Sem planejamento da mobilidade urbana fica difícil, diz Pedro Lopes sobre o trabalho dos próximos governantes, em entrevista aos Diários do Interior

Sem planejamento da mobilidade urbana fica difícil, diz Pedro Lopes sobre o trabalho dos próximos governantes, em entrevista aos Diários do Interior

Florianópolis, 16.8.10 – Pedro Lopes é presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc), e presidente do Conselho Regional do Sest Senat Santa Catarina. É vice-presidente de Política Institucional da Associação Nacional dos Transportadores de Carga e Logística (NTC); conselheiro da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e integra a Frente Nacional do Transporte.

Pelo Estado] – Como o senhor avalia o atual momento econômico?

Pedro Lopes – No Brasil, a previsão que se faz do PIB é 7%, e eu considero “auspicioso”, tendo em vista que  vivemos um período de instabilidade com a crise mundial, onde o PIB chegou a menos de zero, e o setor do transporte foi diretamente afetado. Recuperou-se depois na indústria, e  no ano seguinte apresentado uma expectativa de 2%, e esse otimismo hoje é de 7% e nos eleva a um patamar  considerável de país desenvolvido. Esse não e um momento só do Brasil, mas do mundo. Há uma expectativa de movimentação e de consumo muito grande.


[PE] – A atual carga tributaria interfere no desenvolvimento do setor?

Lopes – O transporte rodoviário de cargas é o mais atingido. Em determinados segmentos do transporte ela chega a 52%, e isso acaba impactando no custo. Não consigo entender como que foi aprovado na Constituição de 88 que este ser viço fosse tributado pelo ICMS, sendo um serviço essencial. Não diria que seria necessária a isenção dos tributos, mas o ICMS sobre serviço poderia ser um dos exemplos. Precisamos ser pontuais na reforma tributaria.

[PE] – O que o setor espera do(a) próximo(a) governador(a)?

Lopes – Sem infraestrutura e planejamento para mobilidade urbana fica difícil. Isso é uma responsabilidade  do estado, e também do Governo Federal, pois o problema alcança as rodovias federais. O governo estadual evidentemente precisa planejar a ligação interestadual. O que nós vimos foram melhorias nos acessos aos municípios, e agora é necessário um projeto de ligação, tirando a concentração das vias   principais de ligação interestadual. É preciso um planejamento da mobilidade urbana, para que o setor não seja afetado e que medidas drásticas não sejam necessárias, como por exemplo, em Biguaçu, a cidade quer estabelecer regras para o transporte de cargas. Conversei com o presidente da Fecam, Saulo Sperotto, devemos, através de uma parceria, realizar um projeto de mobilidade urbana entre os municípios.

[PE] – Há reivindicações especificas do setor?

Lopes – O que nós observamos, por exemplo, é o caso das ferrovias. É como se fosse solucionar apenas para cargas de Chapecó até o Porto de Itajaí ou São Francisco. A verdade é que só se pode recuperar a ferrovia com muito apoio do Governo Federal, porque é muito caro e a sociedade vai acabar pagando. O planejamento da intermodalidade pode resolver, que são a hidrovia, ferrovia e rodovia. Os governos necessitam conversar com os líderes das modalidades e assim nós podemos estabelecer uma linha de logística adequada,  com menor custo e rodando um espaço mais curto.


[PE] – Terceirizar as estradas é a melhor saída?

Lopes – Nós acompanhamos o processo de privatização aqui em SC. Defendemos um modelo idêntico a este, onde o governo termina o que é de sua responsabilidade para repassar a iniciativa privada que vai efetuar a conservação. Para isso, achamos necessário a formação de uma comissão entre o setor público, entidades e empresas, para que possamos construir juntos estas possibilidades de melhorias da infraestrutura de nossas rodovias.


[PE] – A entidade entregou algum documento os candidatos?

Lopes – Entregamos para dois dos candidatos – Colombo e Ângela Amin -, e no mês de setembro vamos receber a senadora Ideli Salvatti, para que possamos fazer a entrega do estudo desenvolvido pela Fetrancesc sobre mobilidade urbana. Em outubro, Chapecó vai sediar um seminário em que vamos debater um projeto único sobre mobilidade urbana para SC, em pareceria com a Fecam.  Fonte: Barbara Sperb e Jeferson Ávila/ Associação Jornais do Interior

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