Florianópolis, 19.02.04 – A grande expectativa das definições tomadas nas reuniões mensais do Comitê de PolÃtica Monetária (Copom) do Banco Central deve-se ao fato de a meta da taxa Selic ser a principal referência para todas as taxas de juros praticadas no PaÃs. É com base nela que o governo remunera as aplicações em seus papéis (os tÃtulos públicos).
Um dos principais efeitos das decisões do Copom é psicológico, ao sinalizar ao mercado perspectivas otimistas ou pessimistas. Isso acaba influenciando
bastante decisões de empresários sobre investimentos ou mudanças nos volumes de produção. E isso, por sua vez, afeta o nÃvel de emprego e salários.
Embora a Selic seja importante, representa apenas uma parcela do custo do dinheiro pago por empresas e pessoas fÃsicas quando vão ao mercado financeiro.
Outros fatores, como a inadimplência e a margem de lucro das instituições financeira pesam mais nas taxas finais. É em função dessa grande diferença entre a taxa básica, abaixo de 20% ao ano, e a praticada na ponta, hoje em 149,59% ao ano para pessoas fÃsicas, que as variações da Selic não provocam efeitos grandes nos valores cobrados em empréstimos.
Simulação feita pela Anefac mostra que no cenário atual, por exemplo, uma queda de meio ponto percentual na Selic representaria redução de 1.11 ponto na taxa anual de juros cobrados da pessoa fÃsica. Ou seja, uma alteração quase insignificante já que eles cairiam de 149,59% para 148,48% por ano.
Um efeito mais importante pode ser o indireto, já que ao mexer na Selic o governo mexe na rentabilidade dos tÃtulos públicos. E, como os bancos aplicam 66,6% de seus ativos nestes papéis, segundo a Anefac, uma redução na atratividade dos tÃtulos públicos pode induzir o sistema financeiro a aumentar o volume de crédito ofertado e, por conseqüência, o custo do dinheiro. Para isso, contudo, as quedas da Selic precisam ser expressivas.
Outro efeito importante da Selic é no montante de dinheiro gasto pelo governo para pagar suas dÃvidas. Como é esta taxa que remunera a maior parte do capital tomado emprestado pelo Estado no mercado financeiro, cada ponto percentual da Selic representa gasto anual de R$ 3,6 bilhões para o governo. (EM)
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