A incompatibilidade entre estradas ultrapassadas e carretas do tipo bitrem pode ter colaborado para a gravidade do acidente na BR-282. O choque entre um veículo desse tipo e o ônibus que transportava 46 pessoas resultou na tragédia.
A carreta tinha 57 toneladas de peso total, conforme a documentação que estabelecia a sua licença de viagem. A carga era de 90 metros cúbicos de madeira cortada em tábuas e ripas.
A Volvo FH 440 4x2T bitrem com dois reboques, de Pelotas (RS), media 28,7 metros de comprimento. Na sinuosa BR-282, essas medidas serviriam para dificultar as manobras.
– O caminhão bitrem é de difícil controle em curvas de raio pequeno – avalia o engenheiro especialista em trânsito Mauri Panitz.
O ideal seria que o caminhão tivesse entrado a 40 km/h nas duas curvas que antecederam o choque frontal com o ônibus. Isso evitaria o “efeito chicote”, um descompasso entre o cavalo e os reboques que acomete essas carretas quando ocorre uma mudança súbita de direção, como o desvio de um buraco na pista ou uma desatenção, por exemplo.
Veículo foi projetado para estradas em boas condições
O melhor seria que esses veículos circulassem em estradas duplicadas, planas e retas. Porém, a maior parte da malha rodoviária brasileira não mudou nos últimos 30 anos nem comporta esse trânsito pesado.
– O bitrem foi criado para transitar em estradas específicas em países como a Austrália, para transportar minério e petróleo, por exemplo – completa Panitz. Fonte: Diário Catarinense