Palhoça, 30.10.03 – Os moradores e comerciantes da região do Aririú vão fechar amanhã, sábado, a rodovia BR-101 na altura do trevo de acesso a Santo Amaro da Imperatriz e Palhoça, durante manifestação marcada para as 9 horas. Eles pretendem retirar partes do meio-fio existente nos canteiros centrais para obstruir o tráfego, como já foi feito há dois anos.
O ato é em protesto à decisão da Secretaria de Estado da Infra-estrutura de fechar o acesso a Santo Amaro através do bairro pela rodovia SCt-282, antiga SC-422. A medida deve vigorar entre 1o de dezembro deste ano e 31 de março de 2004. “Todo o comércio e serviços nos dois lados da rodovia, num trecho de aproximadamente quatro quilômetros, vão sentir os efeitos dessa medida”, teme o secretário de Indústria, Comércio e Turismo de Palhoça, Alberto Prim.
“Estão apenas transferindo um problema”, reclama, reivindicando a “aplicação do recurso de R$ 1 milhão previsto no orçamento do Estado para 2003, destinado ao asfaltamento e melhorias da SCt-282”. Os comerciantes nas imediações estão assustados, pois boa parte da receita decorre de consumidores em trânsito. É o caso de Luiz Carlos da Silva, 42, há seis anos no ramo de pelÃcula de veÃculos.
“A gente depende do trânsito na rodovia”, diz. Anilton Cesar da Silva, 33, dono de uma lanchonete, vai na mesma linha de raciocÃnio. “O movimento vai cair uns 50%”, calcula. Na verdade, ninguém apóia a medida. Anselmo João da Silveira, 49 anos, dono de uma padaria, teme perder 30% dos fregueses. “Esse é o mais ou menos o volume de pessoas que passam e compram, mas em outros ramos essa queda será ainda maior. O problema é que afetando um, atinge todos os ouitros”, avalia.
Mudança
A funerária de Celso Pereira, 52 anos, há 22 no mesmo local, pode perder cerca de 80% das vendas. Alguns estabelecimentos mais fortes da região, como uma revendedora de motos e uma casa de materiais de construção, geradoras de emprego, podem ser transferidos por seus proprietários a outros bairros ou municÃpios da Grande Florianópolis. “Eles estão dispostos a sair e alguns podem até fechar”, avalia Anselmo Silveira.
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Comunidade cobra obras
de infra-estrutura no trecho
O anúncio do fechamento do trevo de acesso a Santo Amaro e Palhoça na BR-101 pegou todos de supresa. “Estávamos esperando melhorias no bairro, como o asfaltamento e a drenagem, não esse fechamento”, destaca Anselmo. Alair de Sá Pereira, 58 anos, é obrigada a lavar as roupas de sua loja antes de vendê-las por causa da poeira nas laterais da rodovia. “O Aririú já é esquecido”, lamenta.
O secretário Alberto Prim recorda que há quase dois anos surgiu um movimento intitulado “Aririú – Chega de Abandono”, liderado pela Comissão Pró-Melhorias no bairro. “Foi nessa ocasião que a Assembléia Legislativa apreciou e aprovou uma emenda destinando R$ 1 millhão para a pavimentação de cinco quilômetros dessa rodovia”, destaca. “Estamos reclamando de abandono e a resposta é nos isolar”, complementa.
Negociação
O secretário de Estado da Infra-estrutura, Edinho Bez, admitiu ontem à tarde que pode rever a decisão de fechamento do trevo de acesso a Santo Amaro e Palhoça na BR-101 no verão. “Estamos conversando e essa é uma das medidas sugeridas para evitar que tenhamos novo bloqueio na temporada”, disse.
Ele aguardava a chegada de uma comissão de moradores e comerciantes de Aririú, além de lideranças polÃticas de Palhoça, para discutir o tema. Segundo Bez, outra medida para ampliar o fluxo de veÃculos na BR-101 durante a temporada é o fechamento do posto de fiscalização da Fazenda, em Palhoça, próximo ao rio Cubatão, e instalar uma unidade móvel na altura de Biguaçu.
“As medidas foram sugeridas pela PolÃcia Rodoviária Federal como alternativa para que não tenhamos bloqueio”, acrescentou. O secretário afirmou ainda que não existem recursos para a pavimentação da rodovia estadual que passa dentro do bairro Aririú. “Não para esse ano, pois isso depende de orçamento, depende de aprovação da Assembléia”, esclarece. Celso Martins/AN
BR-101
Representantes da bancada federal de Santa Catarina estiveram ontem com os ministros Guido Mantega e Anderson Adalto. O titular do Planejamento recuou de sua proposta inicial que era no sentido de introduzir a duplicação do trecho Sul da BR-101 na Parceria Público Privado (PPP). Mantega só reavaliou sua posição graças a um telefonema da senadora Ideli Salvatti para o ministro José Dirceu, realizado na véspera. Ideli, que está de licença em Florianópolis, ponderou que o PPP praticamente inviabilizaria a duplicação, já que exigiria novo processo de licitação. Fonte Prisco ParaÃso AN