Florianópolis, 3.3.11 – Um levantamento de todos os impostos recolhidos na venda de combustíveis e da atividade do transporte, estaduais e federais, em especial da Cide; dos valores arrecadados com IPVA, licenciamento de veículos e multas no território catarinense será feito pelo Fórum Intersindical Permanente de Mobilidade e Transporte de Santa Catarina, criado ontem, durante reunião de representantes do Transporte Rodoviário de Santa Catarina e da Comissão de Estudos sobre Rodovias da OAB/SC, na sede da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc). Essa é uma das ações dessa entidade que vai dar início ao trabalho conjunto para solucionar os problemas de infraestrutura de rodovias e de áreas urbanas.
O grupo quer também saber como e onde esses recursos, pagos pela população, foram aplicados. E vamos cobrar de quem cabe a responsabilidade, se for do município, estado ou união, afirmaram eles. Os participantes lamentaram o fato de o Fórum Parlamentar Catarinense ter se mobilizado para buscar dinheiro e ajudar a uma escola de samba do Rio de Janeiro e nunca tenham tido o mesmo esforço concentrado para acabar com a deficiência de infraestrutura no estado.
Líderes do setor querem participar da definição de obras e acompanhar a elaboração dos projetos
Os integrantes do Fórum também querem participar do debate sobre os projetos de engenharia e de execução das obras.Lopes citou como exemplo de péssima engenharia o viaduto da Mafisa, na BR-470, em Blumenau. “Foi malfeito e não resolveu o problema. Agora precisa ser refeito.” Para o presidente da Federação dos Condutores de Veículos e Trabalhadores do Transporte de Carga e de Passageiros de Santa Catarina (Fectroesc), João José de Borba, a obra certa custaria R$ 30 milhões, mas decidiram por um projeto de menor custo. Nós fomos chamados para opinar sobre essa obra?””, questiona Borba. Ele explica que os gestores públicos não ouvem quem é o principal usuário da rodovia e que é responsável por movimentar a economia catarinense.
Lopes completou que de todos os projetos que são promessas de duplicação, como o da BR-470 e BR-280 estão totalmente defasados. Segundo ele, não se pode mais pensar apenas numa solução simples como pretendem entre Navegantes e Indaial. Precisa ser de Pouso Rendo a Navegantes, defende ele.Lopes também criticou os projetos Crema e Creminha, do governo federal, que permite às empresas vencedoras fazerem obras com material de péssima qualidade e isso exige que refaçam o serviço diversas vezes com valores absurdos. E jogam a culpa nos caminhões pelo desgastes do asfalto. “Se tem excesso de peso nas cargas, onde estão as balanças para coibir os abusos,” perguntou Lopes.
Fórum quer projetos de curto a longo prazo
Os integrantes do Fórum também lembraram que não há planejamento de curto, médio e longo prazo. Onde estão as soluções pensadas e os projetos para este ano, para daqui a cinco anos, 10, 20 ou 30 anos? Não existem. Quando prefeitos, governo estadual e federal pensarão em projetos de intermodalidade? Lembram que as rodovias estão tomadas pelo mato, sem sinalização e esburacadas.
Houve críticas ainda às concessões de rodovias, como o passe livre e obras que não foram feitas. O presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Transporte de Carga de Santa Catarina (Fecam), Francisco Biazzotto, afirmou que na BR-116, a concessionária fechou as ultrapassagens e agora se formam longas filas, porque quem vem atrás de um caminhão pesado não consegue passar, pois será flagrado por diversos radares escondidos. “O motorista faz uma viagem de Lages a Curitiba atrás de caminhões. Para Biazzotto, Santa Catarina é o estado mais atrasado em duplicação no Brasil. Estamos com 50 anos de atraso nas nossas estradas”.
As licitações das obras também terão acompanhamento do Fórum, especialmente no que se refere a valores, projetos adequados, prazos de execução, agilidade na aplicação das penalidades às empresas que não cumpre os contratos. Isso será feito tanto para obras em rodovias como em áreas urbanas.É preciso ter transparência no projeto afirmou o presidente da Comissão de Estudos sobre Rodovias da OAB/SC, Fernando Augusto Ferreira Rossa.
É preciso deixar as obras para gente que trabalha
Para o presidente da Coopercargo, Anacleto Pintarelli, o problema é político. Para ele, enquanto não passarem as obras para a iniciativa privada, para gente que trabalha, os gargalos continuarão e o transportador está pagando multa pelo atraso nas entregas devido aos engarrafamentos a qualquer hora do dia. Voltamos à época da roça. Os políticos só lembram do problema na época da eleição e depois somem com as máquinas.”
Sobraram reclamações também na falta de ação dos prefeitos das cidades para a mobilidade urbana. O presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Contêineres e Cargas em Geral de Itajaí e Região (Sintracon), Ademir de Jesus, disse que simples ações e pequenas mudanças do trânsito resolveriam as deficiências no tráfego para o Porto de Itajaí. Mas que as resistências no poder público ou a falta de vontade são enormes.
O mesmo entrave para o trânsito acontece em São Francisco do Sul,
afirmou o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de São Francisco do Sul, Roberto Helblig. Faltam pontos de estacionamento nas rodovias que possam absorver os caminhões que vão para os portos de Santa Catarina. Sem essa estrutura, estacionam nas margens das rodovias e formam filas.
Campanha deve mobilizar a sociedade para exigir infraestrutura adequada
O Fórum pretende ser itinerante. Já no próximo encontro haverá a definição das ações que podem ser resolvidas pelo poder público de imediato e outros que necessitam de debate, análises e contatos com autoridades do transporte. Além disso, será apresentado um slogan para uma campanha de divulgação, que será feito pelos motoristas para todo o Brasil, com o alerta sobre a situação catarinense. Serão convidados a participar do Fórum os Sindicatos das Empresas de Transporte Rodoviário de Carga e de passageiros e os sindicatos dos trabalhadores do setor e as intersindicais.
Todos esses problemas de infraestrutura estão refletindo na vida do motorista de caminhão e de Ônibus.As exigências de atenção e a insegurança estão levando o profissional a níveis elevados de estresse que se refletem no desempenho profissional e na vida familiar. O diretor-superintendente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Santa Catarina (Setpesc), Elias Sombrio, chamou a atenção para a importância de termos boas estradas, porque os motoristas de transporte de passageiro, intermunicipal e interestadual vivem sob pressão pela responsabilidade de levar pessoas em rodovias com tantos riscos.
Participaram da reunião ainda o presidente da Cotracarg, Tibúrcio Amauri Gomes; o gerente comercial da Coopercarga, que representou o presidente, Osni Roman; representantes da Cebr-Acij (Itajaí), Celso Bressiani Faustão; do Sintracon, João Carlos da Silva e Comissão de Estudos sobre Rodovias da OAB/SC, Antônio Lima. Fonte: Imprensa Fetrancesc





