Salvador, 7.8.06 – No Brasil, cerca de 60% dos navios que compõem a frota marÃtima das empresas de transporte de cargas não estão adaptados para o transporte de produtos perigosos. Problemas como estes sobrecarregam as rodovias, que enfrentam problemas de infra-estrutura e segurança, causando assim um prejuÃzo estimado em R$10 bilhões para os empresários do setor. Ontem, no último dia do VII Congresso Nacional Intermodal dos Transportadores de Carga, realizado no auditório do Othon Palace Hotel, representantes do setor de transporte baiano reclamaram quanto a falta de investimentos nas estradas que cruzam o Estado.
O evento, que reuniu empresários e membros de sindicatos relacionados ao setor de transporte de todo o PaÃs, discutiu ações para tentar minimizar os problemas enfrentados pelo ramo de transportes de cargas perigosas. Para os empresários, mais do que fazer exigências, a legislação brasileira deveria adotar medidas mais eficientes de proteção para o profissional condutor dos veÃculos transportadores de produtos especiais.
Além das péssimas condições das estradas federais, roubos de cargas e imprevistos com o caminhão, a falta de conhecimento do risco que representa transportar produtos perigosos é outro fator que pode colocar em risco a vida do carreteiro. Isso porque são poucos os profissionais que trafegam pelas rodovias e sabem identificar o perigo de uma carga pelo painel laranja obrigatório dos quase 3.100 produtos considerados perigosos, que na maioria são constituÃdos por combustÃvel (álcool, gasolina, querosene, etc.) e produtos corrosivos, como soda cáustica e ácido sulfúrico.
Para a diretora executiva do Serviço Social de Transportes (Sest), Tereza Pantoja, além da necessidade de fiscalização dos órgãos competentes é necessário que as empresas invistam em qualificação do profissional. ?Porque existe algo que chamamos de falha humana. Problemas existem nas estradas baianas e brasileiras, mas muitos acidentes podem ser evitados se, no mÃnimo o profissional receber qualificação necessária para o transporte da carga perigosa?, afirmou.
Entre as medidas apontadas por Pantoja para suavizar os problemas enfrentados pelos empresários estão propostas educativas, como ?palestras e seminários em ambiente de trabalho, deixar o profissional sintonizado com o setor e atentar para que conheça as polÃticas públicas que norteiam o exercÃcio do transporte de cargas?.
A diretora do Sets não deixou de reconhecer o que chamou de ?precariedade dos sistemas viários?. Segundo ela, esses fatores contribuem ainda mais para a ocorrência de acidentes. ?De fato, as estradas brasileiras enfrentam sérios problemas relacionados a infra-estrutura e isso precisa ser resolvido, mas é extremamente necessário que se entenda o fator da falha humana, de forte impacto para a ocorrência de acidentes?.
Dentre as informações que, obrigatoriamente, devem ser de conhecimento dos profissionais condutores de cargas perigosas estão a identificação no veÃculo, feita através de retângulos laranjas, que podem ou não apresentar duas linhas de algarismos, definidos como painel de segurança; e losangos definidos como rótulos de risco, que apresentam diversas c ores e sÃmbolos, correspondentes à classe de risco do produto.
Fonte: Tribuna da Bahia
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