Chapecó, 22.7.10 Pesquis- a Ibope sobre a infraestrutura brasileira revela que a logística é o maior obstáculo enfrentado pelas empresas para desenvolver negócios (54%), seguida pela telecomunicação e tecnologia (30%), energia (4%) e saneamento ambiental (3%). O levantamento contemplou 211 entrevistas com associados da Amcham (Câmara Americana de Comércio). Este assunto será o foco dos debates no 2º Seminário Sul Brasileiro de Logística Transporte e Comércio Exterior, durante a Logistique – Feira Internacional de Logística, Serviços, Transporte e Comércio Exterior, que acontece de 26 a 29 de outubro, no parque da Efapi e que tem a promoção da Zoom Feiras e Eventos e do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística de Chapecó (Sitran).
Os entrevistados são majoritariamente sócios das empresas ou atuam em cargos de diretoria. Os resultados do estudo foram apresentados nesta quarta-feira, 21de julho na Amcham, na capital paulista, durante o seminário “Como Acelerar a Implementação dos Projetos de Infraestrutura”. O universo da amostra é composto por 66% de empresas de capital nacional e 31% de estrangeiro que atuam tanto no comércio exterior como no mercado doméstico.
Os modais rodoviário e aéreo foram apontados como os que apresentam as maiores dificuldades e que mais negativamente afetam os negócios das companhias, com 32% e 31% das respostas, respectivamente. O transporte marítimo ficou em terceiro, com 12%, seguido pelo ferroviário, com 10%. O restante não soube avaliar.
Dados apresentados pelo sócio em consultoria de projetos de infraestrutura da PricewaterhouseCoopers, Maurício Giardello, mostram que o Brasil está em um patamar inferior no aspecto logístico se comparado aos países que compõem o bloco chamado Bric (Brasil, Rússia, China e Índia). Como exemplo, o executivo citou que, em 2007, o Brasil tinha apenas 6% das estradas pavimentadas, enquanto esse porcentual era de 67% na Rússia, de 63% na Índia e de 80% na China. “As deficiências dos nossos portos e do nosso sistema rodoviário provocam perdas de US$ 5 bilhões ao agronegócio brasileiro” disse Mauricio.
Para o presidente da Bunge Brasil, Pedro Parente, uma das medidas mais prementes para destravar os gargalos logísticos é a racionalização da matriz de transporte, com clara diminuição da fatia do rodoviário, que hoje participa com quase 60%. O modal é considerado mais poluente e competitivo em algumas distâncias. “O ideal seria aumentar o transporte ferroviário e aquaviário. A rodovia não pode ter mais de 30% de participação na matriz de transporte brasileira”. Uma das contas apresentadas pelo executivo é que uma barcaça consegue transportar 1.500 toneladas, o que demandaria cerca de 60 carretas, lançando muito menos poluentes na atmosfera.
Fonte: Patrícia Antunes – Assessora de Comunicação Logistique
Compartilhe este post