Florianópolis, 22.6.06 – Com mais da metade da frota fabricada entre os anos de 1997 e 1999, a PolÃcia Rodoviária Federal (PRF) em Santa Catarina tem boa parte dos veÃculos parados em manutenção. No posto de Barra Velha, no Norte do Estado, havia ontem apenas um veÃculo Fiat Marea, de 1998, à disposição dos seis policiais.
Oposto de Barra Velha, na divisa com o Paraná, conta normalmente com três veÃculos, mas dois estão em manutenção: um Astra, ano de fabricação 2003, e uma Blazer 1998.
Para dificultar ainda mais a ação policial, o Fiat Marea tem restrições de velocidade. O carro não pode rodar com mais de 4 mil rotações por minuto, o equivalente a 120 quilômetros por hora.
– São 55 quilômetros da BR-101 que ficam desprotegidos devido à falta de veÃculos em bom estado. Se precisarmos perseguir alguém, teremos que pedir auxÃlio para os outros postos – disse um patrulheiro.
Localizado no quilômetro 82 da BR-101, o posto de Barra Velha é um dos mais perigosos, por causa de sua proximidade com o Paraná. Constantemente a base operacional é vÃtima de atentados de marginais em fuga. Em 2003, os policiais trocaram tiros com criminosos em duas oportunidades, no mês de janeiro, e um servidor foi baleado.
A falta de condições de trabalho também foi detectada em outros três postos no inÃcio deste mês. No dia 5, havia um veÃculo para cada um dos postos em Itapema, Biguaçu e Palhoça. O posto de Biguaçu é responsável pela fiscalização do trecho da BR-101 entre São José e Tijucas, além do trecho da BR-282 (Via Expressa) na Capital. Ontem, dois veÃculos fiscalizavam este trecho.
– O posto de Biguaçu deve trabalhar com no mÃnimo três viaturas, já que trabalham em sete policiais em média – explicou o responsável pela comunicação social da PRF, inspetor Luiz Antônio Giardino Graziano.
Efetivo é reduzido na Região Oeste
O sindicato dos policiais rodoviários federais de SC alerta para a falta de policiamento na Região Oeste.
A região não tem segurança com o atual efetivo – garantiu um diretor, que não quis se identificar.
O sindicato ressalta que das duas últimas turmas de policiais formados, apenas 20 devem ser efetivados no Estado.
Contraponto
O que diz o responsável pela Comunicação da PRF
O responsável pela comunicação social da PolÃcia Rodoviária Federal (PRF), inspetor Luiz Antônio Giardino Graziano, explicou que cada veÃculo roda em média 70 mil quilômetros por ano. Com isso, os veÃculos estão constantemente nas oficinas e têm prazo de uma semana para serem consertados, dependendo do problema. O inspetor também reconheceu que a vida útil ideal são cinco anos de utilização de cada veÃculo. Em contrapartida, ele destaca os oito novos veÃculos que chegaram neste mês e outros três que estariam a caminho.
– Hoje, estamos em um bom perÃodo porque os recursos para a manutenção estão sendo liberados em dia, mas isto nem sempre acontece. Quando não ocorre com tanta freqüência os reflexos aparecem nas pistas com a demora no atendimento à s ocorrências – disse.
Assembléia chama cúpula da Segurança
A Assembléia Legislativa aprovou requerimento convocando a cúpula da Secretaria de Segurança Pública e Defesa do Cidadão para explicar a crise na área, exposta em reportagem da edição de ontem do Diário Catarinense.
O pedido foi apresentado pelo deputado Paulo Eccel (PT), que justificou a convocação urgente nos “vários relatos crÃticos apresentados pela matéria do DC”.
Depois de encaminhado, o pedido foi assinado também pelo restante da bancada petista e pelos parlamentares do PP.
DÃvidas com fornecedores já havia sido debatida
– Fiquei perplexo com o que li, mas os problemas da falta de recursos já são vistos há tempo. No inÃcio do ano alertei que vários fornecedores ameaçavam cancelar entregas e serviços porque estavam sem pagamento – afirmou Eccel.
Em fevereiro e março, o parlamentar levou à tribuna da Assembléia Legislativa uma série de denúncias de precariedade nos serviços de segurança, em razão da falta de recursos.
Ele lembrou que os policiais militares, principalmente nos municÃpios do interior, sofrem com uma estrutura de trabalho precária, além da sobrecarga de atendimentos. Fonte: Diário Catarinense