagem e de preparação da base para receber o asfalto. De acordo com a Secretaria de Infraestrutura, o atraso ocorreu pela demora para conseguir a licença ambiental e a exigência de estudos aprofundados, por a via passar dentro de uma reserva indígena. Para o prefeito Aldair Antônio Rigo (PP), a obra está lenta e só deve ser acelerada a partir de maio.
Enquanto não fica pronta, os usuários têm de enfrentar os problemas causados pela estrada esburacada. O técnico agrícola Uilton Todescatt chegou a estourar dois pneus de seu carro no mesmo dia. Quando chove, o trecho fica intransitável, como indica uma placa colocada pela empresa que faz a pavimentação.
– Quando chove, evite ir a Paial – recomenda Uilton.
A reportagem do DC tentou contato com os proprietários da Planaterra, mas não teve retorno. Fonte: Roberta Kremmer/Diário Catarinense

Como está o andamento das obras

 

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