Fetrancesc prepara projeto de redução da emissão de poluentes

Fetrancesc prepara projeto de redução da emissão de poluentes

Florianópolis, 10.1.06 ? A Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga de Santa Catarina) está elaborando um projeto de despoluição automotiva para Santa Catarina. De acordo com o presidente da Federação, Pedro Lopes, a finalidade desse plano é a economia de combustível consumido pelos veículos, redução da emissão de gases poluentes no meio ambiente e ainda habilitar o setor de transporte de carga para obtenção de créditos de carbono, conforme prevê o Convênio Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, mais conhecido como Protocolo de Kyoto. Lopes diz que esse programa é a contribuição da Fetrancesc e do setor de Transporte de Cargas na preservação do meio ambiente.
O Protocolo de Kyoto é um compromisso assumido por vários países industrializados, de reduzir suas emissões de poluentes em 5,2% em relação aos níveis de 1990, entre 2008 e 2012. É uma luta contra o aquecimento global do planeta. E dentro desse programa está previsto o crédito de carbono, uma espécie de moeda ambiental, que pode ser conseguida por diversos meios como projetos que absorvam GEE (Gases de Efeito Estufa) da atmosfera, um exemplo o reflorestamento; redução das emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis; substituição de combustíveis fósseis por energia limpa e renovável, como eólica, solar, biomassa, PCH (Pequena Central Hidrelétrica); aproveitamento das emissões que seriam de qualquer forma descarregadas na atmosfera (metano de aterros sanitários), para a produção de energia.
O Brasil não tem compromisso em reduzir os níveis de emissão de gases, mas terá que informar os órgãos ambientais internacionais sobre os seus números. No entanto, poderá se beneficiar com a venda de crédito de carbono Os países que poluem muito serão obrigados a comprar créditos em projetos sustentáveis de outros paises como o Brasil
O que é o Protocolo de Kyoto?
É um acordo internacional que estabelece metas de redução de gases poluentes para os países industrializados. O protocolo foi finalizado em 1997, baseado nos princípios do Tratado da ONU sobre Mudanças Climáticas, de 1992.

Quais são as metas?
Países industrializados se comprometeram a reduzir, até 2012, as suas emissões de dióxido de carbono a níveis pelo menos 5% menores do que os que vigoravam em 1990. A meta de redução varia de um signatário para outro.

Os países da União Européia, por exemplo, têm de cortar as emissões em 8%, enquanto o Japão se comprometeu com uma redução de 5%. Alguns países que têm emissões baixas podem até aumentá-las.

As metas estão sendo atingidas?
O total de emissões de dióxido de carbono caiu 3% entre 1990 e 2000. No entanto, a queda aconteceu principalmente por causa do declínio econômico nas ex-repúblicas soviéticas e mascarou um aumento de 8% nas emissões entre os países ricos.

A ONU afirma que os países industrializados estão fora da meta e prevê para 2010 um aumento de 10% em relação a 1990. Segundo a organização, apenas quatro países da União Européia têm chance de atingir as metas.

Por que os Estados Unidos se retiraram do Protocolo?
O presidente norte-americano, George W. Bush, se retirou das negociações sobre o protocolo em 2001, alegando que a sua implementação prejudicaria a economia do país. O governo Bush considera o tratado “fatalmente fracassado”. Um dos argumentos é que não há exigência sobre os países em desenvolvimento para reduzirem as suas emissões.

Bush diz ser a favor de reduções por meio de medidas voluntárias e novas tecnologias no campo energético.

Kyoto vai fazer uma grande diferença?
A maioria dos cientistas que estudam o clima diz que as metas instituídas em Kyoto apenas tocam a superfície do problema. O acordo visa a reduzir as emissões nos países industrializados em 5%, enquanto é praticamente consenso que, para evitar as piores conseqüências das mudanças climáticas, seria preciso uma redução de 60% das emissões.

Diante disso, os termos finais de Kyoto receberam várias críticas, com alguns dizendo que o protocolo terá pouco impacto no clima e é praticamente inútil sem o apoio norte-americano. Outros, no entanto, dizem que, apesar das falhas, o protocolo é importante porque estabelece linhas gerais para futuras negociações sobre o clima.

Os defensores de Kyoto dizem ainda que o tratado fez com que vários países transformassem em lei a meta de reduções das emissões e que, sem o protocolo, políticos e empresas teriam dificuldades ainda maiores para implementar medidas ecológicas. No entanto, também há um grupo de cientistas que contesta o conceito em que o protocolo está fundamentado, ou seja, de que o homem pode e deve “gerenciar” o clima por meio de mudanças no seu comportamento.

E o Brasil e os outros países em desenvolvimento?
O acordo diz que os países em desenvolvimento, como o Brasil, são os que menos contribuem para as mudanças climáticas, mas tendem a ser os mais afetados pelos seus efeitos. Embora muitos tenham aderido ao protocolo, países em desenvolvimento não tiveram de se comprometer com metas específicas. Como signatários, no entanto, eles precisam manter a ONU informada do seu nível de emissões e buscar o desenvolvimento de estratégias para as mudanças climáticas.

Entre as grandes economias em desenvolvimento, a China e Índia também ratificaram o protocolo.

O que é o comércio de emissões?
O comércio de emissões consiste em permitir que países comprem e vendam cotas de emissões de gás carbônico. Dessa forma, países que poluem muito podem comprar “créditos” não usados daqueles que “têm direito” a mais emissões do que o que normalmente geram.
Depois de muitas negociações, os países também podem agora ganhar créditos por atividades que aumentam a sua capacidade de absorver carbono, como o plantio de árvores e a conservação do solo.
Fontes: BBC Brasil e http://www.carbotrader.com/inicial_port.htm
juraci perboni/Imprensa Fetrancesc

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