46% a mais de motoristas embrigados

46% a mais de motoristas embrigados

Florianópolis, 5.2.07 – O número de motoristas detidos por embriaguez nas rodovias federais em Santa Catarina cresceu 46% em 2006 frente a 2005, mostra estatística da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
No ano passado, foram detidos 458 motoristas, média de 1,2 ao dia. Em 2005 foram 314, média de 0,8 ao dia. O inspetor Luiz Graziano, da Polícia Rodoviária Federal, diz que o salto se deveu “ao aumento do policiamento” e ao fato de os patrulheiros terem ganhado autonomia para fazer Termo Circunstanciado (TC).
A Polícia Rodoviária passou a adotar esta ferramenta jurídica para crimes considerados pequenos em junho de 2005. Por ela, o motorista recebe uma pena alternativa em audiência com um juiz. Antes, só a Polícia Civil tinha esta autonomia.
A ingestão de álcool, segundo pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes, é a quarta causa de acidentes nas rodovias federais do país. Está atrás da falta de atenção, da velocidade abusiva e da ultrapassagem indevida, nessa ordem.

Punir o condutor ainda é desafio

Em teoria, o motorista embriagado pode perder o direito de dirigir e ser condenado a pena de dois meses a dois anos de cadeia. Se ferir alguém em acidente, pode responder a processo por lesão corporal culposa, cuja pena varia de seis meses a dois anos. Na prática, costuma pagar multa e ser liberado mediante Termo Circunstanciado, através do qual normalmente recebe alguma pena alternativa, como pagamento de cestas básicas a asilos.
O Código de Trânsito Brasileiro considera embriagado o motorista que tiver mais de seis decigramas de álcool por litro de sangue (um adulto atinge essa marca com cerca de três latas de cerveja). A maioria dos 458 detidos por embriguez em 2006 foi flagrada depois de se envolver em algum acidente.

Palavras de especialistas

O especialista em trânsito José Roberto de Souza Dias, que já foi presidente do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e colaborador na elaboração do Código de Trânsito Brasileiro, avalia que o aumento de presos por embriaguez ao volante mostra contradições:
– Mostra que houve mais ação da polícia, mas ao mesmo tempo revela que ainda há muita impunidade. Muitos motoristas pegam o carro bêbados porque acreditam que não vão encontrar policiamento nas rodovias. Eles se sentem à vontade para beber, pegar a estrada e colocar em risco a própria vida e a vida de outras pessoas – observa.
Dias diz que, no caso de motoristas presos por embriaguez, penas alternativas podem ter mais resultado que cadeia.
– Coloca um motorista desses em um pronto-socorro de hospital oito horas por dia que logo ele vai entender o quanto é perigoso beber e dirigir. A bebida está entre as maiores causas de fatalidades no trânsito. Normalmente os motoristas que bebem ultrapassam a velocidade, e o excesso de velocidade é a grande causa dos acidentes.
Professora de Direito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Vera Regina Pereira de Andrade faz pesquisas na área criminal e ajudou no processo de aprovação do Código de Trânsito Brasileiro. Ela acredita que “a seletividade” do sistema penal, de alguma forma, contribui à bebedeira ao volante.
– O sistema penal é muito seletivo, é feito para pobre. O motorista bêbado que tiver dinheiro pega só uma pena alternativa. É preciso mostrar que algo está sendo feito. Hoje se ele chegar a ir para a cadeira, tira-se logo ele de lá, porque lá não é considerado o lugar dele.
A professora defende que a carteira do motorista embriagado seja apreendida.
– A pessoa que bebe e causa um mal a alguém deve perder o direito de dirigir, deve pagar tratamento psicológico à vítima e à família da vítima. Deve se responsabilizar pelo que fez.
Vera Regina diz que o consumo de álcool é um mal que deve ser tratado “em sua raiz”.
– A embriaguez mata. É uma doença que deve ser tratada em sua raiz. O mal deve ser combatido antes de o motorista chegar à estrada e provocar acidentes e mortes.
O capitão Cesar de Assunção Nunes dá aulas de Psicologia de Trânsito e tem mais de 15 anos de trabalho na formação de socorristas do Corpo de Bombeiros em Santa Catarina. Para ele, o salto de 46% no número de motoristas detidos por embriaguez sugere que as campanhas contra bebida ao volante não têm dado o resultado esperado.
– Por mais mortes que se vê por aí, as pessoas não se conscientizam de que não dá para beber antes de dirigir. Só vamos minimizar esse problema com uma fiscalização maior – prega.
Segundo ele, na maioria dos casos, os motoristas embriagados envolvidos em acidente têm lesões de rosto e traumatismos craniamos mais graves que um motorista sóbrio.
– O motorista que bebe costuma exagerar da velocidade – lamenta.

