Araranguá, 19.10.10 – O consórcio Construcap/Ferreira Guedes/Mac recomeçou ontem as obras do lote 29, entre Araranguá e Sombrio, no Sul do Estado. Esta é quarta empresa a assumir o trecho de 28 quilômetros. Duas empresas chegaram a colocar as máquinas para trabalhar, mas abandonaram o trecho por questões financeiras. A terceira colocada na licitação foi chamada, mas não quis assumir o serviço.
De acordo com o coordenador da obra, Silvano Macatrozo, como choveu domingo, quando as máquinas começariam a chegar, os equipamentos foram postos às margens da pista na manhã de ontem, e o tempo firme possibilitou a retomada das atividades no trecho.
Uma placa de remarcação do lote com o nome do novo consórcio também foi fixada na rodovia.
A estratégia do consórcio é de que o lote seja dividido em cinco partes – como se fossem minilotes. Um deles é a construção da alça de contorno em Araranguá e os demais, os trechos até Sombrio. Macatrozo explica previsão é de que as obras nas cinco frentes de trabalho sejam feitas de forma simultânea.
– Essa fase de trabalho no lote deverá estar visível daqui a três semanas. Parte da drenagem e da terraplenagem foi feita pelas empreiteiras anteriores, mas isso não antecipa o trabalho. Vamos começar do zero.
Com exceção do anel de contorno de Araranguá, os demais trechos do lote passarão por drenagem, terraplenagem, construção de obras de arte especiais e pavimentação.
Anel de contorno é o ponto de partida
Em Araranguá, na área de construção do elevado (entre os kms 409 e 411), duas máquinas eram usadas na construção de estradas de serviço para uso das empreiteiras. A estrada será o acesso do canteiro de obras à área chamada de “banhadão”, onde será construído o anel de contorno. Paralelo à construção da estrada, será feita a fundação e a concretagem das vigas a serem usadas na obra.
O consórcio mantém um cronograma sem datas exatas para a conclusão de cada trecho do lote.
Com a previsão de concluir a obra em 18 meses, o coordenador das atividades afirma que não haverá motivos para atraso. A empreiteira prevê, sim, dificuldades na construção do elevado em razão de possíveis alagamentos da área, o que prejudicaria o acesso dos operários.
Ministro põe culpa nas empreiteiras
O governo federal se absteve e culpou as empreiteiras pelo atraso em alguns pontos das obras de duplicação da BR-101 em Santa Catarina, como nos lotes 25, entre Laguna e Capivari de Baixo, e 29, em Sombrio.
O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, diz que em nenhum momento as empresas deixaram de receber pelos serviços que realizaram e pararam as obras por que quiseram, e não por falta de pagamento.
O ministro esteve em Lages, onde assinou a ordem de serviço para as obras de duplicação, construção de interseções, ruas laterais e cinco viadutos na BR-282, no perímetro urbano da cidade (veja quadro ao lado).
A um custo de R$ 50 milhões e com prazo de dois anos para serem concluídos, os trabalhos objetivam desafogar o tráfego da rodovia, facilitar o trânsito local e evitar acidentes.
Paulo Sérgio falou também a respeito das BRs 101, 116, 280 e 470. Sobre a duplicação da 101, no Sul do Estado, o ministro disse que nenhuma empresa pode se queixar da falta de pagamento. Em ambos os lotes atrasados, a vencedora da licitação não deu conta de terminar os serviços e o Ministério convocou a segunda colocada na concorrência. Como a sucessora também não conseguiu executar as obras, o contrato foi rescindido e uma nova licitação precisou ser feita, mas os trabalhos reiniciaram e devem ser concluídos em 2011.
O ministro não acredita que o fato de empresas que se candidatam, vencem a licitação, recebem pelos serviços prestados e mesmo assim os abandonam seja culpa do poder público ou falha da Lei de Licitações.
– Quando uma empresa se candidata, apresenta sua proposta e vence a licitação, supõe-se que tenha condições de cumprir o contrato e entregará o produto. Todas as obras realizadas no país inteiro estão sendo pagas corretamente – garantiu.
Na BR-470, ainda falta o projeto executivo
Sobre a BR-470, no Vale do Itajaí, o ministro disse que está sendo finalizado o projeto executivo para iniciar o quanto antes o processo licitatório para a duplicação dos 74 quilômetros entre Navegantes e o acesso a Indaial, num custo de R$ 98 milhões.
Quanto a BR-280, no Norte do Estado, o ministro lembrou que foram tratadas das questões ambientais e indígenas e garantiu que deve ser lançada em novembro a licitação para a duplicação do trecho entre Jaraguá do Sul e São Francisco do Sul.
ANTT tem que fiscalizar o que é feito nas rodovias
Já com relação à BR-116, onde a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) permitiu à concessionária Autopista Planalto Sul – que administrará a rodovia até fevereiro de 2033 – adiar investimentos previstos no contrato de concessão – prática que está sendo investigada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal –, o ministro disse que as empresas têm deveres e direitos, e cabe à ANTT, que é subordinada ao Ministério dos Transportes, fiscalizar o cumprimento das obrigações. Fonte: Diário Catarinense