Faltam 120 mil motoristas de caminhão no Brasil

Faltam 120 mil motoristas de caminhão no Brasil

São Paulo, 11.3.11 – O perfil do motorista de caminhão está mudando no Brasil. Aquele profissional de chinelo de dedo e camiseta regata está cada vez mais raro nas estradas brasileiras. Isso porque, a quantidade de tecnologia embarcada nos caminhões atualmente requer pessoas mais qualificadas para dirigir essas máquinas. Só que não há disponibilidade destes profissionais no mercado. Para contornar o problema, montadoras e transportadoras têm de investir mais em qualificação da mão de obra.
Uma pesquisa da NTC&Logística, entidade que congrega os transportadores brasileiros, detectou que a falta de profissionais qualificados é apontada por 42,7% dos empresários como o maior limitador para atender às necessidades das companhias. A estimativa é de um déficit de 120 mil motoristas para rodarem nas estradas brasileiras. O número chama atenção considerando que a frota de caminhões rodando no país é hoje de 1,3 milhão, de acordo com o Registro Nacional de Transporte Rodoviário de Cargas, da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT).
Para o presidente da NTC&Logística, Flávio Benatti, a falta de interesse dos jovens em seguir a profissão, muitas vezes do pai, pode ser um limitador para a formação dos profissionais. “O caminhoneiro é tratado como vilão, além de enfrentar muitas adversidades, inclusive de infraestrutura viária”, diz.
 “As grandes empresas ainda conseguem garantir pessoal, mas as médias e pequenas amargam com a não renovação profissional no setor”, afirmou Neuto Gonçalves, diretor-executivo da NTC&Logística.
Os salários baixos também não atraem o jovem para dirigir por mais de oito horas por dia em estradas esburacadas.
Para driblar a falta de pessoal, a Mercedes-Benz, por exemplo, vai dobrar o número de profissionais treinados neste ano. A empresa, que mantém desde 1982 um programa de formação e qualificação de motoristas, prevê que sejam treinados em 2011 cerca de 5,5 mil profissionais em centros que a companhia mantém em Campinas (SP), Recife e Porto Alegre, número muito superior aos 2.825 motoristas que participaram do curso no ano passado. Em 2010 foram 34 mil horas de treinamento atendendo profissionais ligados a 300 empresas de transporte no país.
O diretor de pós-vendas da montadora, Ari de Carvalho, informa que já foram treinados mais de 200 mil motoristas e monitores de trotistas. “Isso assegura aos clientes menor consumo de combustível e diminuição do consumo de pneus e de manutenções corretivas pelo uso inadequado do veículo”, afirmou Carvalho.
A montadora mantém convênios com o serviço social do transporte, o sistema Sest/Senat, para o treinamento de motoristas.

Acidentes custam R$7,7 bi   

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Polícia Rodoviária Federal, mostra que há uma média de 40 mil acidentes envolvendo caminhões por ano no país – um a cada doze minutos. Além dos danos vitais, os acidentes custam R$7,7 bilhões anuais aos cofres públicos.

As máquinas da estrada

Os caminhões, que antigamente contavam apenas com os olhos do motorista para trafegarem pelas estradas, agora já têm instalado o piloto automático, que em uma das muitas funções determina a velocidade. Além disso, têm câmbio automático e freios ABS, o que aumenta a segurança.
Contam com sensores em todo o veículo e equipamentos que identificam a proximidade de outros carros, outros equipamentos avisam o motorista se o caminhão está fora da faixa. Há montadoras, como a Volvo, que estudam o monitoramento da íris para avisar se o motorista dormiu. Fonte: Brasil Econômico

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