Radar flagra 29 mil abusos de velocidade nas rodovias

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) emitiu 29 mil notificações a motoristas no período de 15 de dezembro a 21 de janeiro, segundo parcial divulgada ontem pela corporação. No final da tarde de sexta-feira, na mais recente blitz realizada na BR-101, o radar fotográfico flagrou 640 abusos de velocidade em apenas duas horas e 45 minutos, em Tijucas, no Vale do Rio Tijucas.
Operações semelhantes ocorrem praticamente todos os dias em pontos considerados estratégicos das rodovias federais. Os locais foram escolhidos após levantamento que mostrou onde está o maior número de acidentes causados por excesso de velocidade. Entre os locais, trechos da BR-101 nas margens de municípios como Balneário Camboriú, Florianópolis e Barra Velha, além da BR-470, principalmente na área de Blumenau.
A Polícia Rodoviária não divulga onde as blitze serão realizadas para evitar que os motoristas respeitem a velocidade apenas em pontos determinados e acelerem logo em seguida.
– Não estamos preocupados em multar. Queremos a redução de acidentes. O motivo da nossa operação é educação para o trânsito – salienta o chefe da 1ª Delegacia da PRF, Carlos Roberto Wolff.
Ele disse que esse tipo de fiscalização foi a única forma encontrada pela polícia para reduzir a velocidade. Wolff acredita que o número de veículos que compareceram ao Estado neste veraneio superou o volume que era esperado. O radar fotográfico emite a multa automaticamente e imprime a foto da placa do veículo, sem necessidade de abordagem policial.
Carlos Roberto Wolff lembra que mesmo no trecho duplicado da BR-101 os motoristas não devem ultrapassar a velocidade permitida, já que grande parte da rodovia passa por perímetros urbanos. A estrada corta trechos dentro de São José, Biguaçu, Palhoça, Itapema, Balneário Camboriú, Itajaí e Barra Velha, entre outros. O mesmo ocorre em Tijucas, onde a operação foi realizada na sexta-feira passada.
Além do radar fotográfico instalado diariamente nas estradas federais, a polícia também está trabalhando com a fiscalização normal, além do radar móvel de mão.

Acidentes graves no fim de semana

Três pessoas morreram no trânsito em Santa Catarina

Araranguá
Ronildo Vieira, 36 anos, morreu ontem vítima de acidente de trânsito no km 408 da BR-101, em Araranguá, no Sul do Estado. Ele conduzia um Fusca com placas de Turvo, que se envolveu em colisão com um Peugeot, de Criciúma, dirigido por Manoel Osório Rodrigues, 27 anos. O acidente aconteceu às 5h. Vieira morreu quando era conduzido ao Hospital Regional de Araranguá. Rodrigues sofreu lesões leves.
Jaguaruna
O pedestre Jaime do Amaral, 49 anos, morreu atropelado no km 9 da SC-442, no município de Jaguaruna, no Sul do Estado. O acidente aconteceu às 20h20min da última sexta-feira. Amaral teria sido atropelado por uma caminhonete S-10 com placas de Jaguaruna.
Itajaí
Uma colisão envolvendo uma Kombi, um Gol e uma bicicleta resultou na morte do ciclista, sexta-feira, às 21h45min, no km 12 da SC-486, entre Itajaí e Brusque. O condutor da bicicleta, Orlando de Jesus, morreu na hora. A Kombi, com placas de Brusque, era conduzida por Cândido Osório de Oliveira, 55 anos. O Gol, por Luiz Carlos Steffen, 44 anos, também de Brusque.
Caçador
O comandante da guarnição especial de Polícia Militar de Caçador, coronel Silvio Buba Cruz, 52 anos, está internado em estado grave no Hospital Maice. Ele sofreu um acidente às 14h de sábado, na SC-302, após o veículo em que estava colidir com outro automóvel com placas não-identificadas. Ontem, o militar passou por uma cirurgia.

Número de mortes cai em janeiro

Caiu o número de mortes nas rodovias catarinenses em janeiro em relação ao mesmo período de 2006. Enquanto 2007 começou com 67 óbitos, o ano passado teve 79 no primeiro mês. Em 2005, foram 63 mortes. As estradas federais apresentaram queda no número de acidentes, feridos e mortos em comparação a semelhante período do ano passado. Já nas rodovias estaduais, houve aumento de 8,3% no quadro de óbitos e 8% no de machucados.
A diminuição mais significativa nas BRs foi na quantidade de mortes. Em 2006, 55 pessoas perderam a vida nas federais. Nesta temporada foram 41 mortes.
Apesar da redução em 25%, não dá para relaxar diante dos números, argumentou Roberto de Sá. O presidente do Movimento Nacional de Educação no Trânsito afirmou que ainda há irresponsabilidade muito acentuada dos motoristas e que as estatísticas não revelam uma verdade absoluta.
– Existem muitos dados que não são levados em conta após o acidente, como as mortes em hospitais e as seqüelas que ficam para algumas pessoas – exemplifica ele.
No entanto, Sá considera a queda significativa em função do aumento do movimento nas rodovias, principalmente com os problemas de atrasos em vôos verificados nos aeroportos do país.
Para o chefe do setor de comunicação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Luiz Graziano, o balanço parcial da Operação Verão mostra maior conscientização dos motoristas. Segundo ele, os visitantes estão mais alertas para enfrentar as estradas do Estado.

Redução ocorreu também no Brasil

Além disso, Graziano destacou o trabalho de maior fiscalização. José Lélis, presidente do Instituto de Trânsito e Transportes de Santa Catarina (Icetran), concorda que o controle foi ampliado, mas pediu mais atuação da Polícia Rodoviária Federal durante o resto do ano.
– Em vez de intensificar só nas datas comemorativas, podia ser uma constante. Mas sei que eles sentem muito com a falta de efetivo – ponderou Lélis.
A quantidade de óbitos nas rodovias federais de todo o Brasil também diminuiu na comparação entre janeiro de 2006 e janeiro deste ano. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, foram registrados 493 mortes contra 510 na temporada passada.
O número de acidentes subiu 6%. Foram 9.612. Os feridos foram 6.624 – 13% a mais que janeiro de 2007. Na região Sudeste, 155 pessoas morreram nos 3.838 acidentes registrados pela PRF. Os feridos foram 2.411.
No ano passado, 174 pessoas morreram, decorrentes de 3.568 acidentes. Outras 2 mil pessoas ficaram feridas. Fonte: Diário Catarinense

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