Cotraoca quer investimentos no setor de transportes catarinense

Cotraoca quer investimentos no setor de transportes catarinense

Chapecó, 10.11.10 – As deficiências de infraestrutura do Oeste catarinenses são graves, as estradas estão destroçadas, encarecendo o transporte rodoviário e se transformando em palco diário de incessante morticínio. “Não podemos nos calar diante desse quadro”, brada o presidente da Cooperativa dos Transportadores Coletivos de Passageiros e Cargas do Oeste Catarinense (Cotraoca),  Sérgio Utzig.
Conhecido por suas posições firmes e incisivas, Utzig prega uma mobilização geral da população, dos empresários e dos políticos para agilizar investimentos maciços em obras intermordais – rodovias, ferrovias e transporte aéreo.
Aos 61 anos de idade, Sérgio Utzig é catarinense, natural de Porto União, graduado em Administração de Empresas pela Unoesc, casado e tem três filhos. Presidiu várias entidades sociais de Chapecó, como o Canecos Futebol Clube, Clube Cachenerê, Câmara Júnior de Chapecó e Associação Comercial e Industrial de Chapecó (ACIC). Participa do Grupo Germânico e é conselheiro do Hospital Regional do Oeste. Foi eleito “Empresário do ano 2007”. Comanda, desde 1979, a empresa Difrisul, distribuidora de alimentos com atuação no oeste e no norte de Santa Catarina.

Na sua avaliação, quais são os principais problemas do sistema viário de Santa Catarina?

Sérgio Utzig – É o aumento significativo da frota. O número de veículos foi multiplicado em cinco ou seis vezes nos últimos 40 anos, enquanto as rodovias continuaram as mesmas. Essas rodovias sofreram forte deterioração: estão em péssimo estado e com excesso de circulação de automóveis e caminhões. É o colapso. Há também um problema de gestão. Notamos que as obras de reforma e recapamento, quando feitas em rodovias privatizadas são de boa qualidade, mas, quando executadas em rodovias públicas são péssimas e em poucas semanas já estão se deteriorando.

A rodovia BR-282, espinha dorsal do sistema viário catarinense, encontra-se esgotada em face do intenso movimento de veículos. A duplicação é a solução?

Sérgio Utzig – Essa é uma obra urgente. Pela BR-282 escoa toda a produção do celeiro catarinense que é o Oeste. O custo do transporte é muito elevado em face das condições das rodovias. Com a arrecadação dos impostos incidentes sobre a frota de veículos, nos anos 1970, o governo conseguiu construir as rodovias que tem até hoje. Atualmente, com a frota multiplicada e uma arrecadação muito maior, o governo não consegue nem dar a manutenção necessária.

Além da duplicação da BR-282, será necessário investir, simultaneamente, em ferrovias?

Sérgio Utzig – Com certeza! E somos a favor porque não existe país desenvolvido que não tenha investido em ferrovia. Nós temos que ser patriotas acima de tudo. Na Europa, com o trem, você vai de país para o outro com conforto, diversão e baixo custo. Somos a favor das ferrovias não apenas para transporte de cargas, mas, de passageiros também.

O Sr. acredita que o Grande Oeste terá força política para conquistar essas duas obras: duplicação de BR282 e construção da ferrovia?

Sérgio Utzig – Não podemos ficar calados. Temos que nos manifestar e não, apenas, esperar pelos políticos. Tem que ser uma bandeira da população toda. Não estamos pedindo favor, é um direito nosso. Estamos rodando sobre rodovias sucateadas, de terceiro mundo. O Governo sonega nossos direitos, mas, se os transportadores sonegarem qualquer imposto ou tributo são imediatamente penalizados. Não podemos agir como cordeirinhos, temos que nos manifestar.

Alguns setores reclamam que a péssima situação das rodovias encarece o transporte entre 10% e 40%, anulando a lucratividade e eliminando a competitividade dos transportadores. Isso é verdade?

Sérgio Utzig – Totalmente verdade. Mas pior ainda são as vidas perdidas, as famílias destruídas. As rodovias brasileiras matam mais que países em guerra. E as pessoas estão se acostumando com as tragédias. Os que estão no poder viajam de avião, com todo conforto. Não sentem o problema. Se eles se deslocassem da mesma maneira que o povo brasileiro, tomariam alguma providência.

O Sr acha que as agroindústrias se transferirão para o Centro-oeste se não houver maciços investimentos para melhorar a logística de transporte em SC?

Sérgio Utzig – A busca por lugares onde as condições para produzir são melhores é uma tendência mundial. Mais de 5.000 multinacionais se deslocaram para a China onde há melhores condições de competitividade. Só do Brasil, mais de 500 empresas migraram para lá. Então é caminho natural para as agroindústrias buscar locais com incentivos fiscais, melhores condições de logísticas, matéria-prima e mão de obra. Infelizmente isso vai acontecer, sim, se as providências não forem tomadas.

O setor do transporte está se queixando da excessiva tributação do poder público. O que a Cotraoca poderá fazer em relação a isso?

Sérgio Utzig – Parece que, ironicamente, o transporte rodoviário brasileiro é considerado supérfluo. Porque os taxistas que transportam a elite, compram veículos com isenção de tributos, enquanto o transporte de cargas não tem nenhum incentivo? Além disso, os caminhões são caros. Quem faz transporte internacional ainda consegue prosperar. Mas aqueles que fazem somente transporte interno estão desesperados. Na área internacional, os fretes são melhores e a concorrência é menor. As rodovias são melhores e existe rigor na fiscalização para excesso de peso. No Brasil, falta conscientização do transportador para a questão do excesso de peso, além disso, a fiscalização é falha. Na Argentina, por exemplo, a fiscalização é rigorosa e as penas são graves. Por isso, ninguém se arrisca. A Cotraoca e as demais instituições podem incentivar a conscientização, ao mesmo tempo em que reivindica a redução dos tributos.

O que está faltando para Chapecó tornar-se um grande centro de logística de transportes do sul do Brasil?

Sérgio Utzig – Não só Chapecó, mas, todo o Oeste precisa de urgentes investimentos em infraestrutura. Se nosso projeto é nos transformarmos em grande centro logístico de transportes, precisamos de investimentos maciços nas estruturas rodoviárias, ferroviárias e aéreas.

O que o setor dos transportes espera do futuro presidente da República?

Sérgio Utzig – Nós estamos fazendo a nossa parte. Queremos que o novo presidente faça a parte do governo. Queremos segurança, infraestrutura, locais para repouso, higiene etc. Os transportadores querem cumprir com seus deveres, mas, também, querem respeito, atendimento das necessidades. O que seria do Brasil sem o transporte?
Fonte: MB Comunicação

Foto: Presidente da Cotraoca, Sérgio Utzig

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