Dionísio Cerqueira, 18.4.11 – Pela aduana de Dionísio Cerqueira, no Extremo-Oeste do Estado, fronteira com a Argentina, passaram US$ 154 milhões (R$ 243,3 milhões) em mercadorias e matérias-primas no primeiro trimestre deste ano. O movimento foi 32,7% superior ao mesmo período de 2010, que registrou US$ 116 milhões.
A explicação para o crescimento é simples. Os importadores estão comprando muito mais, beneficiados pela desvalorização do dólar. A moeda americana terminou a última semana valendo R$ 1,578, voltando ao nível de agosto de 2008.
O ritmo forte segue a tendência do ano passado, quando o movimento cresceu 55%, chegando a US$ 582 milhões. O resultado foi puxado pelas vendas de carne bovina de Mato Grosso, Goiás e São Paulo para o Chile. Do Estado, o principal produto de exportação foi a banana.
No primeiro trimestre, as importações representaram 65% dos US$ 154 milhões registrados. Elas somaram US$ 99,5 milhões, quase o dobro do que foi exportado.
Arnaldo Borteze, inspetor-chefe da Receita Federal de Dionísio Cerqueira, lembra que o saldo da balança comercial na aduana (exportações menos importações) foi positivo até 2005. Naquele ano, focos de febre aftosa em rebanhos de Paraná e Mato Grosso do Sul acabaram suspendendo as vendas de carnes dos dois estados e de SC para alguns mercados.
A forte alta no movimento da aduana pode ser visto pelo volume de caminhões despachados. A média diária passou de 85 caminhões, em 2010, para cem no mês de março.
– Liberamos 2 mil caminhões em 20 dias úteis – ressalta Borteze.
Em abril, a média subiu ainda mais. Foram 802 caminhões nos primeiros sete dias. A elevação da demanda expôs, mais uma vez, os problemas de infraestrutura da aduana.
Duzentos caminhões à espera de vaga
O movimento gerou filas de até seis quilômetros no lado argentino. Além dos 200 caminhões que ocupavam completamente o pátio da aduana, outros 200 esperavam por uma vaga.
Os caminhoneiros organizaram um protesto por melhorias na última terça-feira, já que os veículos ficam ao longo da rodovia, sem locais para alimentação e banheiros. Em reunião com autoridades argentinas e brasileiras, ficou acertado que o município de Bernardo de Irygoien, do lado argentino, tomará providências para atender aos motoristas.
Existe ainda a expectativa de, nos próximos dias, ser liberada a ordem de serviço para a pavimentação, construção de novos banheiros e nova estrutura administrativa da aduana, cujo movimento cresce entre 10% e 15% ao ano desde a sua inauguração, em 2003. A obra federal está orçada em R$ 11 milhões.
– 99,5 milhões de dólares em importações passaram pela aduana no primeiro trimestre de 2011.
– 54,5 milhões foi o volume de exportações no período, puxado pelas compras chilenas de carne brasileira.
Fonte: Darci Debona/DC
Foto: DC
