CNHs apreendidas por uso de álcool sobem 61%

CNHs apreendidas por uso de álcool sobem 61%

Blumenau, 7.12,.05 – Mais da metade dos motoristas blumenauenses que tiveram a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa durante este ano receberam a punição por estarem embriagados ao volante. Os números da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) incluem condenados a penas administrativas até o fim de novembro. Numa comparação com os primeiros 11 meses de 2004, o número de CNHs apreendidas pelo uso de álcool cresceu 61,85%.
Dos 860 motoristas punidos até novembro, 417 – que representam 54,76% – foram flagrados alcoolizados ao volante em operações das polícias Militar, Rodoviária Estadual e Federal, e da Guarda Municipal de Trânsito.
No mesmo período de 2004, 772 motoristas tiveram a carteira suspensa, 11,40% a menos do que neste ano. Destes, 291 dirigiam sob o efeito de bebida alcoólica.
O amplo direito de defesa permite que o motorista tenha a carteira de volta já no dia seguinte ao flagrante. Isso faz com que infratores continuem dirigindo normalmente, mesmo que punidos mais tarde pela Ciretran, exceto se forem abordados em operações de trânsito.
– Uma hora ou outra ele vai ter que vir aqui para renovar a carteira, ou para mudar de categoria, e aí ela vai estar bloqueada – afirma o assessor jurídico do órgão, Sérgio Murilo Poffo.
As 20 horas da aulas de reciclagem sobre direção defensiva, legislação, primeiros socorros e relacionamento interpessoal serviriam para modificar o comportamento imprudente do motorista. Mas nem sempre isso acontece.
– Temos uma pessoa que já fez três vezes o curso de reciclagem com a gente – revela Juliane Jehle, secretária da Socetran, sociedade que ministra as aulas para os alunos de cinco CFCs de Blumenau.

Sintomas dependem da sensibilidade ao álcool

O especialista em Medicina Legal, Luiz Carlos Fonseca de Mello, afirma que os efeitos do álcool dependem da sensibilidade de cada pessoa e não há como estabelecer um limite máximo de consumo para estar apto ou não a dirigir. Um indivíduo com dois gramas, ou mais, de álcool por litro de sangue está num estágio chamado por Mello de embriaguez completa.
Os sintomas são perda de memória e equilíbrio, dificuldade para falar, euforia e agressividade. Índices menores do que dois gramas – inclusive as seis decigramas, previstas no Código de Trânsito Brasileiro – são classificados como embriaguez incompleta.

Tragédias se repetem com irresponsáveis

Há 21 dias, Magrit Ineichen perdeu a filha Bruna, 18 anos, atropelada por um motorista embriagado, às 4h, no acostamento da SC-474.
O acusado fugiu e foi encontrado dormindo, em casa. O teste de bafômetro acusou 25 decigramas de álcool por litro de sangue, quatro vezes o permitido pelo Código de Trânsito.
Desde a morte da filha, a comerciária vem alertando os outros dois filhos e os amigos de Bruna a não guiarem após beber.
Quando o agente de trânsito desconfia que o motorista está embriagado, ele o convida a fazer o teste de bafômetro.
O aparelho não pode registrar mais do que seis decigramas de álcool por litro de sangue. Se não fizer o exame, o condutor é levado a uma delegacia para registrar a ocorrência e a CNH é retida do mesmo jeito.
Nos dois casos, para retirar o documento é preciso comparecer à Assessoria Jurídica da Ciretran. A partir daí, há um prazo de 30 dias para apresentar uma defesa.
Se a argumentação não convencer, o motorista é condenado a pagar multa de R$ 957,69, perde a carteira por 120 dias e é obrigado a fazer um curso de reciclagem num Centro de Formação de Condutores (CFC). Fonte: Diário Catarinense

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