Portos de SC recebem R$ 1,36 bi

Portos de SC recebem R$ 1,36 bi

Florianópolis, 16.4.07 – Santa Catarina lidera os investimentos privados em portos no país, com o aporte de R$ 1,36 bilhão em dois novos complexos portuários, construção de vários terminais, compra de equipamentos e modernização das instalações já existentes. Em todo o Brasil, os projetos em andamento da iniciativa privada somam quase R$ 4 bilhões, um terço destinado aos portos catarinenses.
Além dos projetos em execução, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) analisa cerca de 25 pedidos para a construção e exploração de Terminal de Uso Privativo (TUP) e Misto. Se aprovados, esses empreendimentos devem somar mais R$ 4 bilhões de investimentos, totalizando R$ 8 bilhões para o setor nos próximos anos.
Para os segmentos diretamente envolvidos em exportações e importações, a iniciativa privada está garantindo a agilidade que o poder público não tem. De acordo com o presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de SC, Marcelo Petrelli, a lentidão dos processos em função dos gargalos nos portos atrasa os embarques, o que deve ser revertido com os novos investimentos.
– A iniciativa privada vem com a promessa de acabar com estes atrasos, assegurando o desembaraço com 15 dias de antecedência da atracação dos navios. Este período atualmente é de apenas três dias. Com os novos terminais, a movimentação deve aumentar bastante – aposta.

Navegantes, a maior aposta da área no país

O maior investimento privado do país é o novo Porto de Navegantes, que deve consumir R$ 423 milhões para entrar em operações já em julho deste ano. Segundo o diretor superintendente administrativo, Osmari de Castilho Ribas, os gargalos que o setor portuário enfrenta geraram a oportunidade de investimento da empresa Portonave SA – Terminais Portuários de Navegantes.
– Um dos destaques do empreendimento serão os equipamentos de alta tecnologia – explica Castilho.

Investimentos privados
Porto de Navegantes
Investimento: R$ 423 milhões
Empreendedora: Portonave SA
Cais: 900 metros, com quatro berços
Retroárea: 270 mil m2 , na primeira fase e 600 mil m2 na segunda
Movimentação: 160 mil contêineres ou 250 mil TEUs (unidades de 20 pés) e após cinco anos, 1 milhão de TEUs
Operação: julho/2007
Porto de Itapoá – Tecon SC
Investimento: R$ 300 milhões
Empreendedores: Grupo Battistella (70%) e a Aliança Logística e Navegação, do grupo Hamburg Süd (30%), 55% dos investimentos de R$ 300 milhões são financiados BID
Movimentação: 300 mil contêineres por ano
Operação: segundo semestre de 2008
Porto de Imbituba
Investimento: R$ 370 milhões em terminais
Contêineres – R$ 100 milhões
Fertilizantes – R$ 40 milhões
Barrilha – R$ 10 milhões
Granéis líquidos – R$ 20 milhões
Projeto da empresa Imbituba Empreendimentos e Participações prevê um novo porto, com aporte de R$ 200 milhões
Porto de São Francisco do Sul
Investimento: R$ 167 milhões
Tesc – R$ 41 milhões
Terlogs – R$ 36 milhões
Três guindastes – R$ 30 milhões
Corredor de exportação de granéis – R$ 20 milhões
Outros investimento programados para 2007/2009 – R$ 40 milhões
Porto de Itajaí
Investimento: R$ 100 milhões, sendo
R$ 70 milhões já executados

Modernização é uma das metas

A iniciativa privada também aposta na modernização dos portos já existentes no Estado. No Porto de Imbituba, os projetos de expansão somam R$ 370 milhões. Em Itajaí, o Teconvi, empresa privada arrendatária, já investiu R$ 70 milhões, e outros R$ 30 milhões devem ser aplicados em melhorias.
No Porto de São Francisco do Sul, há o aporte de R$ 167 milhões da iniciativa privada.
Conforme o administrador do Porto de Imbituba, Jeziel Pamato de Souza, Santa Catarina lidera os investimentos privados no setor portuário, o que vai garantir o escoamento da produção.
– Se dependerem apenas das verbas públicas, os portos não conseguem acompanhar o crescimento da demanda. Por isso o papel da iniciativa privada é muito importante. O movimento nos terminais dobra em quatro anos e a infra-estrutura precisa acompanhar esta evolução.
O Porto de Itajaí recebeu licenças ambientais para investir R$ 100 milhões. No Porto de São Francisco do Sul, os terminais privados, o Terminal Santa Catarina (Tesc) e o Terlogs, juntos, devem injetar R$ 77 milhões para construção de um novo terminal de uso misto e outro de granel.

Operações serão antecipadas

Com prazo de conclusão das obras previsto inicialmente para agosto de 2007, o porto de Navegantes, em construção na margem esquerda do Rio Itajaí ao Sul, deve iniciar as primeiras operações em julho.
É o que informa o superintendente Osmari de Castilho Ribas, que dirige a execução do projeto desde a instalação do canteiro de obras. A movimentação de cargas do primeiro navio depende apenas da chegada dos dois primeiros guindastes, que estão sendo embarcados na próxima semana em Rostock.
Navegantes terá o porto mais moderno do Brasil, um dos primeiros da América Latina a operar com o que existe de última palavra em tecnologia de portêineres e transtêneires, os gigantescos guindastes que fazem a movimentação interna dos contêineres na retroárea portuária e para os navios atracados.
O projeto se baseia em financiamento de US$ 110 milhões que está sendo acertado com a General Eletric Capital Corporation. Trata-se do primeiro empréstimo para infra-estrutura portuária concedido pela GE Capital do Brasil.

Itapoá fará trabalho com grandes navios

Empreendimento orçado em R$ 300 milhões, o Tecon Santa Catarina, novo porto previsto para entrar em operações no segundo semestre de 2008, em Itapoá, é um dos principais projetos privados na área de logística e transporte do país e já movimenta a economia do Norte catarinense.
Segundo o presidente do Tecon SC, Nivaldo Almeida, com um calado natural de 16 metros, o novo porto será exclusivo para movimentação de contêineres. Terá capacidade instalada para movimentar 300 mil contêineres por ano e estará preparado para receber adequadamente navios de qualquer porte, melhorando o fluxo destas embarcações no Sul e no Sudeste do país.
O projeto, que já conta com todas as licenças necessárias, é um empreendimento que tem como acionistas o Grupo Battistella (70%), e a Aliança Logística e Navegação, do grupo Hamburg Süd (30%), sendo que 55% dos R$ 300 milhões serão financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O Tecon nasceu da idéia do Conglomerado Battistella de terminal próprio para exportação de madeira. Em 10 anos, o projeto evoluiu para terminal privado de contêineres.
Fonte: Diário Catarinense

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